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ENDOMETRIOSE

Dr. Cláudio P. Crispi

O que é ENDOMETRIOSE?
Por que hoje tanto se fala nesta doença, é uma nova doença?
Como podemos sabe se estamos doentes?
O que ela causa?
Eu posso morrer por causa desta doença?


Vamos falar primeiramente do que é a ENDOMETRIOSE.
Na cavidade uterina (no interior do útero), existe um tecido chamado endométrio, é uma mucosa que desenvolve mensalmente, através de estímulos dos hormônios femininos, com o objetivo de abrigar uma gravidez caso ela ocorra, se naquele mês não ocorre gravidez, este tecido se solta (desgarra) em forma de menstruação, para sua renovação mensal.

A ENDOMETRIOSE é uma doença que se caracteriza pelo achado deste tecido em outra localização que não seja o interior da cavidade uterina. Ele pode ser encontrado nas trompas, no ovário, na bexiga, nos intestinos, no fundo da vagina, na musculatura uterina, e pode ser encontrada ainda e locais distantes da pelve, como pulmões, cérebro e etc.

Por volta de 1920 um médico chamado Sampson descreveu pela primeira vez uma teoria que tentava explicar como este tecido poderia ser encontrada fora da cavidade uterina. Ele descreveu a teoria do refluxo menstrual através das trompas no período menstrual, o que explicaria o seu achado nos locais mais pertos do útero, mas não explicava o de outras localizações. Outros estudos estabeleceram então outras formas de propagação deste tecido através da corrente sanguínea, ou sua evolução de tecidos embrionários que estariam adormecidos até o início da fase menstrual das mulheres.

Uma vez que este tecido saia da cavidade uterina e consiga se fixar, ele passa a receber os estímulos dos hormônios femininos e a se desenvolver sofrendo pequena menstruações mensais nestes locais, o que acarreta uma reação inflamatória local de grande intensidade, com aderências de vários outros órgãos neste local. Evoluindo desta forma sem tratamento adequado, podemos imaginar o agravamento deste quadro, deformando toda anatomia local, acarretando dores intensa, como cólica menstrual, dor na relação sexual, dor pélvica crônica mal definida, e pela deformação e ração inflamatória pélvica a esterilidade passa a ser um achado freqüente. Dependendo ainda do comprometimento de órgão específicos pode acarretar sintomas urinários como cistite de repetição, presença de sangue na urina, ou quando compromete o intestino pode acarretar dor na evacuação, presença de sangue nas fezes, etc.

Como podemos observar a endometriose não é uma doença que leve a paciente à morte mas sim a um estado de sofrimento intenso crônico, que compromete a sua qualidade de vida, pessoal, conjugal, e social.
Devido a esses sintomas cíclicos mensais, às vezes de grande intensidade, a paciente é forçada a não cumprir com suas tarefas profissionais, afastando a mulher de seu trabalho por longos períodos no ano, trazendo grande prejuízo não só econômico mas também de credibilidade em sua capacidade laborativa, o que na realidade atual, quando a mulher se insere no padrão de competitividade no mercado de trabalho, pode ser altamente prejudicial ao seu desempenho. Tanto é que em alguns paises esta doença já é considerada doença de saúde pública.

Mas porque até o momento pouco se falava em endometriose?
Um das grandes dificuldades desta doença é realmente o seu diagnóstico.
A medicina evolui rapidamente, os métodos diagnósticos tiveram avanço considerável, a ultrassonografia, a tomografia computadoriza, a ressonância magnética,e vários marcadores sanguíneos surgiram, mas nenhum destes métodos consegue dar o diagnóstico de certeza desta doença, portanto podemos concluir que muitas mulheres ficam na verdade sem diagnóstico, peregrinando de consultórios em consultórios sem conseguir obter um diagnóstico.
Foi há pouco mais de 10 anos com o desenvolvimento da vídeo laparoscopia, que podemos conhecer muito mais sobre esta importante patologia. Com a vídeo laparoscopia obtivemos a capacidade de olhar a cavidade abdominal com um mínimo trauma cirúrgico, usando ópticas e microcâmeras que permitiam também visão com grande aumento das imagens. A partir de então os estudos da endometriose tomaram grande velocidade, o entendimento do seu desenvolvimento e mecanismos causadores dos sintomas tornou-se possível, além do desenvolvimento da possibilidade de tratamento cirúrgico quando podemos remover ou destruir grande quantidade de doença, e complementar este tratamento com medicamentos específicos.

A partir da vídeo laparoscopia e da sua larga utilização podemos observar que a incidência desta doença era muito maior do supomos até o momento. Muito ainda temos que caminhar no seu estudo, só não podemos continuar negando a sua existência e gravidade. Precisamos diagnosticá-la cada vez mais precocemente, antes que suas conseqüências sejam permanentes para fertilidade e qualidade de vida da mulher.

- Conclusão
A endometriose é uma patologia comum em nosso meio, que acomete com maior frequência mulheres jovens entre 13 e 54 anos e tem sido diagnosticada com maior incidência, não que seja uma doença nova e sim melhor explorada pela vídeo-laparoscopia que é o único método que permite diagnóstico de certeza de endometriose.

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