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ABLAÇÃO DE ENDOMÉTRIO
Dra. Filomena Aste Silveira
1 - INTRODUÇÃO
As pacientes anteriormente, portadoras de sangramento
uterino anormal não responsivo ao tratamento clínico, apresentavam outrora,
sem outra alternativa de tratamento, realiaram a histerectomia.
A ablação histeroscópica do endométrio surge como
terapêutica alternativa a histerectomia com vantagens concretas.
No decorrer desta monografia apresentaremos as
diversas formas de ablação do endométrio, enfatizando, a técnica de
ressecção endometrial com uso do ressectoscópio de fluxo contínuo. Utilizamos
corrente elétrica de alta frequência e alça diatérmica associado ao
roller ball. Analisaremos os resultados obtidos em relação a esta técnica,
comparando estes com a literatura mundial disponível.
A ressecção endometrial com alça diatérmica possibilita
além do tratamento, obtenção de tecido endometrial, para estudo histológico.
É interessante registrar que a histeroscopia panorâmica,
bem como a biópsia endometrial. representam condutas prévias obrigatórias.
Vale ainda ressaltar que a segurança deste procedimento
(ablação por ressecção endometrial seguida de coagulação) bem como seus
aspectos técnicos já estão bem estabelecidos. (Magos, 1991).
O nosso objetivo desde o inicio da escolha deste
tema se baseia na resposta a seguinte indagação.
Ablação de endométrio , modismo terapêutico ou
tratamento eficaz?
Após exaustiva revisão da literatura e observação
dos resultados obtidos em estudo preliminar, com cinquenta e seis pacientes,
estaremos com maior embasamento para emitir opinião mais consistente
a respeito do assunto.
2 - OBJETIVO
Responder a seguinte questão:
1 - Ablação endometrial modismo terapêutico ou tratamento eficaz?
3 - HISTÓRICO
A primeira histeroscopia foi realizada há mais de 130 anos. Porém
em razão de duas principais questões, a saber, iluminação e distensão
da cavidade, este procedimento não continuou seu desenvolvimento.
As dificuldades técnicas e a limitação de suas indicações bloquearam
o seu seguimento.
Em 1804, o médico alemão Bozzini sugeriu um aparelho condutor de luz
para observação de pequenos tumores intra uterinos, de grande auxilio
no setor de infertilidade. Porém a Academia de Viena desaprovou a curiosidade
do Dr. Bozzini em investigar os aspectos ocultos do corpo humano e suas
idéias foram esquecidas transitoriamente.
É creditado a Pantaleoni a realização da primeira histeroscopia. Este
médico inglês realizou este exame em mulher fora do período grávido
puerperal, diagnosticando pólipos endometriais e os cauterizou com nitrato
de prata. O instrumento utilizado por Pantaleoni foi o aparelho de Desormeaux,
que era na verdade um uretroscópio tubular de 12 mm.
O sistema de iluminação utilizado neste exame, foi rudimentar a base
de luz de vela colocada sobre um espelho côncavo.
A era dita moderna da endoscopia pertence a Nitze.Em outubro de 1877,
apresentou ao colegio de Medicina da Real Saxônia, um cistoscópio conjugado
a fonte luminosa. Houve colaboração de dois ópticos, a saber Reineche
de Berlim e Leiter de Viena que idealizaram o acoplamento de várias
lentes possibilitando melhor visibilização no interior da bexiga. Este
foi o precursor dos modernos endoscópios.
As experiências em relação a histeroscopia continuaram com relatos
desapontadores de Blondel (1893) e Bum (1895), falaram eles sôbre a
dificuldade de visibilização da cavidade uterina em decorrência de sangue
e muco.
A primeira histeroscopia com aparelho munido de lente foi efetuada
por David (1908), utilizando cistoscópio de Nitze.
Novos aperfeiçoamentos se sucedem, porém ainda no século XX, a histeroscopia
continuava como método limitado e com algumas questões a serem resolvidas.
Em 1914, Heineberg, de Filadelfia, efetuou histeroscopia, utilizando
a água como sistema de irrigação, sem sucesso.
Em 1925, Rubin, utilizou a CO2, no entanto pelo fato de não existir
na época instrumento adequado para controle de fluxo, ocorreram acidentes
graves, com abandono do método.
Em 1952, Palmer na França idealizou um histeroscópio de 5 mm de diâmetro,
permitindo a realização de exames sem prévia dialatação do cérvice uterino.
Em 1957, Norment nos EUA introduziu novo sistema de iluminação por
fonte externa, que possibilitou através de condutor de fibra de vidro
melhor visualização da cavidade.
Em 1964, Franke na Alemanha idealiza um sistema óptico LUMINA, que
é utilizado até hoje na construção dos histeroscópios rígidos modernos.
Resolvida a problemática em relação a iluminação, restava ainda a descoberta
do meio distensor ideal para a cavidade uterina.
Em 1968, Menken obteve ótimas imagens histeroscópicas, injetando substâncias
de alto peso molecular na cavidade uterina.
Em 1970, os suecos Karin Edstrom e Fernstron utilizaram pela primeira
vez, a solução de dextran como meio distensor da cavidade uterina. Esta
substância não é miscível no sangue e permite ótimas imagens, nítidas
e claras.
Em 1971, Lindelman na Alemanha e Porto (1972), na França, com auxílio
de insuflador computadorizado, reintroduziram o CO2 como meio de dilatação
da cavidade, com sucesso e posteriormente (1976) estabelecem as taxas
de segurança e de risco para insuflação de CO2. Nessa época surgiam
as fontes de luz halógenas e os cabos de fibra óptica.
Nesta mesma década, Edstrom e Fernstrom introduziram na metodologia
histeroscópica um meio de alta viscosidade a base de dextran (HYSKON)
que melhorou a visibilização e permitiu deste modo a cirurgia intra
uterina.
Em 1974, teve inicio uma nova era em histeroscopia,a terapêutica via
histeroscópica.
Edstrom realizou lise de aderências, tratamento de útero septado e
ressecção de mioma sub mucoso.
O ressectoscópio utilizado por décadas pelos urologistas na ressecção
de próstata, foi modificado para uso ginecológico, modificação esta
representada pela inclusão de um sistema de fluxo contínuo introduzido
por Iglésias e colaboradores e por umas poucas alterações na abertura
distal da bainha externa (1975).
A primeira tentativa de redução endometrial endoscópica com sucesso
foi reportada por Goldrath, e colaboradores em 1981, utilizando o Neodimiun
- YAG Laser sob controle laparoscópico para destruir o endométrio de
paciente com sangramento uterino anormal com o objetivo de diminuir
ou mesmo abolir o sangramento anormal.
Em 1983, De Cherney e Polan, relataram o uso de um ressectoscópio
com eletrocoagulação unipolar de alta frequencia para alcançar o mesmo
resultado.
Este método foi posteriormente desenvolvido por Halley na França em
1988 (Magos e colaboradores, 1989).
O uso do ressectoscópio com fluxo contínuo, utilizando corrente elétrica
de alta frequencia com roller ball, foi primeiramente descrito
por Vancaillie (1989).
Townsend e colaboradores, Mc Lucas (1990) e colaboradoes (1990) publicaram
técnica de ablação enometrial, com coagulação utilizando roller ball.
Lefler e colaboradores descreveram técnica de eletrocoagulação com
curetagem prévia e uso de vasopressina.
4 - FUNDAMENTOS CONCEITUAIS
4.1 - MUDANÇA DE ATITUDE
A grande maioria dos ginecologistas recebeu orientação e treinamento
nas áreas de cirurgia abdominal e pélvica.
Alguns médicos, os mais antigos, apresentam dificuldades de adaptação
a esta nova técnologia e por vezes custam a aceitar a necessidade da
aquisição de novos conhecimentos e possivel reciclagem. Desta forma
a curva de aprendizado destes médicos é maior em relação aos outros.
Isto significa, mudança de atitude.
O médico estagiário e/ou residente deve perceber inicialmente que
o instrumental é diferente dos utilizados na cirurgia convencional com
auxilio de monitoração assistida desenvolverá e aprenderá paulatinamente
as cirurgias histeroscópicas.
Acreditamos que num futuro bem próximo as técnicas video endoscópicas
farão parte dos Programas Nacionais de Residência Médica, sendo apresentados
como técnica primária de abordagem diagnóstica. Isto signica mudança
de atitude.
4.2- HEMORRAGIA UTERINA ANORMAL
A hemorragia uterina anormal é uma condição que pode acometer a mulher
na menarca, menacme e no período de senilidade, sendo um problema que
as leva com frequência a procurar assisência médica ginecológica.
A grande maioria (cerca de 85%) dos casos de sangramento anormal ocorre
em pacientes no menacme, e são de origem disfuncional, ou seja sem qualquer
etiologia orgânica.
Nos restantes, 15%, é possível encontrar uma lesão orgânica ou um
distúrbio sistêmico. A remoção dessas lesões e a correção das doenças
clínicas costumam resolver a situação (Kempers, 1981).
Não podemos esquecer que a hemorragia uterina disfuncional é um diagnóstico
de exclusão e desta forma afasta obrigatóriamente qualquer causa orgânica,
qual seja em mulheres com idade superior a 30 ou naquelas próximas ao
período menopausal.
Sabemos que grande parte destas pacientes são portadoras de anovulação
crônica (cerca de 85%). O restante, apresenta outros distúrbios hormonais.
É notório que as portadoras de hemorragia uterina disfuncional apresentam
resposta satisfatória ao tratamento hormonal e por esta razão são encaminhadas
à histerectomia, como derradeira alternativa.
É importante repetir que esta abordagem invasiva da cavidade peritonial,
denota hospitalização, incapacitação temporária, dor e outros inconvenientes
para a paciente.
