|
CÂNCER
DO ENDOMÉTRIO
INTRODUÇÃO
No Brasil,
a incidência de patologias malignas que acometem o aparelho
reprodutor feminino é considerável. Destas,
o câncer do endométrio vem progressivamente crescendo
sua importância por vários motivos, além
de registrar de forma progressiva o aumento de sua incidência,
é responsável por uma elevada mortalidade.
Em todo o mundo, especialmente nos países desenvolvidos, à
medida que aumentam as expectativas de vida da mulher e paralelamente
outros tumores ginecológicos têm seu curso natural alterado
por medidas de prevenção e rastreio, o carcinoma do endométrio
cresce de importância e relevância.
INCIDÊNCIA
Calcula-se
que sua incidência seja de cerca de 3% de todos os
cânceres da mulher, vindo atrás de pele, mama,
colo do útero, estômago e cólon. Sua
incidência varia de acordo com as regiões,
sendo a média de 30 a 40 por 100.000 mulheres, segundo
Rodrigues Lima(1999). De todos os tumores malignos da genitália,
11% comprometem o corpo do útero(Torloni e Brumini
1978). Das neoplasias malignas do útero, 90% são
representados pelo adenocarcinoma de endométrio,
sendo por isso chamado freqüentemente de câncer
do corpo uterino.
Ele representa ainda cerca de 15% dos sangramentos da pós-menopausa,
relaciona-se com freqüência ao achado de hiperplasia,
que nas biópsias e curetagens nesta mesma época
da vida são encontradiças em cerca de 3,7%
segundo dados do HC da USP entre 81 e 89.
Finalmente, nos países desenvolvidos é a 2ª
neoplasia maligna em maior importância, vindo logo
atrás da mama.
TIPOS
O carcinoma do endométrio pode ser encontrado em
duas formas clinicopatológicas: o carcinoma relacionado
ao estrogênio, habitualmente associado com hiperplasia
endometrial e que ocorre em mulheres mais jovens; e em uma
outra forma, com tipo histopatológico mais agressivo,
não se relaciona com o estrogênio e ocorre
em mulheres mais idosas. O primeiro, é bem diferenciado,
rico em receptores de estrogênios e progesterona,
não costuma evoluir rapidamente para invasão
em profundidade ou para metástases ganglionares,
tendo por tudo isso melhor prognóstico. Já
o segundo, é em geral indiferenciado, pobre em receptores
hormonais e por isso sem associação com as
hiperplasias, invadindo rapidamente o miométrio e
os vasos linfáticos. Pó tudo isso apresenta
pior prognóstico.
TIPOS
HISTOLÓGICOS
Adenocarcinoma Endometrióide:
O adenocarcinoma é o tipo histológico mais
freqüente. Sua prevalência é tão
grande que na prática, quando tratamos do câncer
do endométrio, na verdade estamos falando do adenocarcinoma.
Estes adenocarcinomas mostram diferenciação
para glândulas do tipo endometriais ou para estruturas
do tipo viloglandulares. São também chamados
de carcinomas endometrióides. Incluem as variantes
viloglandular, também chamadas de papilíferas
e as com diferenciação escamosa - adenoacantoma
- que constituem os tipos histológicos mais freqüentes.
São graduados em Grau 1, Grau 2 e Grau 3, respectivamente
bem diferenciado, moderadamente ou indiferenciado. O reconhecimento
dos graus de diferenciação são importantes,
porque alguns, como o papilífero seroso e o de
células claras já são naturalmente
mais agressivos que o endometrióide clássico.
A diferenciação escamosa é relativamente
comum nos adenocarcinomas e o significado prognóstico
tem sido muito debatido na literatura. O mais aceito é
que a diferenciação escamosa é melhor
avaliada pelo grau do componente glandular não
sendo necessário classifica-lo como um tipo histológico
especial.
Adenocarcinoma Mucinoso
No carcinoma endometrióide não são
incomuns as células com conteúdo mucinoso,
ou seja, mucina intracitoplasmática. Entretanto,
quando mais de 40% a 50% das células neoplásicas
produzem mucina, denomina-se carcinoma mucinoso. São
bem diferenciados e o diagnóstico é feito
pelas alterações arquiteturais e citológicas.
Adenocarcinoma de células claras
Este tipo é histologicamente idêntico aos
adenocarcinomas de células claras da cérvice,
da vagina e ovário. É neoplasia agressiva,
de prognóstico ruim e semelhante ao carcinoma papilífero,
com somente 44,2% de sobrevida em 5 anos.É incomum
e corresponde à cerca de 5% dos carcinomas do endométrio.
