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Endométrio
e TRH
Dra. Magda Paradela
SCREENING DO ENDOMÉTRIO
Vários fatores tem contribuído
para que a população mundial tenha
uma expectativa de vida maior. O número de
mulheres com idade superior a 60 anos aumentou quase
que 50% nas últimas décadas, com esse
fato também aumentou o número de patologias
próprias deste período. A necessidade
de proteção destas mulheres tornou-se
evidente, levando ao desenvolvimento de hormônios
cada vez mais seguro para utilização
clínica. Tornou-se imperativo o desenvolvimento
de métodos cada vez mais seguros para a monitorização
do câncer de mama e de endométrio.
A mama é a sede mais freqüente de câncer
na mulher. A incidência tem aumentado durante
as últimas décadas, sendo que as taxas
de mortalidade têm-se mantido constantes.
A mamografia de alta resolução tem
se apresentado como método bastante seguro
no screening do câncer de mama, complementando
seu estudo com a ultrassonografia de alta resolução,
melhorando muito o prognóstico para estas
pacientes.
Para o endométrio,
o screening inicial na rotina de acompanhamento
é a ultrassonografia pélvica transvaginal,
que identifica os endométrios tanto do ponto
de vista morfológico como estrutural, evidenciando
aqueles espessados convencionalmente quando estão
maiores que 5mm nas pacientes em amenorréia
há 1 ano e não são usuárias
de TRH , e até 10mm nas que já fazem
uso de TRH. Uma vez estabelecidos os endométrios
considerados suspeitos devemos iniciar a investigação
para o estudo histopatológicos destas pacientes.
Neste momento um leque de possibilidades se apresenta,
dentre os mais utilizados podemos citar a citologia
endometrial, a biopsia endometrial e a curetagem
uterina semiótica. Porém são
métodos de avaliação feitos
às cegas, com baixa sensibilidade e especificidade,
não permitindo o diagnóstico de lesões
focais, e no caso da curetagem ainda necessita de
internação hospitalar.
A video-histeroscopia é
um método, que permite a visualização
direta da cavidade, levando a grande acuidade diagnóstica
de lesões benignas, malignas e lesões
focais, inclusive as localizadas nos óstios
tubários, quase nunca alcançadas pelos
outros métodos, pois permite a realização
de biópsias dirigidas ou orientadas. Não
necessita de hospitalização e quase
nunca de anestesia, não afastando a paciente
do seu ambiente de trabalho. Portanto este método
oferece segurança às pacientes usuárias
de TRH. A avaliação previa ao início
da TRH, poderá dar-nos dados extremamente
valiosos para o futuro acompanhamento destas pacientes.
ASPECTOS ANÁTOMO-HISTOLÓGICOS
NORMAIS DA CAVIDADE UTERINA E CANAL CERVICAL NA
MULHER MENOPAUSADA
A vídeo-histeroscopia
nos dá uma avaliação precisa
da cavidade uterina e canal cervical e nos permite
fazer uma comparação destas, antes
e durante o uso da TRH.
Na fase da peri-menopausa encontramos
um útero hipotrófico, com canal cervical
apresentando diminuição da quantidade
e volume das criptas, que por sua vez não
exibem papilas funcionantes. A vascularização
é mais fina e a estrutura fibroconjuntiva
de seu arcabouço é identificada através
do epitélio mais delgado e transparente.
A cavidade se apresenta de tamanho normal, as regiões
cornuais espaçadas e escavadas, deixando
observar o relevo das fibras musculares concêntricas
em caracol. A coloração ainda é
rosada, altura endométrial inferior à
3mm, alternando com áreas completamente desnudas
no fundo e paredes laterais.
Histológicamente observamos
presença de glândulas, as quais estão
cobertas por epitélio cilindrico monoestratificado.
Na fase da menopausa, encontramos
um útero atrófico, com canal cervical
apresentando completo desaparecimento da mucosa
endocervical., As estruturas fibrosas estromais,
se apresentam em forma de anéis concêntricos,
há desaparecimento da vascularização,
tornando-se lisa, avascular e com estreitamento
da luz do canal. A cavidade tem um volume reduzido
devido ao estreitamento do seguimento superior que
faz desaparecer o seguimento inferior. Ocorre acentuação
da área fúndica central, que contrasta
com as regiões cornuais mais escavadas em
forma de funil. O aspecto estrutural geral é
de uma cavidade tubular no fundo do tipo útero
bicorno. A coloração é branca
amarelada, opacificada, superfície lisa e
uniforme e não apresentam vasos nem orifícios
glandulares.
