PÓLIPOS
CERVICAIS E ENDOMETRIAIS À VÍDEO-HISTEROSCOPIA
Dra.
Eneida M. Velozo
RESUMO
Esta monografia vem
ressaltar a importância e confiabilidade da vídeo-histeroscopia
na avaliação diagnóstica e
terapêutica de pólipos endometriais nas pacientes com queixas
de sangramento uterino anormal, aonde os outros métodos diagnósticos
apresentam nenhum ou pouco achados de tal patologia.
A vídeo-histeroscopia
tem como grande virtude a visualização direta de toda a cavidade
uterina com imagens ampliadas. É um método de fácil realização
à nível ambulatorial e permite ao médico uma maior exatidão
no diagnóstico das alterações existentes na cavidade uterina
ao identificar a forma, a localização, a base de implantação
dos pólipos e a observação da existência ou não de patologias
associadas, como hiperplasia, carcinomas ou miomas.
Em uma segunda etapa,
é abordada a classificação dos pólipos segundo a vídeo-histeroscopia,
para melhor entendimento dos profissionais da área médica.
INTRODUÇÃO
As necessidades de adequação dos médicos às solicitações
impostas pelo mundo moderno às mudanças filosóficas e comportamentais,
refletem diretamente no posicionamento
destes profissionais perante suas pacientes, por exigir respostas
diagnósticas e terapêuticas, cada vez mais rápidas, na mesma
velocidade que o mundo exige
a sua participação na sociedade moderna.
Este trabalho se propõe a demonstrar que a vídeo-histeroscopia,
método diagnóstico e terapêutico é a maneira mais específica
e sensível de diagnosticar os pólipos endometriais, encurtando
a distância do momento de diagnosticá-los e o início do tratamento.
O final poderá ser menos traumático, sem a necessidade de
períodos longos de hospitalização e recuperação pós-operatória,
devolvendo mais rapidamente a paciente ao seu convívio social.
Numa segunda etapa, é feita uma revisão da classificação
dos pólipos, seus aspectos histológicos e vídeo-histeroscópicos.
É traçada uma avaliação comparativa entre a ultra-sonografia
e a vídeo-histeroscopia no seu diagnóstico.
Histórico:
No século XIX (1806), Phippe Bozzini realizou
a primeira endoscopia utilizando um tubo oco e luz de vela,
situado a alguns centímetros à frente de um espelho côncavo.
Apesar das limitações do método, ele conseguiu visualizar
a vagina, a uretra e o reto. Em 1865, Desormaux utilizou um
tubo rígido de 12mm de diâmetro para diagnosticar patologias
vesicais e uretrais.
Diomede Pantalioni, médico italiano, em 1869
realizou a primeira histeroscopia, identificando pólipo endometrial
numa paciente de 63 anos com sangramento uterino pós-menopausa,
utilizando o endoscópio de Desormaux e dilatação prévia cervical.
Publicou no jornal The Medical Press em Londres, um trabalho
denominado “O Diagnóstico da Polipose Endometrial”.
Maximilien Nitze em 1879 idealizou um citoscópio
com lentes que ampliavam o campo visual, possuindo uma fonte
luminosa incandescente em sua extremidade distal. A bexiga
foi distendida com água, o que melhorava a visualização da
cavidade. Surgia o endoscópio de Nitze. e iniciava a era da
endoscopia moderna.
David
em 1907 adaptou para a histeroscopia os princípios do citoscópio
de Nitze. À extremidade distal do tubo adaptou um cristal
com o propósito de evitar o refluxo sangüíneo para o interior
do endoscópio e permitir o seu contato com a mucosa. Para
melhorar a iluminação da cavidade, utilizou uma lâmpada incandescente.
David é considerado o precursor da histeroscopia moderna pelo
seu interesse em estudar as patologias uterinas e melhorar
as técnicas para esse fim.
No
ano de 1914, foi utilizado por Heineberg um sistema de irrigação
contínua com água, o que dissipava o calor gerado pela fonte
luminosa e impedia o depósito de sangue nas lentes.
Em
1925, Rubin distendeu a cavidade uterina com CO2
o que melhorou muito a qualidade das imagens, mas, como não
havia controle da pressão intra-uterina, houve muitos acidentes,
alguns até fatais e esse método foi abandonado.
Seymour
já em 1926 idealizou um aspirador com a finalidade de remover
sangue e detritos da cavidade. Mikuluz-Radecki, Gauss e Freund
relataram os primeiros resultados obtidos com o
emprego de histeroscópio dotado de sistema de irrigação
da cavidade uterina.
Norment
em 1950 adaptou um condutor de fibra de vidro para iluminação,
que tornou-se “standard” na prática da histeroscopia e, adaptou-lhe
um balão de borracha transparente à extremidade do histeroscópio
que dilatava a cavidade uterina. Este balão era inflado com
água pura ou ar atmosférico, com o objetivo de impedir a passagem
de ar ou líquido para a corrente sangüínea ou para a cavidade
peritonal através das tubas. O método foi abandonado porque
as imagens além de não serem nítidas, eram deformadas pela
pressão do balão sobre o endométrio.