Adenocarcinoma seroso papilífero
Neoplasia agressiva que freqüentemente se dissemina
e infiltra vasos no momento do diagnóstico. Histologicamente
se caracteriza por arquitetura papilar e importantes alterações
nucleares.
Adenocarcinoma epidermoide ou escamoso
Quando existe um componente escamoso maligno no adenocarcinoma
ele é chamado de adenoescamoso e tem mau prognóstico.
Também é um tumor incomum.
Adenocarcinoma de tipos mistos
São neoplasias que contêm mais de 10% de
um outro tipo celular.
Adenocarcinoma indiferenciado
São neoplasias raras, com crescimento sólido,
faltando diferenciação glandular, mucinosa,
papilífera, viloglandular, células claras
ou escamosa.
FORMAS
MACROSCÓPICAS DE APRESENTAÇÃO
Macroscopicamente podem apresentar-se
sob duas formas: a difusa, a mais comum ou a forma localizada
ou circunscrita. A histeroscopia poderá avaliar
de forma cabal se a afecção afeta < da
½ da cavidade, > da ½ ou toda a cavidade.
Igualmente, é importante avaliarmos a extensão
e progressão do tumor para o colo uterino, o que
vai mudar diametralmente o tratamento e o prognóstico.
LESÕES PRECURSORAS
Hiperplasia endometrial
O termo hiperplasia implica proliferação,
no caso endometrial, com alterações glandulares,
arquiteturais e citológicas que variam desde a
um endométrio proliferativo desorganizado até
proliferações complexas que lembram o adenocarcinoma
bem diferenciado. Quanto mais atípica for a hiperplasia
mais intenso é o risco de ela vir a desenvolver
um adenocarcinoma. Por isso é importante o patologista
desenvolver e distinguir padrões hiperplasicos
que são de alto risco para a paciente, daqueles
outros que são de baixo risco. Para tanto, deve-se
especificar o grau de atipia.
Recentemente a Sociedade Internacional de Patologistas
Ginecológicos, classificou as hiperplasias da seguinte
forma, aproveitando a classificação de Silverberg
1988:
Hiperplasia sem atipia
Simples
Complexa
Hiperplasia com atipia
Simples
Complexa
A hiperplasia endometrial é a expressão
morfológica da estimulação estrogênica
prolongada, endógena ou exógena, não
contrabalançada pela progesterona. Os estudos têm
demonstrado que a hiperplasia atípica é
realmente a de grande e maior risco para evoluir para
o câncer. Enquanto as hiperplasias sem atipias apresentavam
um risco de evolução para o carcinoma de
1% na simples e de 3% nas complexas, Norris et al., 1983
e Kurmann et al., 1985, encontraram 8% de evolução
nas simples com atipias e de 29% nas complexas com atipias.
Pode-se concluir que somente as hiperplasias atípicas
realmente preocupam o clínico. É necessário
assim um bom entendimento entre o clínico e o patologista
para que um bom e seguro planejamento terapêutico
possa ser efetuado para sua paciente.
ETIOPATOGENIA
Aceita-se hoje, ser a hiperplasia atípica a lesão
precursora do câncer endometrial. A lesão
cancerosa surge 10 anos após a hiperplasia (Rodrigues
Lima et al., 1979). Admite-se ter a progesterona efeito
opositor dos estrogênios e esse efeito proliferativo
sobre o endométrio. Na pós-menopausa os
ovários produzem androgênios que através
de aromatases na gordura periférica, são
transformados em estrona(E1). Quanto maior a quantidade
de gordura, maior a atividade de aromatização
dos androgênios, regulada por mecanismos ainda desconhecidos.
A androstenediona e a testosterona são os principais
precursores, sendo a androstenediona a mais importante
dos dois, pois ela se encontra em apreciáveis quantidades
no plasma das pós-menopausadas, provenientes da
supra-renal e do estroma ovariano. No tecido adiposo,
a androstenediona é aromatizada em estrona(E1),
enquanto a testosterona o é em estradiol(E2), existindo
enzimas específicas para cada reação.
Depois de sulfatados no fígado, são ligados
a uma fração protéica (SHBG) de forma
que apenas uma pequena fração livre é
biologicamente ativa. Assim, quanto maior a SHBG, menor
a fração ativa livre. Por mecanismo ainda
obscuro, quanto maior a quantidade de gordura menor a
quantidade de SHBG, ou seja, maior a fração
ativa livre. No endométrio a E1 é facilmente
transformada em E2 e este induz a formação
de RE(receptores estrogênicos). Dessa forma explica-se
porque passados muitos anos da menopausa, as pacientes
podem apresentar hiperplasia e câncer endometrial.