Histológicamente, observamos
raras glândulas estreitas , de contornos regulares
e pequeno calibre, revestidas por epitélio
cúbico plano com núcleos pequenos
e citoplasma escasso, sendo o estroma muito denso,
e a vascularização mal desenvolvida.
ESTRÓGENOS E PROGESTÁGENOS UTILIZADOS
EM TRH E SEUS RECEPTORES
Para entendermos como os hormônios
agem no endométrio e necessário conhecer
a localização e afinidade específica
dos receptores de estrogênios. A distribuição
dos receptores de estrogênio e de progesterona
no endométrio é de forma irregular,
variando de região para região, com
cada dia do ciclo e de paciente para paciente, conferindo
assim imagens diferentes à histeroscopia.
Estes estão mais presentes na camada basal
do endométrio, visto que esta é a
responsável pela regeneração
endometrial. A concentração de receptores
no fundo uterino é 10x maior que a encontrada
na região cervical, em um mesmo dia do ciclo.
Os receptores de progesterona
são induzidos pelo nível de estrógenos.
Por isso , na mulher menopausada, embora se observem
níveis elevados de receptores para estrogênio,
dado que a estrogenemia se encontra em níveis
baixos, não se detectam receptores para progesterona.
O efeito progestacional é dependente da ação
sinérgica dos estrógenos endógenos
ou exógenos que induzem à formação
dos receptores de progesterona e produzem proliferação
endometrial.
ESQUEMAS DE TRH
Estrógenos isolados,
cíclicos ou contínuos devem ser utilizados
nas mulheres sem útero, pois naquelas com
útero, há aumento do risco de desenvolver
hiperplasia e carcinoma de endométrio. Prefere-se
e esquema contínuo, pois o cíclico,
em que mais comumente, a paciente recebe o hormônio
por 21 dias consecutivos e depois faz pausa de 7
dias, podendo apresentar recidiva da sintomatologia,
durante o período de pausa. Além disso,
o contínuo mimetiza melhor a produção
gonadal no menacme, que se faz de forma contínua
sem pausas.
Estrógenos contínuos
e progestágenos cíclicos: A paciente
utiliza o estrógeno de forma contínua
associada ao progestágeno de forma cíclica,
por 12 dias ao mês, nos 12 primeiros ou nos
12 últimos . A duração da série
de progestágenos parece ser mais importante
do que a dose diária. Se a duração
for de 7 dias por mês, a incidência
de hiperplasia endometrial fica em torno de 4%,
reduzindo para 2% com 10 dias e para 0% com 12 dias
de uso. A ocorrência de sangramento menstrual-simile
mensal é bastante comum. Cerca de 30% dos
casos de sangramento deixa de ocorrer após
alguns anos da TRH. O uso de estrógeno cíclico
associado ao progestágeno cíclico,
não traz nenhuma vantagem e ainda há
possibilidade de recidiva da sintomatologia no período
de pausa do estrógeno.
Estrógeno e Progestágenos
contínuos, a probabilidade da paciente apresentar
sangramento vai diminuindo com os meses de uso,
sendo que a maioria entra em amenorréia após
6 meses de TRH.
Progestágeno isolado
cíclico é utilizado para mulheres
que apresentam ainda um nível estrogênico
razoável, porém com irregularidade
menstrual, pela deficiência progestacional.
Utiliza-se nestes casos, progestágenos por
10 a 12 dias ao mês. A progestagênioterapia
contínua é utilizada para mulheres
com contra-indicações ou apresentem
efeitos colaterais importantes com o uso dos estrógenos.
O uso contínuo pode aliviar a sintomatologia,
porem pode acarretar depressão, secura vaginal
e piora cardiovascular.
Tibolona : É um derivado
sintético do noretinodrel, com atividade
estrogênica, progestagênica e androgênica.
É empregada na dose de 2,5mg ao dia de forma
contínua e ininterrupta. As pacientes se
mantêm em amenorréia e o padrão
endometrial habitualmente encontrado é o
atrófico.