Como alternativa a histerectomia, métodos menos invasivos já foram
tentados, entre os quais, técnicas mecânicas, físicas e químicas (quinacrina,
metilciano, acrilato, ácido oxálico, paraformaldeido, criocirurgia,
radiações ionizantes, etc... Siegler e cols, 1990.
Estes métodos são utilizados para a destruição do revestimento endometrial
e visam a melhora ou cura das hemorragias uterinas anormais. A literatura
demonstra efeitos colaterais e sequelas inaceitáveis.
Na atualidade, há dois novos métodos aplicados para o tratamento desta
questão:
A ablação do endométrio com laser
Eletrocoagulação e/ou eletrorressecção do endométrio
O Nd YAG. Laser foi aprovado pela US food and DRUG ADMINSTRATION,
Como um método para realização de ablação em 1986 e o ressectoscópio
obteve aprovação em 1989.
4.3 - CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS E FISIOLÓGICAS SOBRE O ÚTERO E
ENDOMÉTRIO.
O útero é um órgão ôco composto principalmente por fibras musculares,
possuindo comprimento de 7 a 8 cm e largura de 4 a 5 cm em sua porção
superior. Esta cavidade torna-se real pela introdução de líquidos ou
de gases sob determinada pressão.
O revestimento interno do útero tem sua espessura variável na dependência
da fase do ciclo menstrual. Esta espessura oscila entre 1 e 2mm, imediatamente
após a menstruação, e entre 9 e 11 mm no período final de sua maturação.
Fig. 1 e Fig. 2 (retirado do livro A Manual of Clinical Hysteroscopy).
O endométrio é constituido de três camadas, definidas pelas estruturas
anatômicas que as compõem. A camada basal representa cerca de 25% da
espessura total, está em contacto direto com o miométrio e contém glândulas
que servem de reservatório para a nova maturação pós menstrual. Esta
camada não apresenta descamação durante o período menstrual, sendo considerada
não funcional, cuja porção mais interna constitúi cerca de 50% da espessura
total do endométrio e contém glândulas tortuosas que lhe dão um aspecto
esponjoso responsável pelo seu nome, camada esponjosa. Finalmente a
porção mais superficial do endométrio é denominada de camada compacta,
pelo fato das glândulas se aproximarem entre si e o tecido adjacente.
(Fig 1) .
O endométrio é responsivo aos estímulos hormonais decorrentes do funcionamento
ovariano e caso haja diminuição do aporte hormonal tanto o estroma como
as glândulas tornam-se escassos e as glândulas estreitadas passam a
ser revestidas por um epitélio cúbico baixo com células de núcleos pequenos
e arredondades com cromatina densa.
A espessura uterina é máxima entre 1 e 2 cm ao nível do fundo e das
paredes anterior e posterior, e mínima ( 0,3 a 0,4 mm), nas regiões
córneas ( Baggish, 1989).
A enorme quantidade de vasos presentes no miométrio justaposto ao
endométrio, garante a nutrição necessária para a renovação cíclica deste
último.
O objetivo da ablação endometrial é a destruição de todo o revestimento
da cavidade uterina, incluindo a totalidade da camada basal. Desta forma
torna-se obrigatório a remoção ou destruição das porções mais internas
do miométrio para que se evite a regeneração do endométrio.
Uma ablação endometrial é considerada uniforme quando ocorre a destruição
de 2 a 3 mm do miométrio justaposto ao endométrio
Após a menstruação, encontramos com frequência um endométrio fino;
este momento seria o ideal para uma ablação bem sucedida. No entanto
os detritos e impurezas observados neste momento dificultam a visualização,
impedindo a realização deste procedimento.
Desta forma, alguns autores utilizam substâncias com carater progestogênios
como o danazol, e a progesterona ou o uso de análogos do GnRh, antes
da ablação para tornar este endométrio reduzido e atrófico.
5 - ABLAÇÃO ENDOMETRIAL
A ablação endometrial representa dentro da classificação dos procedimentos
cirúrgicos histeroscópicos, cirurgia avançada, havendo necessidade do
operador através de curva de aprendizado já estar capacitado para realização
de histeroscopias diagnósticas e cirúrgicas de menor grau de complexidade.
Classificação das cirurgias Histeroscópicas
Classificam-se as cirurgias histeroscópicas em pequenas, intermediárias
e avançadas
Histeroscopias diagnósticas e biópsia dirigida
Cirurgias pequenas ou minor Remoção de pólipos simples
Nivel 1 Remoção de DIU
Cirurgias intermediárias Canulação da região proximal da tuba de Falópio
Nivel 2 Secção de pequenas sinéquias
Remoção de miomas pediculados
Esterilização tubária
Cirurgias avançadas Secção/ Ressecção de septos uterinos
Nivel 3. Ressecção / ablação de endométrio
Ressecção de miomas sub mucosos/ intramurais
Seccão de grandes sinéquias
Repetição de Ressecções/ ablações endometriais
Remoção de DIU na gravidez
Geralmente as pacientes orientadas para ablação endometrial apresentam
como relato principal, sangramento excessivo.
A melhor indicação para a ablação endometrial é a menorragia refratária
ao tratamento clínico e quando a histerectomia está contra indicada
ou desaconselhável por motivos médicos e/ou recusa da paciente.
A paciente deverá preencher os seguintes requisitos:
- ter prole definida;
- as alternativas terapêuticas não cirurgicas já deverão estar esgotadas;
- realização de histeroscopia panorâmica para afastar outras patologias
ou processo suspeito de malignidade;
- Histopatológico endometrial considerando patologia benigna;
- Deverá ser informada sobre os possíveis sucessos e insucessos do
método, incluindo suas complicações.
O sangramento excessivo informado pela paciente deverá ser investigado,
no entanto sabemos que a quantificação do real volume das perdas sanguíneas
pode ser efetuada por métodos objetivos ou subjetivos.
Várias avaliações já foram tentadas (Pendergrass em 1984) sugeriu
pesagem do material absorvente usado. Tauxe (1962), tentou marcadores
com radioisótopos.
As medidas das perdas de ferro são complexas, porém exatas. Considera-se
perda normal de ferro, quando o volume de sangue menstrual perdido for
igual ou inferior a 80ml/ ciclo. É necessário reconhecer que algumas
pacientes apesar das evidências objetivas de sangramento menstrual não
excessivo, desejam um tratamento definitivo.
O médico deve ponderar a real necessidade do procedimento individualizando
cada caso.
5.1 - TIPOS DE ABLAÇÃO ENDOMETRIAL
Vários procedimentos já foram realizados com o intuito de ablar o
endométrio, a saber:
Ressecção endometrial mais rolamento;
Ressecção isolada;
Ablação com Laser;
Rolamento isolado;
Ablação endometrial induzida pela radiofrequência;
Balão endotérmico;
Crioablação.
Neste presente trabalho nos deteremos específicamente a técnica de
ablação endometrial utilizando ressectoscópio com fluxo contínuo e roller
ball.
5.2 - SELEÇÃO DE PACIENTES
As pacientes encaminhadas apresentam hemorragia uterina refratária
ao tratamento clínico.
A paciente candidata a ablação deve ser esclarecida sobre a destruição
endometrial, a qual com certeza deverá interferir no processo reprodutivo.
É mandatória a biópsia prévia, orientada por histeroscopia panorâmica.ou
diagnóstica.
A avaliação laboratorial mais complexa estárá na dependência da história
e da clínica apresentada pela paciente. Em geral é suficiente a realização
de Eletrocardiograma, hemograma completo, glicemia, coagulograma e eletrólitos,
principalmente se a paciente é usuária de diuréticos e anti hipertensivos.
No entender de Lewis e colaboradores,1993, a paciente não deverá ter
outras patologias ginecológicas, como por exemplo prolapso genital,
endometriose pélvica severa constatada, hiperplasia complexa atípica
ou tamanho intracavitário superior a 10 cm. Para estes autores nestes
casos a melhor opção terapêutica, seria a histerectomia.
A paciente deverá ser esclarecida sobre as limitações da técnica,
bem como o padrão mentrual que poderá ocorrer posteriormente, oligomenorréia,
normorréia, amenorréia ou até mesmo retorno ao quadro anterior. Caso
retorne o quadro hemorrágico, exames adicionais everão ser realizados
com nova proposta de tratamento.
5.3 - PREPARO ENDOMETRIAL
A literatura é controversa quanto ao preparo rotineiro do endométrio.
No caso da realização deste, vários esquemas terapêuticos são propostos.
Progestogênios sintéticos
Danazol (Ladogal)
É um derivado sintético da 17 etinil testosterona, (isoxazol). É um
esteróide sintético com propriedades androgênicas leves. Atua a nível
hipofisário, hipotalâmico, ovariano, e endometrial, reduzindo a espessura
do endométrio. Pode ser empregado em doses de 600 a 800mg /dia, durante
4 a 6 semanas que antecedem o procedimento, ocasionando atrofia que
favorece a sua destruição.
Seu principal mecanismo de ação é a nivel hipotalâmico, funcionando
como agente agonista competitivo. Liga-se aos receptores de androgênio
e as globulinas. (ligação forte). Possui ação hepática indireta por
diminuição da concentração de globulinas.
A nível de supra-renal inibe as enzimas 17 e 21 hidroxilase, diminuindo
a produção de estrogênios. Atua a nível ovariano inibindo as enzimas
da esteroidogêne e seus principais efeitos colaterais incluem ganho
de peso, cansaço, dores musculo esqueléticas e cefaléias.
O danazol potencializa os efeitos de alguns anticoagulantes como o
warfarin. Devemos ter cautela no seu uso em usuárias deste medicamento
e em pacientes portadoras de insuficiência renal.
Acetato de medroxiprogesterona (provera, cycrin, farlutal e depo-provera)
Na apresentação de comprimidos, a dose seria 20 a 30 mg / dia entre
o 5º e o 25º dia do ciclo.