Em
1952, Vulmiere, Forestier e Gladu utilizaram como fonte de
iluminação a luz fria.
Em
1954, Mohri realizou a salpingoscopia e embrioscopia com o
fibroscópio.
Em
1957, Palmer reduziu o calibre do endoscópio para 5mm para
que não houvesse necessidade de prévia dilatação cervical.
Em
1968, Menken usou como meio distensor líquidos de alta densidade
ou de alto peso molecular, mais adequados por não serem miscíveis
com o sangue.
Em
1970, em Hamburgo, o professor Lindermann construiu um aparelho
insuflador de gás carbônico para ser usado em histeroscopia,
que possuia controles mecânicos automáticos, a fim de limitar
a velocidade de insuflação daquele gás e nivelar a pressão
intra-cavitária em níveis de segurança, prevendo acidentes
e efeitos colaterais.
Em
Paris no ano de 1980, foi desenvolvido o microscolpo-histeroscópico
por Jacques Hamou, que além do exame histeroscópico, permitia
exame citológico dos epitélios do endométrio, canal cervical
e colo, com até 150 aumentos em técnica de contato.
No Brasil, a primeira histeroscopia foi realizada
em 1979 no Hospital das Pioneiras Sociais, em Vila Isabel,
Rio de Janeiro, sob a orientação do professor Ibérico Nogueira,
Professor Catedrático de Ginecologia da Universidade de Coimbra
em Portugal, que naquela época residia no Brasil.
Empregou-se como meio distensor o Dextran 70, líquido
de alto peso molecular. Era feito exame direto através da
ocular. As imagens não eram nítidas, não tinham boa iluminação
e causavam desconforto postural em exames demorados. Assim,
a histeroscopia foi sendo deixada de lado, quando em 1980
o método ressurgiu em Paris e Hamburgo, com endoscópios que
possuíam óticas de calibre reduzido, já com insufladores digitais
e câmeras de T.V.,
sensíveis à novas fontes de iluminação. Ressurgiu, então,
o interesse pela histeroscopia em serviços localizados no
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Natal. No Rio
de Janeiro destacou-se o serviço de ginecologia da Universidade
Federal com divulgação do método através de cursos e congressos,
tendo como diretor o Prof. Alípio Augusto Camilo.
CAPÍTULO I:
OS PÓLIPOS E SUAS CARACTERÍSTICAS
1.1 - Definição
O
termo pólipo destina-se a denominar tumores que se fixam na
cavidade uterina e no colo do útero por uma haste ou pedículo.
Os
pólipos endometriais são proliferações glandulares focais
organizadas da camada basal, havendo crescimento excessivo
do tecido epitelial, estroma e vasos sanguíneos em quantidades
variáveis.
1.2
- Classificação quanto a localização
Os
pólipos uterinos quanto a sua localização, dividem-se
em cervicais e endometriais, enquanto que os pólipos do colo do útero em ectocervicais e endocervicais. É
considerada como a neoplasia benigna mais comum do colo uterino.
Os pólipos ectocervicais são mais freqüentes em mulheres durante
a menopausa ou climatério e os endometriais em mulheres multíparas
na faixa etária compreendida entre 40 e 50.
1.2.1
- Pólipos cervicais
Os
pólipos cervicais verdadeiros são originados da endocérvice,
provenientes do epitélio mucíparo do canal cervical, podendo
ser encontrados na forma séssil ou na forma pedunculada. São
originados pela proliferação focal, que por sua vez é reativa
a um estímulo inflamatório ou
à situações de hiperestrogenismo
Quando
os pólipos cervicais são originados de processo inflamatório,
estes apresentam superfície verrucosa, com grande vascularização,
coloração avermelhada intensa e sangram ao menor traumatismo
e quando oriundos
de estímulo hormonal têm aspecto papilar, de coloração mais
amarelada, geralmente pediculados com vasos que acompanham
o trajeto do seu pedículo.
No
terço mais profundo do canal cervical, é possível observar-se
pólipos fibrosos de aspecto mais firme, por desenvolvimento
de tecido conjuntivo, de superfície lisa, pouco móveis e com
pedículo mais curto e de coloração esbranquiçada. São um tipo
mais raro. Os pólipos sésseis apresentam vascularização perpendicular
à base de implantação, mais comuns em multíparas, com maior
incidência entre 40-50 anos. Os pólipos cervicais podem causar
pequeno corrimento mucóide, sinusorragia ou sangramento intermenstrual.
Coeman
et al relatam que
em pacientes com pólipo endocervical existe maior incidência
de pólipo endometrial, principalmente nas menopausadas.
O diagnóstico diferencial é feito com mioma parido,
pólipo endometrial, hiperplasia glandular endocervical e até
neoplasia maligna.
Histologicamente,
os pólipos cervicais possuem um estroma frouxo no qual há
glândulas hipertróficas ou císticas, são revestidos por epitélio
cilíndrico, que lembra o da endocérvice. A inflamação crônica
e a ulceração desses pólipos podem produzir metaplasia epidermóide
ou alterações epiteliais inflamatórias consideráveis. Quando
esses pólipos se localizam na junção do epitélio cilíndrico
com o pavimentoso, podem estar revestidos por epitélio pavimentoso
estratificado.