Raloxifeno ( modulador seletivo
de receptores de estrogênio), imitam algumas
das atividades do estrogênio nos ossos e no
sistema cardiovascular, mas funcionam como antagonistas
aos receptores de estrogênio na mama e no
endométrio. O Raloxifeno é estruralmente
semelhante ao tamoxifen, e há poucos dados
a longo prazo em relação ao uso da
terapia (1).
ACHADOS ENDOMETRIAIS RELACIONADOS AOS TIPOS DE
TRH SOB A OPTICA DA VÍDEO-HISTEROSCOPIA (
VH )
A TRH utiliza um progestágeno
, com finalidade de frear o efeito mitogênico
que os estrógenos têm sobre as glândulas
endometriais. Estudos tem demonstrado um aumento
de risco de câncer de endométrio nas
mulheres menopausadas que utilizam TRH. Embora este
rico seja menor que o observado em pacientes que
utilizam estrógenos puros, ele é ainda
maior que o risco observado nas não usuárias
de TRH (2). Os progestágenos são agentes
eficazes em impedirem a aparecimento de hiperplasia
endometrial. A maior parte das hiperplasias endometrias
não são pré-cancerosas e somente
a hiperplasia complexa atípica é que
tem um risco elevado de progredir até carcinoma.
Quando os estrógenos são utilizados
isoladamente, eles são capazes de induzirem
hiperplasias em 20% das pacientes após um
ano de terapia (3). Entretanto, esta hiperplasia
regride espontaneamente se o tratamento for interrompido
ou se um progestágeno for utilizado. Isto
sugere que os estrógenos são apenas
agentes mitogênicos que produzem no endométrio
um efeito farmacológico que imita uma hiperplasia.
Uma parcela de mulheres menopausadas sem TRH pode
apresentar hiperplasia de endométrio , sem
sangramento genital, ou seja, hiperplasia de endométrio
silenciosa. A transformação da célula
endometrial normal maligna envolve alterações
em oncogenes e genes supressores de tumores, que
não são induzidos pelos estrógenos.
Estes eventos resultam de mutações
gênicas que ocorrem ao azar sempre que uma
célula entra no ciclo de mitose. Os estrógenos
agem no endométrio apenas como agentes indutores
da divisão celular, através de mecanismos
que envolvem a indução e síntese
de fatores de crescimento celular e de seus receptores.
Este efeito dos estrógenos na glândula
endometrial é bloqueado pela progesterona
que, por sua vez, também exerce efeito negativo
sob a síntese do receptor dos estrógenos
no endométrio (4).
Vídeo-histeroscopicamente
a hiperplasia simples em sua fase inicial, apresenta
o endométrio com aspecto proliferativo tardio,
com desaparecimento da vascularização
superficial e pontilhado glandular abundante. O
diagnóstico é dado pela diminuição
do espaço interglandular, pela grande densidade
de glândulas. Com a evolução
o endométrio adquire aspecto hipertrófico,
com superfície lisa, porém com algumas
ondulações, de cor rosado e sem vascularização
superficial. É compacto, edematoso e espesso.
As hiperplasias simples com
maior tempo de evolução adquirem um
aspecto polipóide e mostram endométrio
branco, avascular e muito compacto. Muitas vezes
podemos observar vasos de médio calibre na
base dos pseudopólipos, devendo sempre proceder
à avaliação cuidadosa destes
vasos.
A hiperplasia cística
é em geral facilmente diagnosticada, pois
além da espessura endometrial aumentada,
mostra imagens bem características, formadas
por crateras e cistos de retenção
glandular de tamanhos variáveis. A vascularização
é escassa e se limita a pequenos capilares
superficiais.
As hiperplasias complexas alguns
autores sugerem achados vídeo-histeroscópicos
relacionados como : superfície irregular,
vascularização abundante com trajetos
anômalos, coleções hemáticas,
necrose, entre outros.
A hiperplasia atípica
é semelhante a hiperplasia complexa sem atipias.
Não podemos deixar de ressaltar que o diagnóstico
definitivo de hiperplasia endometrial é dado
pela avaliação histopatológica,
a fim de que a hiperplasia seja classificada e o
tratamento e prognóstico determinados.
A progesterona induz na célula
glandular do endométrio de origem epitelial
, um bloqueio de sua atividade mitótica e
o início da sua transformação
secretória. Esse efeito da progesterona é
mediado através da sua ação
sobre as células do estroma endometrial,que
tem origem mesenquimatosa. Sem a presença
de células estromais, não é
possível a progesterona induzir as modificações
secretórias nas células glândulares
do endométrio. Sobre o estroma endometrial,
a progesterona tem o papel de iniciar a sua transformação
decidual.