Injetável . Os esquemas são variáveis. 100 mg/ semana dirante 4 a
6 semanas
Acetato de Megestrol (Megestat)
Na apresentação de comprimidos, a dose seria de 80 mg/ dia entre o
5º e o 25º dia .
Reduzem o crescimento endometrial. O seu uso contínuo pode produzir
uma supressão endometrial, sendo útil no preparo para ablação endometrial.
Devemos estar atentos para a pseudodecidualização por eles causada
, que interfere na visualização do endométrio.
Atenção maior para os efeitos colaterais destes medicamentos, a saber;
ganho de peso, náuseas, edema, diminuição da libido, sangramentos de
escape, etc.
Gestrinona (dimetrose) A dose é de 5,0 a 7,5 mg/ semana
O danazol e a gestrinona, devido a ação androgênica, predispõem ao
acne, hirsutismo, aumento da oleosidade da pele e aumento de peso. O
mais temido efeito é a modificação da voz que por vezes é irreversível.
Análogos do Gn RH ( forma de depósito)
O alto preço representa um fator limitante no uso destes medicamentos,
no entanto são úteis quando se deseja um estado de amenorréia.
São os mais eficazes na redução volumétrica do útero.
Acetato de Leuprolide (lupron), uma injeção intra muscular de 3,75
mg efetuada duas vezes com intervalo de um mês entre elas é procedimento
prático e eficaz.
A ablação é em média efetuada 2 semanas após a ultima injeção. Alguns
autores realizam curetagem endometrial com a finalidade de preparo pré
ablação. Todavia não é um método aceito por todos os autores (Indman
e Soderstrom, 1990).
O maior efeito hipoestrogênico é geralmente obtido após o uso da 3ª
ampola.
Ocasionam sintomas climatéricos, podendo levar a perda de massa óssea
e alterações no lipidograma.
Em pacientes obesas temos que reajustar a dose.
Goserelina (Zoladex)
A dose é 3,60 mg/ mês injeção sub cutânea, ou 10,8 mg/ trimestre ,também
subcutânea.
Triptorrelina (Neo-Decapeptil)
A dose é 3,75 mg/ mês
Acetato de Buserelin ( Suprefact E Depot)
A dose é 0,9 mg/ dia
6,3 mg bimestral sub cutânea
Os análogos são substâncias que bloqueiam a produção de gonadotrofinas,
levando a um hipoestrogenismo acentuado, sendo seus principais efeitos
os fogachos e a secura vaginal. Além disso, predispõem a perda óssea
após seis meses de uso.
5.4 - INSTRUMENTAL
Os ressectoscópios tem um comprimento de 18 a 19 cm e um diâmetro
de 9 mm.
Existem na atualidade ressectoscópios mais fino com diâmetro entre
8 e 8,7 mm.
O ressectoscópio é constituido de 2 camisas . A interna para infusão
do líquido de distensão intra cavitária, Solução de manitol a 3%, solução
de glicina, sorbitol, etc.
Para distender a cavidade é utilizado um sistema de bomba específico
que infunde o líquido com fluxo e pressão controlados que mantém a visão
ideal da cavidade uterina.
Neste sistema, o líquido que entra passa através da bainha interna
emquanto o sangue e os dedritos teciduais são aspirados para fora através
da bainha externa.
É fundamental que os canais de entrada e saida percorram todo o comprimento
do aparelho, para que o líquido que entra no utero lave continuamente
o telescópio e garanta uma imagem clara, sem misturar-se com o líquido
tinto de sangue aspirado da cavidade uterina.
A maioria dos ressectoscópios utiliza ótica de 4 mm, com angulos de
visão variáveis, porém, mais habitualmente utilizamos angulação de 30
graus.
O ressectoscópio de 9 mm . utiliza uma alça de corte de 8 mm; que
é segura e eficaz.
O angulo de corte mais útil é de 90 graus.
Existem outros eletrodos disponíveis que incluem os de rolamento com
esferas pequenas e grandes.Fig 3 e Fig 4. (Retirado do livro Ablação
Endometrial, A, G Gordon,1995).
Na região cornual utilizamos os menores, os maiores são utilizados
na coagulação de vasos sanguíneos.
GERADOR ELETRO CIRÚRGICO
A alta frequência utilizada neste procedimento é oferecida pelo gerador
eletro cirurgico.
Há um trajeto de corrente que parte de um eletrodo ativo (por exemplo
alça de corte) em direção a um eletrodo passivo para finalmente retornar
ao gerador. A paciente é condutora.
O gerador elétrico deve estar ajustado, para uma potência de corte
igual a 110 W e para uma potência de coagulação igual a 60 W em mistura
1. Esses ajustes não são críticos, e qualquer nível de corte entre 100
e 130 W que possibilite um corte limpo e fácil, sem a aderência de fragmentos
á alça, é satisfatório.
Não é, aconselhável aumentar a potência da coagulação além de 60 W.pois
este procedimento pode causar lesão tecidual ( necrose ) da parede muscular
uterina quando da passagem do eletrodo de rolamento após a ressecção.
A corrente de alta frequência é essencial, pois evita a estimulação
neuro muscular durante aplicação da energia.
Um gerador deve operar com segurança contra impedâncias teciduais
que são variáveis. Os tecidos biológicos diferem entre si quanto ás
suas respostas à passagem de corrente elétrica, o que é explicado pelas
suas diferentes composições celulares. Cada tecido possúi uma caracteristica
individual, ele pode agir facilitando ou bloqueando a passagem de qualquer
corrente. O padrão ondulatório sinusoidal não modulado é aplicado em
eletrorressecção.
5.5 - MEIOS DE DISTENSÃO
Podemos utilizar apenas soluções que não conduzem eletricidade, as
quais incluem a glicina a 1,5 % e o sorbitol a 5% e o manitol a 5%.
A glicina a 1,5 % é pouco miscível com o sangue, apresenta boas qualidades
ópticas; sua desvantagem é ser hipotônica, aumentando o risco de sobrecarga
hídrica quando utilizada em larga escala.
O sorbitol a 5% é isotônico, apresenta meia vida de 35 minutos (Norlen
e colaboradores, 1988), sua desvantagem é a caramelização do instrumento.
O manitol a 5% é também isotônico e a sua meia vida é de 127 minutos.
A dextrose a 5% é também isotônico, causa hiponatremia diluente e
expansão plasmática.
Sabemos que a maior parte da absorção hídrica ocorre devido provavelmente
através das veias uterinas. Não podemos esquecer que parte do líquido
injetado, atinge a cavidade peritoneal através das tubas de pacientes
não laqueadas.
Na ausência de bomba de infusão automática, uma boa alternativa é
a pressurização da bolsa de infusão de líquidos.
As duas principais consequências as absorção da glicina são a sobrecarga
circulatória e a hiponatremia.
Casos de hiperglicinemia e hiperamonemia já foram relatados.
A sobrecarga circulatória ocasiona Insuficiência ventricular aguda
e hipóxia. Em casos mais graves, pode ocasionar edema cerebral e morte.
No caso de ocorrer importante hiponatremia, a paciente pode apresentar
agitação, vômitos e cefaléia, seguidos de convulsões, coma, parada respiratória
e morte. (Arieff e Ayus, 1993).
Na suspeita de sobrecarga hídrica, tratar a paciente com manitol intra
venoso em doses de 0,5 a 1,0 / Kg,para diminúir o risco de edema cerebral.
Magos e colaboradores (1991), apresentam algumas recomendações baseadas
na sua própria experiência. Segundo estes autores, se o volume absorvido
de glicina for mernor de 1000 ml, este será bem tolerado pela paciente
hígida; de 1000 a 2000 ml pode ocorrer hiponatremia leve (completar
a cirurgia o mais rápido possível) e por m último, se ocorrer absorção
acima de 2000 ml, é muito provável o aparecimento de hiponatremia grave
e outros distúrbios, neste caso interromper prontamente a cirurgia.
5.6 - EFEITOS TECIDUAIS E TÉRMICOS IN VIVO
A conversão da energia elétrica em energia térmica, utilizada nas
técnicas eletrocirúrgicas, tem efeitos teciduais e térmicos.
Durante a ressecção, produziu-se uma zona de necrose térmica (ZNT)
ao redor da alça de corte, cuja extensão variou emtre 0,6 a 0, 76 mm
independente da variação de potência.
A duração da corrente eletrocirúrgia produziu aumento estatisticamente
apreciável na ZNT. Adjacente média até 1.88 mm.
A aplicação prolongada de forma excessiva ( acima de 5 Seg) nas regiões
estreitas do útero, especialmente durante uma eletrorressecção, pode
ser ainda muito perigosa.
Recomenda- se o uso de modo de desidratação nas regiões córneas por
3 razões.
O risco de perfuração com o eletrodo em alça é maior nesses locais
finos.
O modo desidratação pareceu produzir uma ZNT definida e regular,
sem alterações importantes, e a imagem térmica in vitro do eletrodo
esférico evidenciou a natureza mais restrita do seu perfil térmico
em comparação com o eletrodo de alça.
Devido a facilidade de posicionamento, o rolamento é útil na região
fúndica.
A alça de ressecção pode ser utilizada no restante da cavidade uterina,
embora cuidados especiais devam ser tomados na região ístmica. A técnica
de ressecção apresenta a vantagem de ser mais rápida, fornecer material
para estudo histológico e de não deixar grande área de tecido necrótico
subjacente.
5.7 - TÉCNICA
Deverá haver total entrosamento entre a equipe cirúrgica.
A instrumentadora deverá estar treinada e apta a exercer suas funções.
O anestesista deverá estar atento a pressão arterial da paciente bem
como manter o cirurgião informado a respeito da pressão arterial média.
O bisturi elétrico deverá ser testado antes de iniciar o procedimento
cirúrgico.
A anestesia poderá ser epidural, geral ou local.
No caso de anestesia local a cirurgia deverá ser efetuada de forma
rápida.