Da mesma forma fica fácil entender porque as obesas
são mais predispostas.
As diabéticas são obesas e têm menopausa
tardia e o Hormônio Somatotrópico está
aumentado. Este por ação lipolítica
interfere no metabolismo dos ácidos graxos e deturpam
o aproveitamento periférico da glicose.
Pacientes com hepatopatias teriam hiperestrogenismo porque
o fígado seria carente de 16-hidroxilases, conseqüentemente
maior estrona (E1) livre.
A hipertensão arterial poderia provir de uma disfunção
supra-renal, condicionada por teores elevados de LH.
A anovulação crônica não teria
a proteção opositora da progesterona
Tudo leva a crer pois, que a ação estrogênica
contínua seja a principal razão para o nascimento
do câncer do endométrio. A hipótese
de a estrona ser o estrogênio responsável
ainda não foi completamente demonstrada.
Alem disso, na fase de hiperplasia simples e sem atipias,
observa-se:
- altos índices de incorporação da
timidina
- fase S( síntese) curta
- tempo curto de duplicação celular
- Síntese elevada de organelas citoplasmáticas
- altos índices de RE e RP
Ou seja, existe ação moderada dos estrogênios
sobre o tecido endometrial. Já nas atipias, simples
ou complexas, essa ação torna-se mais intensa
e acentuada:
- aumenta a fase S (síntese)
- diminuem os RP (fator de proteção)
- as células tornam-se refratárias aos estrogênios
- iniciam as proliferações celulares autônomas.
Ou seja, o tecido já não mais obedece aos
comandos e as ordens de controle do organismo e começa
sua trajetória de crescimento independente e desordenado
encontradiço nas neoplasias malignas.
EPIDEMIOLOGIA
Aceita-se, de forma clara e inconteste, que o aumento
da prevalência do câncer de endométrio
nos paises desenvolvidos dê-se devido aos seguintes
aspectos:
- aumento da população feminina e maior
expectativa de vida da mulher
- maior incidência de obesidade
- diminuição da paridade( diminuição
da ação protetora - gestagênica -
da gravidez).
- aumento do uso de estrogênios na pré e
pós-menopausa
FATORES
DE RISCO
A maioria dos fatores de risco listados abaixo
estão direta ou indiretamente ligados a ação desordenada
e sem a oposição da progesterona. Assim sendo:
- idade - entre 50 e 70 anos - há um aumento em todas as neoplasias
acima dos 50 anos
- alto nível sócio-econômico - ligados a uma maior
expectativa de vida da mulher
- obesidade - relação direta com os estrogênios
- hiperestrogenismo - sem oposição da progesterona
- anovulação crônica - idem
- hipertensão e diabetes- discutíveis - diabetes associado
à obesidade e a hipertensão a uma disfunção
da supra-renal
- pólipos - risco inerente de malignização de toda
neoplasia, especialmente na sua base e na relação direta
com a presença de atipias.
- associação com outros tumores - especialmente os produtores
de esteroides, como os do ovário e supra-renal.
- uso de drogas - tamoxifeno - o tamoxifeno, utilizado como terapia adjuvante
no câncer de mama, tem sido relacionado com elevada incidência
de espessamento endometrial, pólipos, hiperplasias com ou sem atipias
e aumento na incidência de câncer do endométrio.
MANIFESTAÇÕES
CLINICAS
A mais importante manifestação
do câncer de endométrio é o sangramento uterino anormal,
especialmente o sangramento pós-menopausico. Este sintoma poderá
ocorrer também na perimenopausa, quando muitas vezes passa desapercebido
e confundido com as hemorragias disfuncionais tão comuns nesta
fase da vida da mulher. Além do SUA, podemos ter associado ao câncer
de endométrio os seguintes achados:
- hematométrio -acúmulo de tecido necrótico e sangue
retidos na cavidade endometrial devido a sinéquias de canal cervical,
especialmente ao nível do OI do colo.