Estes efeitos dos esteróides
sobre o estroma e as glândulas endometriais
são importantes para entendermos os efeitos
da TRH sobre o endométrio da mulher menopausada.
Os progestágenos são eficazes em prevenir
o efeito proliferativo excessivo dos estrógenos
sobre a glândula endometrial. Este efeito
depende da presença de receptores de progesterona
funcionante no estroma endometrial. Entretanto,
existem hoje evidências de alterações
a níveis de receptores de estrogênios
e progesterona no endométrio que podem levar
ao aparecimento de patologias, inclusive do carcinoma
de endométrio em pacientes em uso de TRH.
Inicialmente, foram empregados 5 mg de acetato de
noretindrona e 10 mg de acetato de medroxiprogesterona,
adicionados aos esquemas de estrogênio, durante
cinco a sete dias ao mês. Em pouco tempo percebeu-se
que eram insuficientes para reverter a maioria das
hiperplasias e a duração da terapêutica
prolongada para 13 dias durante o mês.
Whitehead mostrou que a duração
do tratamento é mais importante que a dose
de progesterona administrada, no entanto o tipo,
dose e duração ideais não estão
bem estabelecidos.
Handersom encontrou um risco
de 0.9 para câncer de endométrio entre
pacientes usuárias de tratamento combinado,
contra um risco de 1.4 para as que tinham usado
estrogênio exclusivamente.
Voigt observou que o uso de
progestágeno por quatro meses ou mais igual
o risco de câncer de endométrio para
mulheres em uso de estrogênio comparadas com
as não-usuárias, mesmo que o tempo
de progesterona fosse bem menor que o de estrogênio
(10).
Estudos recentes têm
mostrado que pacientes menopausadas em uso de TRH
apresentam uma incidência elevada de pólipos
endometriais como causa de sangramento (5,6).
Estes pólipos geralmente,
são insensíveis aos efeitos dos progestágenos.
Os pólipos preexistentes no endométrio
crescem em resposta aos estrógenos, e este
efeito é bloqueado pela progesterona. Áreas
de hiperplasia são frequentemente detectadas
no interior destes pólipos endometriais enquanto
o resto do endométrio se atrofia. O estroma
do pólipo é citogênico e não
apresenta reação decidual em resposta
aos progestágenos. A hiperplasia presente
nas glândulas endometriais do pólipo
persiste ,apesar da administração
contínua de agentes progestagênicos
(5).
Esta insensibilidade do pólipo
endometrial à progesterona é consequencia
da ausência de receptores para este hormônio
tanto no estroma como na maioria das sus glândulas.
As causas destas alterações nos receptores
para a progesterona que levam a uma hiperplasia
focal não são ainda conhecidas, porém
esta hiperplasia, tal como difusas, podem sofrer
alterações carcinomatosas. Em alguns
casos, a transição entre a hiperplasia
e tecido carcinonatoso no pólipo é
abrupta e envolve mutações no p53
e perda de receptores para estrogênio, principalmente
nos casos de carcinomas não endometrióides
(7).
Estes resultados sugerem que
os pólipos endometriais podem ser locais
de aparecimento de carcinoma nas usuárias
de TRH. Tem sido mostrado que os carcinomas de endométrio
que ocorrem na presença de endométrio
secretor surgem , geralmente, em pólipos
(8).
Um estudo controlado mostrou
que os pólipos endométrias estavam
presentes mais frequentemente em pacientes que,
posteriormente desenvolveram carcinoma de endométrio
do que nos controles(9).
Estes resultados sugerem que
os pólipos endométriais podem ser
lesões precursoras para algumas formas de
carcinoma de endométrio em pacientes menopausadas.
O mecanismo molecular envolvido na patogênese
do pólipo endometrial e sua possível
progressão para carcinoma não estão
completamente conhecidos. No endométrio os
pólipos surgem como área focal de
hiperplasia da camada basal, entretanto, em vez
destas células se diferenciarem e expressarem
receptores para progesterona, elas retêm a
característica das células basais
de serem insensíveis a este hormônio.