A corrente unipolar é empregada em um ajuste de coagulação entre 40
e 60 w, ou o operador poderá optar por uma potência de 100 a 120 watts.
Utilizamos apenas líquidos não eletróliticos, com a glicina, sorbitol
e manitol .
É obrigatório o controle de entrada e saida do líquido, com a finalidade
de evitarmos a sindrome de intravazamento (também conhecida como overload).
Após colocar a paciente em posição de litotomia, efetuamos assepsia
e antissepsia, como em qualquer cirurgia ginecológica. A sondagem vesical
nem sempre é utilizada.
Efetuamos toque bimanual avaliando o tamanho uterino e sua posição.
Após colocação do espéculo, dilatamos o cérvice com velas de Hegar até
atingir o diâmetro do ressectoscópio, (9 mm).
O ressectoscópio é acoplado a fonte de luz e a entrada e saida do
liquido em questão.
As câmeras de alta resolução permitem realização dos procedimentos
relatados.
A utilização da corrente unipolar exige o aterramento adequado da
paciente para completar o circuito.
Devem ser utilizados apenas unidades eletrocirurgicas capazes de definir
com exatidão a wattagem e o tipo de padrão ondulatório, para que se
possa monitorizar a potência aplicada durante a cirurgia.
A exploração sistemática da cavidade uterina, deve ser efetuada identificando
os óstios tubários, e quaiquer anomalias, presentes como pólipos e leiomiomas.
Logo após inicia-se o procedimento propriamente dito eletrocoagulando
o fundo uterino e as regiões cornuais onde o miometrio é mais fino.
A coagulação é realizada de forma radial. A região fúndica é a mais
difícil, e a melhor forma de abordá-la é correr o eletrodo de esfera/
barra rolante de um lado para outro. Fig 6 (extraída do livro ablação
endometrial, A:G:Gordon, Volume 2 / 1995). Representação esquemática
de ablação endometrial por ressecção e de ablação com eletrodo de esfera
rolante. A seguir, devemos sistematizar a abordagem do endométrio com
a alça em U, que vai fazer um corte de 3 a 4 mm de profundidade. Começamos
pela parede posterior, sempre trazendo lentamente a alça em direção
a ótica e nunca projetando em direção ao fundo, o que poderia aumentar
o risco de uma perfuração. Manter sempre o eletrodo em contacto com
o tecido e mantido sob uma pressão uniforme durante o deslocamento (Valle,
1993).
Abordar as paredes laterars direita e esquerda e por último a parede
anterior.
É comum a formação de bolhas de gás e devido a passagem da corrente
elétrica estas tendem-se a acumular junto a parede anterior.
Atenção maior na área próxima ao cérvice uterino, a coagulação desta
região, provoca fibrose e estenose. Por esta razão devemos interromper
a ressecção a aproximadamente 1 cm do orificio interno. Devemos também
deixar uma pequena faixa de endométrio nessa região. Este procedimento
é importante no sentido de proliferação endometrial posterior de toda
a cavidade, evita a formação de sinéquias, possibilitando uma abordagem
histeroscópica futura. Este endometrio tem a propriedade de ser pobre
em receptores de estrogênio , o que é extremamente interessante. O tempo
médio deste procedimento é de 15 a 30 minutos, na dependência da habilidade
do cirurgião e presença de patologias associadas.
Fig 7 e 8 (Realização de ablação, utilizando ressectoscópio associado
a alça diatérmica).
5.8- ABORDAREMOS DE FORMA SUCINTA OUTROS TIPOS DE ABLAÇÃO RELATADOS
NA LITERATURA.
CRIOABLAÇÃO
É a destruição do endométrio através de técnica de congelamento, é
alcançada pela criocirurgia que também utiliza uma sonda, só que provida
de um sistema de canal duplo em que circulam o soro fisiológico e o
óxido nitroso em forma de gás.
Injeta-se uma pequena quantidade de soro fisiológico na cavidade uterina,
que é em seguida convertida em uma bola de gelo pelo óxido nitroso,
causando o rápido resfriamento da sonda ( Pitroff e colaboradores, 1993).
Este tipo de técnica existe sob pesquisa.
Ablação endometrial por radiofrequência (AERa F) utiliza ondas de
rádio emitidas por uma sonda no interior da cavidade uterina e refletidas
por uma faixa larga presa ao redor do abdome da paciente, o que permite
o retorno das ondas em direção á sonda. A sonda se aquece muito rapidamente
e a temperatura é continuamente controlada durante o período de duração.
O período de duração do procedimento é de 15 a 20 minutos.
Estes métodos supra citados ainda estão sob pesquisa do estudo MISTLETOE.
A pesquisa MISTLETOE é uma averiguação bem sucedida destas técnicas
relativamente novas.
Os dados obtidos sugerem que as limitações financeiras favorecem as
técnicas eletrocirúrgicas, em detrimento do Laser e da e que a crioablação(
AERa F) ainda é muito incipiente.
MISTLETOE ( minimally invasive surgical techiques laser, endothermal
or endoresection).
TECNICA DE ABLAÇÃO POR ROLAMENTO ISOLADO
A eletrocoagulação às cegas foi proposta por Baumam, em 1948, no entanto
a sua implantação na prática só ocorreu em 1978, quando Neuwirth (1978)
e De Cherney e colaboradores em 1987 passaram a realiza-la com auxílio
de um ressectoscópio e de um eletrodo em forma de alça.
Lin e colaboradores (1988) foram os primeirosa publicarem trabalhos
sobre esta técnica. Utilizou-se de uma corrente de coagulação para destruir
o revestimento endometrial. Houve melhora do quadro de menorragia apresentado
pelas pacientes.
Vancaillie (1989), relatou o primeiro grupo de quinze pacientes tratadas
de forma prospectiva com um eletrodo de rolamento, ao qual foi aplicada
uma potência de 40 a 70 W com uma corrente coaguladora pura.
Estas mulheres foram tratadas ao nível ambulatorial, quadro de amenorréia
foi observada em dez pacientes e hipomenorréia em quatro.
Outra paciente retornou com quadro de sangramento anormal após quatro
meses de cirurgia, tendo sido submetida a histerectomia. O exame histopatológico
da peça revelou Adenomiose grave.
ABLAÇÃO ENDOMETRIAL COM LASER
Foi Milton Goldrath o primeiro a perceber que o comprimento de onda
do LASER Nd:YAG, poderia ser útil como uma alternativa a destruição
adequada e profunda do endométrio (Goldrath e colaboradores, 1981).
O feixe de Laser pode ser direcionado com auxílio de histeroscópio
cirurgico, atingindo a superfície do endométrio.
A energia do Laser Nd: YAG- atinge tecidos como o endométrio, produzindo
zona de vaporização localizada da fibra condutora e uma zona mais profunda
de necrose de coagulação irreversível que se prolonga por 5 a 6 mm em
todas as direções.
BALÃO ENDOTÉRMICO
É um método ainda experimental.
Constitúi na introdução de uma solução através de um balão, o qual
é aquecido, queimando o endométrio de uma maneira homogênea.
Apresenta uma única vantagem, a de ser um método ambulatorial, sendo
realizado apenas com anestesia para cervical.
A terapêutica uterina através deste balão tem sido reportada como
tratamento alternativo.
É efetuada a introdução de líquido aquecido a 87ºC com permanência
de 8 minutos. Com auxílio deste balão, este líquido entraria em contacto
direto com a mucosa endometrial. O intuito é provocar uma lesão tecidual
térmica homogênea. A vantagem deste método é de ser ambulatorial necessitando
apenas de anestésico local.
5.9 - COMPLICAÇÕES
A ablação endometrial através de ressecção eletrocirúrgica é efetuada
como tratamento alternativo em relação a histerectomia total.
A histerectomia é uma cirurgia de maior porte e carreia um índice
relativamente baixo, porém definido de taxa de mortalidade 6:10 000
( quando a indicação é de doença benigna) Wingo e colaboradores 1985.
A taxa de mortalidade após histerectomia é, entretanto muito alta.
Cerca de 24,5/1000 e 42,8/100 para HTV e HTA respectivamente.
Existe também uma taxa de maior morbidade em follow up de longo tempo.
Observamos posteriomente alterações urinárias, disfunção intestinal,
falência ovariana prematura, doença cardiovascular e osteoporose.
Estes conhecimentos são importantes quando indicamos indicamos uma
cirurgia video histeroscópica.
As principais complicações se relacionam com a ressecção endometrial.
Estão divididas em complicações intra operatórias e pós operatórias.
Complicações intra operatórias:
Perfuração uterina;
Intravazamento;
Hemorragia ;
Embolia gasosa.
As complicações pós operatórias se subdividem em:
a curto prazo a longo prazo
infecção recorrência dos sintomas
intravazamento gravidez
hemorragia câncer de endométrio
dismenorréia
fracasso no tratamento
perfuração uterina
A incidência desta complicação está entre 1 e 3,7% no entender de
vários autores. Maher e cols.( 1990) , Magos e cols., 1989 e Sturdee
e colaboradores 1993.
Magos ( 1989), documentou a perfuração uterina utilizando o ressectoscópio.
Goldrath (1981) reportou perfuração uterina através
de ressecção transcervical durante fase de aprendizado inicial do histeroscopista.
É evidente que a perfuração uterina depende também
da experiência do histeroscopista. A área de maior dificuldade na ressecção
é a região cornual e o fundo. A perfuração é óbvia quando visualizamos
o peritônio ou intestino. No entanto, as vezes é muito dificil o diagnóstico.
A absorção rápida do meio de irrigação deve ser
sempre uma suspeita de perfuração concomitante, pode ocorrer distensão
abdominal,. Na suspeita, paramos imediatamente a cirurgia e monitorizamos
a paciente.