- piométrio - infecção secundaria do conteúdo
sanguíneo retido( hematométrio)
- volume uterino aumentado - na pós-menopausa, qualquer aumento
de volume uterino deve ser imediatamente investigado, pensando-se tanto
na sarcoma do miométrio quanto no carcinoma endometrial.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de certeza é
sempre feito pela histopatologia. Por mais evidente que estejam as manifestações
clínicas, somente a histopatologia nos dará a autorização
para tratarmos como câncer uma neoplasia. Assim sendo, qualquer
método que nos permita acesso à cavidade e a retirada de
fragmentos do tecido tumoral poderá ser utilizado. Mais modernamente,
a histeroscopia, por ser método de feitura ambulatorial e de baixa
morbidade tem se diferenciado dos demais, especialmente da dilatação
e curetagem, classicamente utilizada. Esta, além de exigir internação
e anestesia geral, portanto de alto custo, e ser geralmente em mulheres
idosas, é um método às cegas, ou seja, sem visão
direta, podendo gerar falsos negativos, especialmente nos tumores menores
e circunscritos. Hoje em dia, nada se compara à segurança
e praticidade da histeroscopia no estudo e avaliação da
cavidade uterina e no estudo do endométrio.
Assim sendo, podemos utilizar:
- biópsia do endométrio com cureta de Novak
- dilatação e curetagem sob anestesia geral e ambiente hospitalar
- histeroscopia diagnóstica com biópsia dirigida com pinça
endoscópica ou orientada com a cureta de Novak (a mais utilizada
devido à segurança e grande volume de tecido endometrial
enviado ao patologista que pode assim realizar reações para
um diagnóstico de certeza e precisão, inclusive histoquímicas,
marcadores tumorais e receptores hormonais).
RASTREIO
Como na vertente do pensamento moderno, é
necessário que os médicos se utilizem de métodos
que possam não somente diagnosticar e tratar os tumores endometriais,
mas também que possam rastreá-los na população
geral e finalmente busquem preveni-los como já acontece com outros
tumores da esfera genital. Para tanto, nosso arsenal propedêutico
tem desenvolvido e tornado viável inúmeras formas. Dentre
elas, indubitavelmente, destacam-se a ultra-sonografia transvaginal e
a histeroscopia. Mas outros métodos, especialmente para aquelas
populações que ainda não dispõem dos acima
citados, devem ser lembrados como o teste de progesterona e a citologia
endometrial.
Teste da progesterona: está indicado em toda mulher menopausada,
principalmente naquelas que pertençam ao grupo de risco clínico
epidemiológico e que não façam uso de TRH. Para efetua-lo
basta ministrar progesterona, preferentemente acetato de medroxiprogesterona,
AMP, 10mg por dia durante 10dias(Webba, 1986). Se o endométrio
estiver proliferado previamente sob ação estrogênica,
ocorrerá o sangramento por deprivação hormonal. Assinala-se,
entretanto, que os testes falso-positivo, ou seja, endométrio atrofico
e teste positivo ocorrem em cerca de 65% dos casos e o falso-negativo
em 6%(Rodrigues Lima et al., 1999).
Citologia endometrial: a citologia endocavitária é importante
e inúmeras técnicas foram tentadas e descritas na literatura,
com resultados satisfatórios na maioria das vezes. Entretanto,
situações de dificuldade práticas como estenoses
cervicais freqüentes da mulher menopausada sem acurácia muito
superior a 70%, por tratar-se de método cego, têm feito que
a citologia endometrial não seja praticada freqüentemente
nem pelo médico assistente nem facilmente aceita pela população
feminina.
Ultra-sonografia transvaginal: além de dar informações
sobre forma, volume e ecotextura do útero e anexos, também
avalia a espessura e ecotextura endometrial. Assim, deve ser o primeiro
exame a ser solicitado nas pacientes com sangramento pós-menopausa
bem como deve ser rotineiramente efetuado com objetivos de rastreio na
população geral assintomática. O endométrio
na pós-menopausa fica representado por uma tênue linha branca
e homogênea cuja espessura não deve ultrapassar 5mm. A partir
dessa medida, vem diminuindo a acurácia do método e ele
deixa de ser seguro em afastar patologia endometrial. Quando o eco endometrial
for de até 3mm não há necessidade de estudo histopatológico.
Portanto, o ponto de corte tem-se situado na literatura entre 4mm e 5mm.
É importante ressaltar que quando o eco for de 5mm ou mais pelo
ultra-som não significa que haja patologia endometrial, mas sim
que o estudo ecográfico não é capaz de afastar sua
presença, ou seja, não é capaz de afirmar se ela
existe ou não. Assim sendo, o grande valor de rastreio do ultra-som
hoje, é que ele, é capaz de afiançar com grande segurança
e sem invasão, que não há patologia endometrial maligna
quando o endométrio mede até 3mm ao ultra-som transvaginal.
Por outro lado, a partir de 5mm, o estudo da cavidade endometrial por
esse exame, como método de rastreio, passa progressivamente a tornar-se
menos seguro sendo então necessário o estudo morfológico
do endométrio pela histeroscopia.
