| Exame
video histeroscópico normal
PROF. FILOMENA ASTE SILVEIRA
A normalidade video histeroscópica
engloba três situações, na dependência
do trofismo da paciente a qual estamos examinando. Desta
forma abordaremos os achados videohisteroscópicos
da paciente normotrófica (geralmente no menacme),
a hipotrófica e a atrófica, geralmente
climatéricas.
Para obtermos uma exploração adequada,
um diagnóstico eficiente e correto, devemos
ter em mente, uma sequência metodológica
do exame. Aconselhamos o observador a obedecer rigorosamente
a técnica do exame, já descrita nesta
apostila, pois a desobediência resultará
em iatrogenia ocasionando sangramento ou falso trajeto,
tornando o exame por vezes inexequível pelas
habituais técnicas. Lembramos que o exame
histeroscópico não se completa com
a chegada da ótica na cavidade uterina, é
mister a observação constante no movimento
de saida, concluindo a nossa visão com o
estudo da região istmica e do canal.
Sugerimos que o examinador obedeça
a seguinte ordem diagnóstica.
1- Estudo da mucosa endocervical,
com descrição do muco (quando existir)
2- Estudo da morfologia uterina
3- Estudo das regiões cornuais e dos orificios
tubários
4- Estudo do aspecto macroscópico da mucosa
5- Avaliação do istmo
6- Estudo do canal
Estudo do canal
As altarações tróficas determinam
diferentes observações em relação
ao canal cervical.
No menacme, o canal cervical apresenta-se normotrófico,
as papilas glandulares são em maior numero
e o pregueamento é bem fácil de ser
visualizado. A medida que progredimos com a ótica,
o epitélio torna -se mais compacto e mais
vascularizado até o setor interno. Após
passarmos pelo canal e istmo, encontramos a cavidade
uterina. De cada lado é possível a
observação da regiões cornuais
as quais contém os óstios tubários
direito e esquerdo. Topográficamente observamos
fundo uterino, parede anterior e posterior, rodando
a ótica 360 graus. Em situações
de normalidade, toda a cavidade uterina é
revestida de endoétrio de forma uniforme.
N a fase proliferativa inicial
(quinto ao nono dia), o endométrio é fino
e observamos na superficie pontilhados que ressaltam
numa camada basal discretamente avermelhada. Nesta época
do ciclo, há participação da camada
compacta e esponjosa do processo de regeneração
endometrial, com cobertura desta superficie que foi
descamada no ciclo anterior. Há nesta fase escavação
nas regiões cornuais. Esta é a melhor
fase para a avaliação de lesões
em qualquer localização da cavidade uterina.
No décimo ao decimo quarto
dia do ciclo, o endométrio se apresenta mais
espesso, denominamos de FASE DE PROLIFERAÇÃO
TARDIA. A coloração da superfície
é variável podendo ser rósea ou
discretamente amarelada.. As glandulas podem se apresentar
como pontuilhado branco. As regiões cornuais
mudam o seu aspecto escavado para um ostio tubário
circular , de base mais larga, pouco profundo e mais
superficial. Nesta fase é mais fácil o
diagnóstico das hitertrofias funcionais do endométrio.
No decimo quinto dia ao décimo
nono dia, FASE SECRETÓRIA INICIAL, já
encontramos a manisfestação progestacional
neste endométrio. Este se apresenta algo mais
espessado, de coloração mais avermelhada
e menos uniforme, com ondulações variáveis
.Os orificios glandulares ( pontos brancos) apresentam
-se distribuidos em todo o endometrio, entremeados pela
vascularização fina desta época
do ciclo. Os óstios tubários se apresesentam
mais superficializados. Esta fase é importante
para avaliarmos a ação da pro gesterona
a nivel endometrial, informação útil
no estudo da paciente infértil e na suspeição
de defasagem de maturação.
No vigésimo ao vigésimo
quarto dia do ciclo, FASE SECRETORA TARDIA, o endométrio
é mais espesso, podendo alcançar 8 a 9
mm, isto pode traduzir diminuição da cavidade
uterina. A coloração da mucosa é
mais rubra, pelo predomínio da vascularização.
A superficie émais irregular com alguns desníveis,
em razão do edema estromal.
As regiões cornuais são mais rasas,
mais superficializadas, com uma brilhante película
. Há quem denomine esta situação
de diafragma pré tubário.
Após o vigésimo quinto
dia, FASE PRÉ MENSTRUAL, O endométrio
assume a coloração pálida ou cinza.
A consistência é friável e a espessura
diminúi, por conta da reabsorção
do edema estromal.
Na fase climatérica, em
função do hipoestrogenismo o canal cervical
enccontr a-se hipotrófico. O bservamos nesta
época a diminuição das criptas
em volume e quantidade, Não há mais as
papilas antes visualizadas. Observamos a estrutura fibrosa
e conjuntiva, peculiar desta fase. A cavidade hipotrófica
é de forma normal, no entanto encontramos na
região fúndica fibras musculares que por
vezes continuam até´ as proximidades dos
óstios tubários
Com a permanência do estado
de hipoestrogenismo as alterações tróficas
tornam - se mais marcantes, e observamos a nivel de
canal cervical, o desaparecimento do epitélio
e da vascularização, com visualização
direta de toda a estrutura conjuntiva e fibrótica.
A cavidade uterina se apresenta de forma reduzida, em
contraste com as regiões cornuais mais escavadas.
Esta situação é parecida com a
que encontramos no estudo video histeroscópico
do útero bicorno.
Em relação ao muco, observamos, que:
O muco cervical na primeira fase
é básico, translúcido, abundante
e com o máximo de filância e cristalização.
A celularidade é baixa e a viscosidade é
mínima. A medida que o ciclo se torna progestacional
o muco perde progressivamente estas propriedades, tornando
- se espesso , opaco e por vezes ocorrem partículas
brancas que se aderem a ótica dificultando a
visão.
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