O dano resultante com a perfuração está na dependência do instrumental
utilizado no momento da perfuração. Este pode ser uma vela de Hegar,
o ressectoscópio, uma pinça Forceps (extratora de pólipos) ou uma cureta,
a qual é frequentemente utilizada para retirar o endométrio ablado.
A inspeção laparoscópica é mandatória na suspeita de perfuração
INTRAVAZAMENTO
Durante o ato cirurgico pode ocorrer absorção
de uma quantidade excessiva do líquido de irrigação de forma direta,
através dos seios venosos abertos pela ressecção, ou por possíveis perfurações
uterinas.
Esta síndrome pode iniciar durante a cirurgia,
passar despercebida e apresentar sinais e sintomas na sala de recuperação
pós anestésica.
A paciente relata tonteira, cefaléia e opressão
precordial.
Apresenta-se com irritalilidade confusão mental,
podendo ainda ocorer vômitos e dor abdominal.
A pressão arterial aumenta, ao passo que a frequência
cardíaca diminui. Se não ocorrer rápida intervenção, segue-se cianose
e hipotensão, evoluindo até uma parada cardíaca
e morte.
Algumas pacientes podem relatar sonolência que evolui para perda de
consciência , com episódios curtos de crises tônico- clônicas que podem
caminhar para um estado comatoso.
Alterações eletrocardiográficas podem ocorrer, incluindo ritmo nodal,
alterações de segmento ST, alargamento do QRS.
O diagnóstico é mais fácil quando a anestesia é regional e dificil
diante de anestesia geral.
Durante o procedimento cirúrgico, devemos evitar que a pressão de
infusão do líquido não ultrapasse a pressão arterial média apresentada
pela paciente.
O ideal é manter a pressão de infusão entre 75 a 110 mg, com fluxo
de saida 200 a 250 ml/ minuto.
É importante que o anestesista efetue a monitorização da pressão arterial
média, mantendo o cirurgião informado durante todo o tempo cirúrgico.
As complicações associadas com o intravazamento são.
Hemorragias, lipotímia, (a temperatura cai de 1º por hora), CID, hiponatremia,
hipososmolaridade, insuficiência cardíaca congestiva, Edema Pulmonar,
hipotensão, hemólise e toxicidade relacionada ao meio de distensão.
No caso de utilização da glicina como meio distensor, podemos ter,
hiperglicinemia, e/ou hiperamonemia.
No caso do sorbitol, hiperglicemia e no caso do manitol, considerar
expansão do volume intravascular.
O volume do líquido de irrigação, absorvido durante a cirurgia video
histeroscópica, pode ser obtido pela comprovação dos níveis do sódio
antes e depois da cirurgia.
É portanto, de vital importância efetuar o balanço hídrico, observando
a quantidade de líquido de irrigação que entra e sai durante o procedimento
video histeroscópio.
TRATAMENTO DA SINDROME DE INTRAVAZAMENTO
O tratamento deve ser rápido e intensivo.
Administrar furosemida EV ( 20 a 40 mg).
Administrar oxigênio sob máscara.
Estar atento, caso seja necessário, intubar e ventilar com pressão
positiva.
Dosar sódio sérico, caso seja necessário, admnistrar solução salina
a 3,5 %.
No caso de crise convulsiva, efetuar benzodiazepínicos.
Corrigir anemia.
Encaminhar a Unidade de Terapia Intensiva.
HEMORRAGIA
São excepcionalmente raras as hemorragias primárias importantes durante
uma ressecção. Os índices relatados variam entre 0,4 e 5% (Maher e Hill,
1990, Magos e colaboradores, 1991).
Em praticamente todos os casos, o controle do sangramento foi alcançado
por meio de tamponamento com uma sonda de foley, mantida na cavidade
uterina pelo prazo de 4 a 12 horas, com balão de 30 ml, totalmente inflado.
Não há relatos de transfusões ou complicações graves decorrentes da
hemorragia.
HEMORRAGIA SECUNDÁRIA
Encontramos na literatura relato do grupo “reading” de pesquisa, no
qual uma paciente foi reinternada com um quadro de hemorragia secundária
tratada com tamponamento uterino, mantido por 48 horas, associada a
antibioticoterapia. Outras cinco pacientes desenvolveram hemorragias
pós operatórias excessivas ou persistentes, porém nenhuma delas necessitou
de tratamento.
HEMATOMETRA
Esta complicação pode ocorrer quando não nos preocupamos com o canal
cervical. Hamou defende a ressecção parcial da cavidade, deixando um
halo de endometrio logo acima do orificio interno. Alguns autores (Loffer
e colaboradores) em 1988, defendem a colocação de uma sonda intra uterina
trinta dias após a cirurgia para prevenir a estenose. Refere ele que
no caso de ser observada alta resistência no orificio interno, nova
avaliação deverá ser efetuada 30 dias após o procedimento. O caso de
ocorrer hematometra, pode ocorrer pseudoamenorréia associada a dor cíclica.
Hill e colaboradores(1992) relataram 13 hematomas em 500 ressecções,
o que dá um percentual de 2,6 %.
No grupo “reading” quatro pacientes desenvolveram hematometra importante
e foram submetidas a histerectomia.
A ecografia pélvica é útil não só no diagnóstico, como também na avaliação
de sua graduação.
Não é raro o hematometra parcial ( acúmulo de sangue na região fúndica)
que pode desaparecer sem qualquer tratamento. Coleções maiores são tratadas
com exploração cirurgica, ressecando o endométrio persistente na cavidade.
INFECÇÃO
A incidência exata do índice de infecção ocorrida no período do pré
operatório é dificil de ser obtido.
A grande parte das pacientes é tratada como casos de um único dia
e as infecções menores são resolvidas a nivel clínico, não havendo necessidade
de confirmação microbiológica.
Maher e Hill ( 1990) Relataram um índice de 2%.
Amin e Good (1995) referem um caso de piometra após ablação endometrial.
De um modo geral as infecções são muito raras, no entanto caso ocorra
uma endometrite, esta pode ser adequadamente controlada com o uso de
doxiciclina.
INSUCESSO E RECORRÊNCIA DE SINTOMAS
É muito importante distinguir entre o insucesso do tratamento isto
é a não melhora dos sintomas após cirurgia e a recorrência de sintomas
após um período inicial de melhora.
Embora este seja um procedimento relativamente novo e o follow
up esteja limitado, a maioria das mulheres que relatam beneficios
com a cirurgia precocemente continuam a relatar o resultado satisfatório
em follow up mais longo, Não há ainda razão estabelecida para
o fracasso primário da cirurgia ou a recorrência dos sintomas.
Caso isto ocorra a paciente deve ser revista e novamente tratada.
Pode ser efetuada outra ablação ou não. Em alguns casos considerar então
a histerectomia como forma de tratamento.
CANCER APÓS ABLAÇÃO
Teóricamente dois aspectos necessitam de observação.
Carcinoma oculto do endométrio ( este seria pré existente a ablação);
Risco de desenvolver neoplasia a longo prazo ( este aconteceria
após ablação);
Teóricamente existe a possibilidade da paciente ter uma área de neoplasia
e esta passar despercebida na histeroscopia panorâmica e no estudo histológico
pré ablação. Desta forma seria surpreendida com a ressecção endometrial.
Neste particular ressaltamos que uma das vantagens deste método sobre
outras técnicas de ablação e é a obtenção de tecido para exame histológico.
Outra consideração importante é a possibilidade do desenvolvimento
de carcinoma de endométrio a partir das ilhas de endométrio que permanecem
dentro da cavidade. A presença deste endométrio é importante pois justamente
impede a formação de sinéquias intra cavitárias permitindo um novo exame
mais adequado. Esta possibilidade é teórica.
O que se considera na atualidade, é o risco reduzido de cancer de
endométrio após ablação endometrial. Não existe nenhuma razão para o
desenvolvimento de sarcoma no miométrio. A chance destes tumores afetarem
o cervice ou ovário permanece ainda desconhecida (Janicek e colaboradores,
1993).
No entanto mulheres que realizam reposição hormonal após ablação,
devem realizá-la, utilizando a forma combinada para prevenir o desenvolvimento
do cancer de endométrio.
DOR CÍCLICA.
Pode ocorrer dor cíclica, mesmo em pacientes que evoluiram com amenorréia.
Nestes casos a etiologia é incerta. Pode haver necessidade de realizar
laparoscopia para afastar endometriose e outras causas de dor pélvica.
Pode haver adenomiose ou sinéquias intra uterina. Como terapia efetuamos
analgésicos que resolvem a maioria dos casos. Em casos particulares,
quando não há resposta aos rotineiros analgésicos, a histerectomia poderá
ser efetuada.
GRAVIDEZ
Parece lógico que a chance de concepção após ressecção endometrial
é bem reduzida devido a uma série de fatores, tais como:
cavidade uterina reduzida
cavidade uterina “ cicatrizada”
provável bloqueio cornual
faixa etária do grupo, não favorável a reprodução
Porém apesar dos fatores supra citados, há vários casos de gravidez
relatados na literatura, ambos: gravidez tópica e ectópica. A gravidez
tópica frequentemente termina em abortamento espontâneo ou voluntário.
Porém há um caso de gravidez a termo, relatado por Sutton, personal
comunication, (Maher e Hill, 1990), sem complicação fetal ou placentária,
cujo trabalho original não tivemos acesso.
Por estas razões, as pacientes devem ser aconselhadas a continuar
com algum método contraceptivo após a ressecção endometrial ou ser oferecido
método de esterilização definitiva concomitante a ablação.
Relataremos agora, a análise de 56 casos de ablação histeroscópica
do endométrio, com emprego do ressectoscópio e alça, realizadas em pacientes
do Centro de Videoendoscopia da clinica São Paulo.( Nova Iguaçú-RJ).
O objetivo deste estudo foi o de divulgar os resultados preliminares
relacionados a ressecção endometrial com o uso do ressectoscópio utilizando
alça diatérmica e roller ball.