Histeroscopia com ótica fina - O advento de óticas progressivamente
mais finas, tem permitido que o estudo histeroscópico do endométrio
fique a cada momento mais fácil, menos doloroso e mais exeqüível
no nosso dia a dia. Há muito a histeroscopia com biopsia dirigida
ou orientada passou a ser o mais fiel e seguro método para o estudo
e avaliação do endométrio e da cavidade uterina,
especialmente na pós-menopausa.
CLASSIFICAÇÃO
HISTEROSCÓPICA DO CANCER ENDOMETRIAL DE ACORDO COM A EXTENSÃO
DA DOENÇA
Muitos métodos têm sido tentados
com o sentido de estadiar histeroscopicamente os tumores endometriais.
Em nosso meio tem sido defendida e utilizada por Viscome a seguinte classificação:
Tipo Alfa - quando < de 1/3 da cavidade está comprometida
Tipo Beta - quando < 2/3 da cavidade estão comprometidos
Tipo Gama - quando >2/3 da cavidade estão comprometidos
Este tipo de classificação permite estudo e análise
comparativos de casos e prognósticos evolutivos da doença.
ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS
SUSPEITOS E QUE MERECEM ESTUDO HISTEROSCÓPICO
Vários têm
sido os achados ecográficos descritos na literatura que cristalizam
a necessidade de estudo histeroscópico da cavidade endometrial.
São eles:
- Eco endometrial espessado = ou >5mm
- Presença de líquidos intracavitários
- Imagem sugestiva de pólipos
- Focos hiperecogênicos
- Qualquer anormalidade da cavidade endometrial
ESTADIAMENTO CLÍNICO
O estadiamento clínico do carcinoma
de endométrio mis utilizado por todo o mundo é o preconizado
pela FIGO. Devido à necessidade de maior detalhamento e ulterior
análise comparativa, o estadiamento clinico passou a ser estadiamento
cirúrgico, no qual vários dados são observados
durante o ato operatório.
Estadiamento Cirúrgico FIGO
Ia G1,G2,G3 - tumor limitado ao endométrio
Ib G1,G2,G3 - tumor invade até a metade do miométrio
Ic G1,G2,G3 - Invasão além da metade do miométrio
IIaG1,G2,G3 - Envolvimento glandular do endocérvice
ÍIbG1,G2,G3 - Envolvimento do estroma cervical
IIIaG1,G2,G3 - Invasão tumoral da serosa, dos anexos ou citologia
peritoneal positiva
IIIbG1,G2,G3 - Metástases vaginais
IIIcG1,G2,G3 - Metástases para linfonodos pélvicos ou
paraórticos
IVaG1,G2,G3 - Invasão tumoral das mucosas da bexiga e ou do reto
IVbG1,G2,G3 - Metástases à distância incluindo tecido
intra-abdominal ou linfonodos inguinais
TRATAMENTO
O tratamento do carcinoma
de endométrio pode ser efetuado, de acordo o estadiamento,
utilizando-nos de vários abordagens: cirurgia, radioterapia,
quimioterapia, hormonioterapia e eventualmente a imunoterapia. Pode
ser resumido no quadro que se segue:
Estádio 0 - HTA
Estádio I - HTA + anexectomia bilateral + manguito vaginal
Estádio II - Cirurgia de Wertheim-Meigs ou HTA + anexectomia
bilateral + biópsia seletiva dos linfonodos aumentados de volume
e/ou linfadenectomia dos linfonodos paraórticos e das ilíacas
comuns
Estádio III - Radioterapia exclusiva e/ou cirurgia + radioterapia
Estádio IV - Radioterapia + quimioterapia
CONCLUSÃO
O carcinoma do endométrio é
uma neoplasia grave, que deve ser tratada por profissional experiente,
já que uma abordagem inadequada pode ser fatal para a paciente.
Hoje dispomos de um grande arsenal tanto propedêutico quanto
terapêutico, tanto para rastreio e diagnóstico precoce
quanto para tratamento com um máximo de segurança e
um mínimo de morbidade para a mulher. Esperamos que já
em um futuro bem próximo o carcinoma de endométrio esteja
entre as neoplasias ginecológicas que possam ser, não
somente diagnosticadas e tratadas precocemente, mas que possam ser
efetivamente evitadas e prevenidas como as neoplasias da vulva, vagina
e colo do útero.
Não tenhamos duvidas que a histeroscopia tem e terá
um importante e crucial papel em mais essa conquista.
Teresópolis, Março de 2000
Romualdo Gama

VOLTAR
|