Devido aos pólipos não
serem diagnósticados pelas biópsias
de endométrio feitas às cegas, a histeroscopia
é o método mais preciso para o seu
diagnóstico.
Os pólipos fibrocisticos
ou vesiculares são comumente encontrados
em pacientes na pós-menopausa que utilizam,
a longo prazo, mediações com efeito
etrogênio-semelhante como tamoxifen, alfa-metil
dopa, propanolol, benzodiazepínicos. As manifestações
clínicas principais podem ser episódios
de hemorragia e espessamento endometrial ao ultra-som.
Inicialmente aquelas substâncias provocam
múltiplos focos de proliferação
de células estromáticas situadas sob
a camada basal do endométrio atrófico
que aparecem em relevo como pontos esbreanquiçados
dispersos.
Em histeroscopia são
denominadas 'imagens em pingo de vela'. Com a continuidade
do processo estimulador, estes focos de hiperplasia
sub-basal crescem e sofrem liquefação
por degeneração das camadas celulares
mais altas, originando microvesículas que
são vistas como tais durante a histeroscopia.
Quando grupos de microvesículas crescem,
aglomeram-se e sofrem fusão sob a camada
basal, esta é distendida e inflada pelo acúmulo
de líquido, havendo primeiro a formação
de estrutura semelhante a uma bolha baixa e larga
de superfície perolácea e azulada,
como se o endométrio atrófico sofresse
um 'enfisema sub-basal' Havendo crescimento pelo
acúmulo de líquido mucóide,
oriundo da degeneração celular, ocorrerá
a formação do pólipo vesicular
do endométrio atrófico, cuja pseudocápsula
é a camada basal inerte, que pode atingir
grandes dimensões.
Os vasos dessa camada agora
tensa, ramificam-se e aumentam de calibre, sendo
visíveis em toda sua superfície basal
transformada em pseudocápsula. Esse tipo
de membrana semitransparente tem ressistência
fibrótica que permite passagem de luz para
o interior do pólipo possibilitando distinguir
as multiloculações formadas pela aglutinação
de formações menores de conteúdo
liquefeito. É bastante comum encontrarmos,
durante histeroscopias na pós-menopausa avançada,
um endométrio com todas as formas evolutivas
desses pólipos, o que nos faz pensar em defasagem
de resposta a um único estímulo. Esses
pólipos têm características
benignas, mas podem cursar paralelamente com o câncer
do endométrio, pela possibilidade de haver
outro pólipo em transformação
pelo mesmo fator estimulante que originou a formação
dos pólipos.
O carcinona de endométrio
ocorre geralmente em pacientes acima dos 50 anos
e sua manifestação mais frequente
é a hemorragia na pós-menopausa. Mesmo
em pacientes assintomáticas, o diagnóstico
dessa doença pode ser suspeitado pela ultrassonografia
de rotina. A histeroscopia é de fundamenta
importância, pois permite a individualização
da lesão e o reconhecimento de seus limites
precisos, possibilitando a biópsia dirigida
ou orientada.
Vídeo-histeroscopicamente
a carcinoma de endométrio se apresenta na
forma de massas tumorais exofíticas de relevo
polipóide ou até cerebróide
de coloração branco-nacarada com consistência
friável. Os vasos superficiais são
dilatados e possuem trajeto sinuoso característico
diferenciando-se das hiperplasias polipóides
benignas. Pode haver focos hemorrágicos ou
de necrose e quase sempre se faz acompanhar de conteúdo
líquido mucóide ou sanguinolento,
que contém células descamadas em dispersão.
Portanto, se houver dúvidas quanto ao diagnóstico
ou condições impróprias à
realização de biópsia, haverá
facilidade de se obter um esfregaço adequado
ao estudo citopatológico.
Alguns fatores associados aumentam
o risco para a carcinoma de endométrio :
· Obesidade - risco
aumenta em 3x nas paciente com 9 a 22 quilos acima
do peso ideal.
· Ciclos anovulatórios e ovários
policísticos
· Tumores ovarianos da teca - granulosa
· Estrógeno exógeno
O sinal mais comum do carcinoma
de endométrio é a irregularidade menstrual
ou o sangramento pós-menopausa e a média
de idade é de 61 anos.