6 - METODOLOGIA
De junho de 1997 a junho de 1998, cinquenta e seis pacientes foram
atendidas no Centro de Videoendoscopia da Clinica São Paulo,destas,
cinquenta e quatro apresentavam sangramento uterino, não responsivo
a tratamento clínico.
Estas pacientes foram submetidas a ablação histeroscópica do endométrio
com o ressectoscópio e posterior eletrocoagulação.
Este tratamento foi préviamente aceito por todas as pacientes.
Com o objetivo de afastar patologia maligna, como possível etiologia
do Sangramento Uterino Anormal (SUA), realizou-se em todas as pacientes
histeroscopia diagnóstica e biópsia endometrial orientada, a nível ambulatorial.
A idade das pacientes variou de vinte e seis a sessenta e sete anos
( média de quarenta e três anos). Quanto a paridade, trinta pacientes
eram multíparas (três a onze filhos). Três eram nulíparas e vinte e
três haviam entre um e dois filhos.
Trinta e seis pacientes 36/56 já haviam sido submetidas a esterilização
tubária prévia.(64,2%). Nas pacientes sem laqueadura prévia e em idade
reprodutiva houve esclarecimento quanto a necessidade da utilização
posterior de método anticonceptivo. Nenhuma paciente apresentou relato
de parceiro vasectomizado.
Como medicação pré operatória trinta e sete pacientes se submeteram
a algum preparo endometrial. Nas dezenove pacientes restantes, a ablação
ocorreu na fase inicial do ciclo. ( após a menstruação).
O danazol foi utilizado por vinte e seis pacientes na dose de 600
mg/ dia durante 30 dias que antecederam o procedimento. Oito pacientes
fizeram uso de progestágeno de depósito (injeção de 150 mg) e outras
três utilizaram gestrinona na dose de 7,5 mg / semana durante trinta
dias. TABELA 1
7 - PROCEDIMENTO
As pacientes foram colocadas em posição de litotomia. Foi realizada
assepsia e antissepsia comum a toda cirurgia ginecológica. O cervice
foi dilatado progressivamente com velas de Hegar até nº 9 , para permitir
introdução do ressectoscópio.
Utilizou-se para a execução das intervenções um ressectoscópio de
marca Stortz com alça monopolar e, em seguida um roller ball. A corrente
utilizada foi de alta frequência , com uma potência de 80 a 100 W, obtida
a partir de um gerador eletrocirurgico, marca Valleylab Force 2.
É interessante ressaltar a colocação de coletor impermeável , que
permite aferir todo o líquido exteriorizado, para melhor procedermos
ao balanço ( entrada e saida), pós cirurgia.
A ablação foi efetudada com alça diatermica atraves do ressectoscópio
e rolerball, de acordo com técnica ja descrita no inicio deste trabalho
(Fig. 7 e 8).
A cavidade uterina foi distendida utilizando se glicina a 1,5 %, cuja
pressão de infusão foi obtida utilizando hystero-punp (endoview). Este
aparelho é utilizado para irrigar a cavidade uterina com líquidos sem
eletrólitos e de baixa viscosidade.
O procedimento histeroscópico foi realizado num intervalo que variou
de vinte a noventa e cinco minutos, com média de cinquenta e oito minutos.
O volume de glicina a 1,5 % infundido variou de três a nove litros
(média de seis litros). Todo material ressecado foi enviado para análise
histológica.
A anestesia geral foi efetuada em três casos, (3/56) , pela necessidade
de laparoscopia concomitante. (uma para laqueadura tubária e outras
duas para investigação de dor pélvica crônica). O percentual correspondente
foi 5,3. A anestesia espinhal foi realizada em cinquenta e três pacientes
(53/ 56) , totalizando 94,5% dos casos; sendo dez raquidiana 17,8%)
e quarenta e tres do tipo peridural (76,7%). Tabela 2.
O follow up foi realizado na maioria das vezes em sessenta e cento
e vinte dias após o procedimento F ig 9, 10 e 11.
Fig 9- Histeroscopia após 30 dias. Não é nossa rotina, porém para
fins de ilustração está aqui representada. Há depósito de fibrina e
exsudato.
Fig 10 - Histeroscopia após 60 dias., fase de resolução. Mais avançada.
Fig 11 - Histeroscopia após 120 dias. Cavidade reconstituida, adequada
ao seguimento.
Nesta ocasião as pacientes responderam um questionário que foi elaborado
com as seguintes questões: ( anexo 1).
grau de satisfação em relação ao resultado da cirurgia.
grau de satisfação do médico
presença e intensidade de quadro álgico durante a menstruação,
grau de melhora após a ablação.
padrão mestrual após a cirurgia .
Neste estudo, avaliamos:
Sintomatologia apresentada
Indicações da histeroscopia diagnóstica
Achados da histeroscopia diagnóstica
Resultado do exame anátomo patológico do material ressecado da cavidade
uterina
Complicações observadas durante e após o procedimento
Padrão menstrual após ablação do endométrio
Relato de melhora em relação a dor pélvica
Grau de satisfação da paciente
8 - RESULTADOS
Em relação a sintomatologia das pacientes submetidas a ablação, encontramos
vinte e oito pacientes portadoras de sangramento uterino anormal.( SUA
), associada a dor pélvica. (28/56) o que correspondeu a 50% das pacientes
estudadas.
Vinte e seis pacientes apresentaram apenas sangramento uterino anormal
correspondendo a 46,4% dos casos. Tabela 3.
Em duas situações encontramos pacientes assintomáticas, onde o exame
video histeroscópico demonstrou pólipo endometrial. Estas pacientes
eram menopausadas e estavam sob terapia de reposição hormonal (TRH).
A conduta nestes casos foi a polipectomia video histeroscópica com oportuna
ablação.
Em relação as indicações da video histeroscopia diagnóstica, observamos
que em vinte e sete casos, 27/56 as pacientes foram encaminhadas com
SUA a despeito de ecografia normal (48.2%). Em vinte e sete casos, as
pacientes haviam achados ecográficos : hiperplasia de endométrio ( 20/
56), correspondendo a 37,5 %, hipertrofia uterina,( 4/56) 7,1% e pólipo
(3/56), 5,3%. Em dois casos as pacientes haviam relato de sangramento
pós menopausa (2/56) 3,7% dos casos. Tabela 4.
Na histeroscopia diagnóstica encontramos hipertrofia simples, 13/56
correspondendo 23,2% dos achados. Endométrio proliferativo e endometrio
secretor, ao todo 21 casos, 37,5%. Hiperplasia polipóide 8/ 56, (14,3%)
e pólipo isolado que ocorreu em 7/56 casos (12,5%).
Outros achados, incluem endométrio hipotrófico (2), mioma (2), endométrio
atípico(1), endométrio atrófico (1), e endometrio disfuncional, com
apenas um caso. Tabela 5.
É interessante comentar sobre o número de patologias associadas ;
dentre elas destacamos pólipo, adenomiose e mioma. Em doze pacientes
encontramos pólipo concomitante a algum tipo de achado histológico.Em
outras dezoito pacientes encontramos adenomiose associada. Em cinco
pacientes encontramos a associação de mioma . Tabela 6.
Das onze suspeitas de adenomiose, ao exame video histeroscópico, apenas
quatro foram comprovadas na análise do material ressecado (22,2%), e
apenas uma foi confirmada a partir da biópsia orientada (histeroscopia
diagnóstica).
Em relação ao estudo histológico do material ressecado, encontramos
trinta e um casos de hiperplasia simpless (31/56), correspondendo a
55,3% do total. Em ordem descrescente obtivemos, endométrio proliferativo,
desesseis casos, endométrio atrófico, tres casos e endométrio disfuncional,
dois casos. Tabela 7.
As patologias associadas mais frequentes foram adenomiose 18/56, pólipo
12/56 e mioma 5/ 56 tabela 6.
Observamos que dos 18 casos de adenomiose obtidos através do material
ressecado, 14/18 não foram suspeitados através da videohisteroscópica
diagnóstica, o que é aceitável porém não pode ser desconhecido. A adenomiose
é de situação mais profunda, o que dificulta seu diagnóstico histeroscópico.
Fig. 5 (figura retirada do artigo Hysteroscopic myometrial biopsy: Arthur
M, e Causlland, 1992).
No que tange ao número de complicações, tivemos 3/56 casos, o que
nos dá um percentual de 5,3 %. Vivenciamos um caso de overload, (1,7%),
outro caso de sangramento (1,7%) e uma laceração do colo uterino ( 1,
75%) tabela 8.
As complicações foram resolvidas de forma eficaz. No caso de “overload”
a paciente necessitou de diuréticos e permaneceu hospitalizada por mais
24 horas. Obteve alta em boas condições. O sangramento foi resolvido
com utilização de sonda de folley, colocada, com balonete cheio com
30 ml de água por 12 horas. No caso de laceração, a paciente havia efetuado
preparo com danazol, com consequente atrofia vaginal. A partir deste
caso, recomendamos a utilização de promestriene tópico nos quinze dias
que antecedem ao procedimento .
Em relação ao padrão menstrual após ablação, encontramos vinte e nove
casos de diminuição acentuada do fluxo 29/56, o que correspondeu a 51,7%
dos casos. Nosso índice de amenorréia foi de 26,7 %. ( 15/56). Em apenas
três pacientes não encontramos modificação do fluxo antes e após ablação
3/56 (6,3%). Tabela 09.
Em relação quadro álgico apresentado pelas pacientes, observamos que
em dois casos (3,5%) a dor não se modificou com a ablação. Dez pacientes
obtiveram melhora importante da dor (17.8%). Houve ausência de quadro
álgico após ablação em doze pacientes, (21,4%). Em quadro pacientes
a melhora não foi importante ( 7,1%). Ocorreu perda de seguimento em
tres casos. Tabela 10.
Finalmente, na análise do grau de satisfação, observamos que 42/56
consideraram ótimo o resultado obtido. Tabela 11.
Dez pacientes ( 10/56) consideraram bom o resultado (17,8%).
Apenas uma julgou regular o resultado obtido 1/56 (1,7%).
Do total ( 56), tres pacientes não responderam o questionário, não
compareceram ao follow up, e por esta razão, consideramos perda de seguimento
( 5,3%) .
Verificamos também o percentual de satisfação relacionado a realização
ou não do preparo endometrial. Das vinte e seis pacientes que realizaram
preparo do endométrio com danazol, obervamos que em seis casos ocorreu
amenorréia, (23%) , contra cinco casos em 19 que não realizaram preparo
algum ( 26,3%).
O indice de hipomenorréia nas pacientes que realizaram preparo foi
de 34,6%(9/26), contra 47,4%, nas pacientes que não foram submetidas
a qualquer preparo ( 9/19).
O Grau de satisfação das paciente sem preparo foi de 73,7% contra
57,6% das pacientes submetidas ao preparo com danazol.
Outra análise que consideramos interessante foi em relação as pacientes
que classificaram como BOM o resultado obtido (10). Destas, cinco (50%)
haviam adenomiose.
Em relação ao padrão menstrual relatado pelas pacientes com adenomiose,
ficamos surpresos ao constatarmos que das dezoito pacientes, oito apresentaram
hipomenorréia (47%), seis ( 29,4%) apresentaram amenorréia ,totalizando
77,7% de resultado satisfatório.
Observamos que nove pacientes com adenomiose apresentavam quadro álgico
(50%) Destas, oito apresentaram ausência de dor após o tratamento, 88,8
%. Apenas uma referiu continuação do quadro álgico.
Em resposta ao questionário, das dezoito pacientes (com adenomiose),
cinco referiram resultado BOM (27%) e uma , classificou de REGULAR.
A grande maioria , doze pacientes relataram como ÓTIMO o grau de satisfação
(12/18), o que corresponde a 66,6%.
Tabela 1 - Substâncias Utilizadas no preparo do endométrio
| |
n
|
%
|
|
Danazol
|
26 |
70,2 |
|
|
|
|
| Progesterona de depósito |
08 |
21,6 |
| |
|
|
| Gestrinona |
3 |
8,2 |
| TOTAL |
37 |
100 |
Com Danazol (26)
| |
n
|
%
|
|
Amenorréia
|
06
|
23,0%
|
|
|
|
|
|
Hipomenorréia
|
09
|
34,6%
|
|
|
|
|
|
Outros
|
11
|
42,4%
|
| TOTAL |
26 |
100 |
* Grau de satisfação 15/26 57,6%
Sem preparo (19)
| |
n
|
%
|
|
Amenorréia
|
05
|
26,3%
|
|
|
|
|
|
Hipomenorréia
|
09
|
47,4%
|
|
|
|
|
|
Outros
|
05
|
26,3%
|
| TOTAL |
19 |
100 |
* Grau de satisfação 14/19 73,7%
Tabela 2 - Anestesias utilizadas
| |
n
|
%
|
|
Anestesia Peridural
|
43
|
76,7%
|
|
|
|
|
|
Anestesia Raquidiana
|
10
|
17,8%
|
|
|
|
|
|
Anestesia Geral
|
03
|
5,5%
|
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 3 - Sintomatologia das pacientes submetidas a ablação
| |
n
|
%
|
|
Dor Pélvica + SUA
|
28
|
50
|
|
|
|
|
|
Sangramento Uterino Anormal (SUA)
|
26
|
46,4
|
|
|
|
|
|
Assintomática
|
2
|
3,6
|
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 4 - Indicações da Video Histeroscopia Diagnóstica
| |
n
|
%
|
|
Sangramento uterino anormal com ecografia normal
|
27
|
48,2
|
|
Achados ecográficos sugerindo hiperplasia endométrio, associado
a SUA
|
20
|
35,7
|
|
Achados ecográficos de hipertrofia uterina
|
04
|
7,1
|
|
Achados ecográficos suspeito de pólipo
|
03
|
5,3
|
|
Sangramento após menopausa
|
02
|
3,7
|
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 5 - Diagnóstico histeroscópico das pacientes submetidas a ablação
| |
n |
% |
| Hiperplasia simples |
13 |
23,2 |
| Endométrio proliferativo |
13 |
23,2 |
| Hiperplasia polipoide |
08 |
14,3 |
| Endométrio secretor |
08 |
14,3 |
| Pólipo isolado |
07 |
12,5 |
| Endométrio Hipotrófico |
02 |
4,5 |
| Mioma |
02 |
4,5 |
| Endométrio atípico |
01 |
1,7 |
| Endométrio Disfuncional |
01 |
1,7 |
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 6 - Patologias associadas
| |
# %
|
* %
|
|
Adenomiose
18
|
51,4 |
32,0 |
| |
|
|
| Pólipo
12 |
34,2 |
21,0 |
| |
|
|
| Mioma
05 |
14,2 |
8, 9 |
Tabela 7 - Estudo histológico do material ressecado
| |
n
|
%
|
| Endométrio proliferativo
|
16 |
28,5 |
| Hiperplasia simples |
31 |
55,3 |
| Endométrio disfuncional |
02 |
3,5 |
| Endométrio Secretor |
04 |
7,1 |
| Atrófico |
03 |
5,3 |
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 8 - Complicações observadas
| |
n
|
%
|
| Laceração de colo |
01 |
1,7% |
| Sangramento |
01 |
1,7% |
| Overload |
01 |
1,7% |
| Sem complicações |
53 |
94,6% |
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 9 - Padrão menstrual após ablação
| |
n
|
%
|
| Não modificou |
03 |
6,3 |
| Amenorréia |
15 |
26,7 |
| Diminuiu (muito) |
29 |
51,7 |
| Diminuiu (médio) |
03 |
6,3 |
| Diminuiu (pouco) |
03 |
6,3 |
| Perda de Seguimento |
03 |
6,3 |
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 10 - Em relação ao quadro álgico
| |
n
|
%
|
| Ausência de dor antes e depois
|
25 |
44,6 |
| Ausência de dismenorréia após
ablação |
12 |
21,4 |
| Dismenorréia anterior com sensível
melhora |
10 |
17,8 |
| Dismenorréia anterior com moderada
melhora |
04 |
7,1 |
| Persistência da dismenorréia
|
02 |
3,5 |
| Perda de seguimento |
03 |
6,0 |
| TOTAL |
56 |
100 |
Tabela 11 - Índice de Satisfação da Paciente
| |
n
|
%
|
| Ótimo |
42
|
75,2 |
| Bom |
10 |
17,8 |
| Regular |
01 |
1,7 |
| Perda de Seguimento |
03 |
5,3 |
| TOTAL |
56 |
100 |
9 - DISCUSSÃO
A ressecção endometrial vem sendo utilizada em substituição as histerectomias,
principalmente nos casos de sangramento uterino anormal .O SUA é com
frequência recorrente, a despeito da utilização de vários medicamentos
e até mesmo após procedimento mais invasivo como a curetagem uterina.
A ablação histeroscópica do endométrio apresenta diversas vantagens.
É um procedimento rápido, com tempo de internação e recuperação curtos,
além de menos dispendioso que uma histerectomia.
Existem situações em que cirurgias de grande porte são contra indicadas,
principalmente quando estas são realizadas sob anestesia geral; neste
particular lembramos que a ressecção endometrial pode ser realizada
sob anestesia espinhal e até mesmo sob bloqueio para cervical e sedação.
No nosso estudo utilizamos a anestesia geral em 5,3 % (3/56) e a anestesia
espinhal foi utilizada em cinquenta e tres pacientes, totalizando 94,5
%, sendo 10 raquidianas e quarenta e tres do tipo peri dural. A vantagem
da anestesia peridural ou raquidiana é a de manter a paciente consciente,
durante todo o procedimento, nos alertando para os principais sinais
e sintomas no caso de sobrecarga hídrica. Observamos a preferencia pela
anestesia espinhal na maioria dos trabalhos revisados, no entanto nos
chamou a atenção publicação efetuada por Cravelo e colaboradores ( 1996),
onde os autores utilizaram 97.2% das vezes a anestesia geral. Esta série
por eles relatada é estudo com 102 pacientes, porém na sua totalidade
é efetuado em mulheres na pós menopausa.
Outra questão importante é o índice de patologias associadas. A adenomiose,
tem sido relatada em 46% das paciente submetidas a ablação. Vários autores
correlacionam a taxa de insucesso ao aparecimento desta patologia, principalmente
quando o método é apenas coagulação com roller e não ressecção com alça
Ramey e colaboradores (1994) .
Maher and Hill ( 1991), referem incidência de 36% de adenomiose,destas
75% apresentavam dismenorréia e 29%, continuaram com quadro álgico após
o tratamento. No nosso trabalho, encontramos 32% de adenomiose ,destas
50% apresentavam dismenorréia,sendo que apenas uma continuou com quadro
álgico (11,1%).
Kurtz e colaboradores ( 1992), referem oito casos de pólipos e seis
casos de miomas sub mucosos. No nosso estudo encontramos onze casos
de pólipos, cinco casos de mioma e dezoito de adenomiose, o que traduz
a incidência respectiva de 19,6, 32% e 8,9%, respectivamente.
Em relação ao preparo do endométrio, observamos que alguns autores
não o efetuam, sendo a ablação efetuada uma semana após a menstruação.
Pyper e Haeri (1991).