DISCUSSÃO
Ano 1998
Pacientes entre 45 e 60 anos ( inclusive ) - 211
pacientes não usuárias de TRH
- 79 pacientes usuárias de TRH
Representação Gráfica
Em relação
às indicações vídeo-histeroscópicas,
é evidente que as mesmas variam de acordo
com os grupos avaliados. Contudo o SUA é
de longe a indicação mais frequente
do exame vídeo-histeroscópico, abrangendo
em torno de 37,5% das indicações do
grupo selecionado entre 45 e 60 anos ( de usuárias
e não usuárias de TRH ) em nosso serviço
no ano de 1998.
Quando a indicação
do exame é SUA , a análise da literatura
mostra resultados bastantes díspares entre
os diversos estudos. Esses resultados variam em
função do país, das condições
sócio-econômicas e do grupo étnico
analisado.
As pacientes usuárias de TRH que são
encaminhadas para a VH por causa do SUA ,já
são pacientes triadas, visto que, as que
não sangram não necessitam de VH.
Em relação ao
espessamento endometrial é observado que
este é a 2ª maior indicação
de VH. A questão "espessura endometrial"
é um tanto quanto delicada no que tange à
sua avaliação, ou pela metodologia
utilizada por quem esteja avaliando ou pela própria
dificuldade em se determinar a hipótese diagnóstica
, visto que, há muita dúvida entre
diagnóstico ultrassonográfico de pólipos,
miomas e hipertrofia endometrial. Em nosso serviço
consideramos o endométrio como espessado
em usuárias de TRH com mais de 10mm e nas
em amenorréia há mais de um ano com
5mm. A indicação de pólipos
e miomas , como já foi dito , é muitas
vezes confundida com espessamento endometrial .
Um fato que chamou atenção
, foi que o índice de menor indicação
foi constatado para a avaliação prévia
da cavidade uterina à TRH ( ficando com 4.7%
) e avaliação da cavidade com TRH
( 3.7% ). Isto nos faz concluir que a VH hoje ainda
não é um exame de rotina na prática
ginecológica, talvez pelo desinteresse dos
profissionais da área ou pelo total desconhecimento
da capacidade da acuidade diagnóstica que
tem a VH.
Representação Gráfica
Em relação aos achados vídeo-histeroscópicos,
foi observado uma maior percentagem nas pacientes
usuárias de TRH apresentando endométrio
hipotrófico com padrão progesterônico
em 43%, o que confirma o que foi estudado mostrando
a proteção endometrial fornecida pela
ação progestacional.
Nas não usuárias
de TRH , houve maior percentagem de pacientes com
endométrio atrófico com 27,9%, visto
que o hipoestrogenismo é o principal fator
desencadeante desta atrofia e também devido
a não utilização de estrógenos
exógenos. Este fato explica a grande incidência
de SUA em pacientes com atrofia endometrial, uma
vez que ocorre uma arterioesclerose miometrial,
rotura de cistos endometriais atróficos acompanhados
por sangramento venoso.
Em relação
ao achado de pólipos , estes são mais
frequentemente encontrados nas pacientes na pós-menopausa
segundo a estatística mundial, e em nosso
serviço foi observado que é a 2ª
maior alteração encontrada à
VH. Como já foi citado, temos pólipos
que não respondem à ação
progestacional, então, mesmo nas usuárias
de TRH, há incidência de pólipos
em 18%, e nas não usuárias temos também
uma elevada incidência em torno de 26%, pois
estas podem ser obesas e fazem conversão
periférica ou apresentam algum tumor da teca-granulosa
produtor de estrogênio . As hipertrofias de
endométrio são encontradas com menor
incidência nas usuárias de TRH ( 11,3%
) visto que a ação progestacional
pode incorrer em um endométrio baixo. Nas
não usuárias não há
ação progestacional fornecida pela
TRH , o que mantém a atividade mitótica
da glândula endometrial e a sua transformação
secretória.
Os achados vídeo-histeroscópicos
de menor incidência foram miomas ( 2.5% nas
pacientes com TRH, e 7.5% nas sem TRH ) e endométrio
Iatrogênico ( 5% nas com TRH e 4,7% nas sem
TRH ). Isto denota a adoção de uma
dosagem estrogênico- progesterônica
inadequada ou uso de medicamentos que mimetizam
o efeito estrogênico.
No ano de 1998 foi
diagnosticado e confirmado por histopatológico
apenas um caso de carcinoma de endométrio
em paciente não usuária de TRH.
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