Alford e Hopkims ( 1996), referem taxa de amenorréia semelhante não
utilizando preparo ou utilizando análogos a saber, 23% e 26,7% respectivamente.Os
mesmos autores registram resultados decepcionantes na utilização de
tamoxifen e progesterona de depósito no preparo endometrial. Em publicacão
recente (J. AM. assoc. gynecology,1998), os autores referem que o preparo
endometrial traz beneficios para a realização da cirurgia, porém não
oferece vantagem nos resultados relacionados ao padrão menstrual em
comparação as pacientes que não realizaram qualquer preparo. Fato este
que também concordamos, ao avaliarmos os nossos resultados. O grau de
satisfação das pacientes que utilizaram preparo foi de 57,6 % e naa
pacientes sem preparo foi 73,7%. Encontramos valores semelhantes quando
relacionamos o percentual de pacientes que ficaram amenorreica com o
uso de ladogal e sem preparo endometrial . O índice de amenorréia foi
de 26.3% nas pacientes sem preparo, contra 23% nas pacientes com preparo.
Alguns autores utilizam nafareline e tamoxifen e outros ainda preparam
o endométrio com noretindrone, efetuando a cirurgia quatro a seis semanas
após.
Montagna e Zacchè (1995) colocam como indicação
principal para a ablação, o sangramento persistente e refere a presença
de mioma uterino, contra indicação para este método terapêutico. No
nosso entender , apresença de mioma do tipo sub mucoso, não deve inicialmente
representar contra indicação a ablação, visto que é possível a miomectomia
via histeroscópica, com oportuna ablação., desde que a paciente já tenha
definida a sua prole.,ou não tenha mais interesse em procriar. Maher
e Hill (1991) relatam que a presença de mioma implica no aumento do
tempo cirurgico. Acrescentam estes mesmos autores que estas pacientes
possuem maior risco de infecção. Observaram êles que o índice de satisfação
em pacientes portadoras de mioma foi de 90 %. No nosso estudo verificamos
que das cinco portadoras de mioma , em quatro casos houve diminuição
importante da menstruação e um caso de amenorréia, com melhora total
do padrão menstrual. Destas, o índice de satisfação por elas relatado
foi de 80%. A paciente que evoluiu para amenorréia considerou bom o
resultado e não ótimo. Em relação ao ítem complicação, observamos 5,3%
no nosso estudo, índice ainda dentro dos parâmetros relatados na literatura
consultada. (Goldenberg e colaboradores, 1996).
Estes autores apresentaram um percentual de complicações
de 12,6 %, dentre elas observaram tres perfurações uterinas, dois casos
de overload, uma lesão intestinal e um caso de fístula vésico vaginal.
Overload, infecção e hemorragia são as complicações mais frequentemente
observadas. Em relação a síndrole de intravazamento também conhecida
como overload, há referência que estaria relacionada com a profundidade
de ressecção.
Desta forma, com cinco a sete milímetros de profundidade
de ressecção o intravazamento é imediato, porém limitado ao leito vascular
.Acima de sete milímetros, teríamos um maior fluxo atingindo principalmente
as veias hipogástricas. (Montagna e colaboradores, 1995).
Na dependência do local a ser ablado, há preferência
do roller em relação a alça de ressecção, neste caso, a superfície de
contacto é maior, ocorrendo maior penetração. Este método é ideal para
ablar área próximas ao corno uterino.
O caso de intravazamento e o caso de laceração
do colo , ocorreram no inicio do procedimento . Posteriormente tivemos
um caso de sangramento que foi resolvido com colocação de sonda de Foley,
e retirada vinte e quatro horas após. Não obtivemos nenhum caso de infecção
nesta série estudada. A literatura mostra índices variáveis de infecção,
porém é baixo na maioria das vezes. A maioria dos autores utiliza antibioticoterapia
profilática ( cefalosporina uma grama/ 6/6 horas, três doses.) Amin
e cols relatam caso raro de piometra, tres dias após ablação. Sugere
êle que o material resultante da ablação endometrial seja totalmente
retirado. Acrescenta que estes fragmentos possibilitam o aparecimento
de infecção.Eles não utilizaram neste caso, antibioticoterapia profilática.
Cravello e cols ( 1996), reportam um caso de perfuração
uterina, ocorrido em paciente portadora de mioma uterino.
Maher e cols, 1990 reportam onze casos de complicações
em 100 pacientes observadas(11%) Wortman e Daggett (1994) relatam nove
casos de complicações em trinta e cinco pacientes submetidas a ablação
(25,7%). Dentre estas complicações, relata um caso de colite pseudomembranosa
secundária a Clostridium dificille, o qual apresentou resolução com
o uso de metronidazol.
Pitrof e cols,1991, relatam caso de perfuração
uterina com comprometimento intestinal. Referem os autores que provavelmente
ocorreu estimulação do nervo obturador durante o procedimento. Esta
estímulação elétrica provavelmente foi consequente a propagação via
tuba; acrescenta que embora raro, o ginecologista deve estar atento
a uma adução brusca dos membros inferiores.
Alford e Hopkins (1996), relatam que a maior taxa
de complicações ocorreu nos dez primeiros procedimentos efetuados. Ressaltamos
que o nosso serviço é uma unidade de ensino, e apesar dos procedimentos
serem efetuados sob supervisão, há maior risco de complicação. Não podemos
esquecer que existe a curva de aprendizado, que é bem mais marcante
numa instituição de ensino. Montagna e Zacche (1995) chamam a atenção
para a possível redução da cavidade uterina após a ablação, porém refere
que em todos os casos foi possivel a utilização da cureta de Novak para
possível biópsia. No nosso follow up de 120 dias, observamos cavidade
uterina adequada para o exame histeroscópico. Em relação a gravidez,
é acontecimento raro após ablação e é considerada uma complicação tardia,
ou melhor não desejável. Na maioria dos casos ocorre abortamento espontâneo
ou interrupção voluntária.
No trabalho relatado por Mongelli e Evans, 1991,
há referência de prenhez ectópica após ablação, onde o autor sugere
que todas as pacientes submetidas a ablação que não estivessem esterilizadas
e nem os parceiros vasectomizados ,fossem submetidas a laqueadura oportuna
no momento da ablação. No nosso trabalho não ocorreu nenhum caso de
gravidez após ablação.
A taxa de sucesso com este procedimento é amplamente
divulgada na literatura. Magos e colaboradores ( 1989) relatam taxa
de sucesso de 80% após observação de oito meses. De Cherney e cols observaram
94% de sucesso em sua série de estudo. Relacionamos alguns resultados
correlacionando com os nossos.( quadro 2).
No nosso trabalho, avaliamos , o percentual de
satisfação observado pelas pacientes, bem como o padrão menstrual, melhora
do quadro álgico, dois e quatro meses após o procedimento. 75,2% das
pacientes consideraram ótimo o resultado em relação ao padrão menstrual.
51,7%, observaram diminuição importante do fluxo e 26,7 % relataram
amenorréia após o procedimento.A maioria dos trabalhos analisados traduzem
a satisfação das pacientes apenas com a verificação do padrão menstrual
após a ablação. No nosso estudo, além do padrão menstrual, avaliamos
também o comportamento em relação ao quadro álgico após ablação. Observamos
que das vinte e oito pacientes que apresentavam quadro álgico importante
, obtivemos follow up de vinte e seis. Destas , duas persistiram com
dor, a despeito do tratamento e quatro não apresentaram melhora importante
6/28, o que corresponde a 21,4% de resultado ruim. No entanto dez pacientes
apresentaram melhora acentuada e doze não apresntaram mais relato de
dor após a ablação, o que corresponde a 78,5 % de resultado satisfatório.
Achamos extremamente interessante o fato de algumas
pacientes assinalarem BOM índice de satisfação e não ÓTIMO , quando
na verdade, evoluiram com ausência de dor e amenorréia. Interrogamos
se a maioria das pacientes não entende como excelente, a diminuição
considerável do fluxo, porém não a sua ausência.
É ainda discutido o que seria o resultado ideal
para a paciente. A maioria considera resultado positivo os casos de
amenorréia, oligomenorréia e até mesmo eumenorréia, desde que se tenha
evitado uma intervenção cirúrgica posterior. Alford e Hopkins (1996),
definem como grau de satisfação uma redução de 50% ou mais do fluxo
menstrual obtido após o procedimento.
Apesar de considerarmos fato isolado, existe a
possibilidade do aparecimento de doença endometrial, após ablação. Neste
caso , a neoplasia seria oriunda de glândulas atípicas, situadas em
ilhas profundas de endométrio ectópico. Por esta razão, a vigilância
para carcinoma não deve ser desconsiderada. A vantagem da utilização
do método de ressecção por alça em relação a ablação por laser ou por
roller é que no primeiro, há fornecimento de material adequado ao estudo
histológico. (Janicek e cols,1994 ).
10 - CONCLUSÕES
1- A nossa casuística, embora ainda pequena,
evidencia resultados preliminares bons e comparáveis a outros da literatura.
2- A ablação endometrial através da ressecção
por alça associada a coagulação , desponta como tratamento eficaz
e alternativo nos casos de sangramento uterino anormal de causa benigna
incluindo os casos de adenomiose, com vantagens indiscutíveis.
11 - BIBLIOGRAFIA
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the endometrium with the ball-end resectoscope(rollerball). Obstet
Gynecol, 1989; 74: 425-9.
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WORTMAN, M, MD; DAGGET, A. RN: Hysteroscopic
endomyometrial resection: a new technique for the treatment
of menorrhagia, Obstetrics and Gynecology, 1983; 295:298.
| Autores |
Nº Pacientes |
Amenorréia (%) |
Hipomenorréia(%) |
| Magos e cols |
234 |
27- 42 |
92 |
| Pyper e Haeri |
80 |
7,5 |
60 |
| “Oxford” |
500 |
23 |
49 |
| “Reading” |
585 |
45 |
28 |
| Barbosa e Cols. |
60 |
35 |
53,3 |
| Viscomi e Cols. |
21 |
06 |
66,6 |
| Maher e Hill |
100 |
21 |
95 |
| Shaxte |
91 |
59 |
9 |
| Holt |
42 |
97 |
3 |
| Silveira (CEVESP) |
56 |
26,7 |
51,7 |

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