1.2.2
- Pólipos endometriais
São
as causas mais frequentes de sangramento uterino anormal.
Os pólipos endometriais são de maior interesse para a histeroscopia,
já que estas lesões são dificilmente diagnosticadas por exames
como a curetagem ou pela ultra-sonografia, sendo que esta
última pode, genericamente, indicar pólipos como espessamento focal ou difuso,
uma vez que a cavidade uterina é analisada virtualmente e
esses tumores sofrem achatamento devido à compressão exercida
pelas paredes uterinas. Na curetagem, os pólipos podem não
ser alcançados ou quando são volumosos, a cureta passar por
eles, sem percebê-los.
Os
pólipos endometriais podem ser únicos ou múltiplos, de volume
variável. Geralmente são pequenos medindo de 0,5 a 3cm de
diâmetro, mas podem ser volumosos e de forma também variada.
A sua base de implantação pode ser séssil ou pedunculada.
Os pólipos são múltiplos em 25% dos casos estudados e uma
porcentagem superior a 40% estão associados à miomas uterinos,
podendo ocorrer em qualquer idade, porém, com mais frequência,
na perimenopausa (40 a 50 anos). São raros antes da menarca
e pouco comuns após os 60 anos. Estão comumente associados
às hipertrofias do endométrio e raramente mostram foco de
malignidade (0,5).
Nagele
et al encontraram 42,7% de pólipos endometriais
em pacientes com sangramento uterino anormal, sob uso
de terapia hormonal, e 33,3% em mulheres com queixas de sangramento
na pós-menopausa. O estudo e avaliação de alguns dados parecem
indicar que
o número de gravidezes favoreceriam o aparecimento deste tipo
de tumor, já que ocorrem em maior frequência em multíparas
com paridade igual ou superior a quatro.
1.3
- Potencialidade
maligna
A
ocorrência de carcinomas em pólipos benignos é de aproximadamente
0,5%. Em úteros com diagnóstico de CA foram encontrados pólipos
numa percentagem de 12% a 34% dos casos.
Estudos feitos por Patterson revelaram que pacientes
com pólipo endometrial, têm um risco duas vezes maior a terem
câncer de endométrio. Estudos realizados em peças cirúrgicas
de pacientes histerectomizadas, mostraram uma incidência de
15% de câncer associado a presença de pólipos. Patterson enfatiza
que pólipos endometriais em mulheres menopausadas apresentam
pouco ou nenhum potencial maligno.
1.4 - Achados citogenéticos
Estudos
citogenétiicos sugerem anormalidades cromossomiais que podem
influenciar no desenvolvimento de pólipo endometrial, pela
ocorrência de uma inversão do cromossomo 6 nas bandas p21
e q22. A identificação desses pontos específicos
pode ajudar muito na análise molecular dos pólipos endometriais.
1.5
- Clínica
Os
sintomas mais comuns são a perda sanguínea uterina anormal,
destacando-se em ordem de ocorrência, a metrorragia e o sangramento
pós-menstrual. Às vezes são assintomáticos, podendo causar
infertilidade em algumas pacientes.
Pela
atividade contrátil do útero, o pólipo pode sofrer expulsão
da cavidade, estirando, sobremaneira, seu pedículo o que acarreta
perturbações na sua vascularização, provocando dor em
cólica no hipogastrio, que se torna mais acentuada
no período menstrual, ou dismenorréia, devido a atividade
uterina exacerbada, sendo a manifestação clínica mais freqüente
dos pólipos sésseis. Dependendo da necrose ou infecção do
pólipo, há o surgimento de uma secreção uterina de aspecto
seroso, sanguinolento ou purulento.
Os
pólipos cervicais podem cursar com sinusorragia, sangramentos
inter-menstruais, corrimento mucóide e metrorragias. Às vezes
podem ser assintomáticos, sendo um achado ao exame especular.
Os pólipos endocervicais só são diagnosticados pela vídeo-histeroscopia,
já que a localização é mais profunda.
1.6
- Classificação
histológica
Sob o ponto de vista
histológico, os pólipos dividem-se em dois grupos:
Alguns
estão constituídos de endométrio funcional e acompanham o
ciclo do endométrio que o circunda; e
outros,
mais comuns, são de padrão hiperplásico, principalmente de
variedade cística, embora às vezes, se possa encontrar um
padrão adenomatoso. Tais pólipos podem associar-se à hiperplasia
endometrial generalizada, respondendo ao efeito produzido
pelos estrógenos, mas sem apresentarem resposta à ação dos
progestágenos.
Descrevem-se a existência
de 6 (seis) tipos morfológicos de pólipos, como os a seguir
analisados:
Pólipos
Hiperplásicos - São os mais comuns, variando de tamanho. Apresentam
superfície irregular e proliferação epitelial com pseudoestratificação
e atividade mitótica. As glândulas têm aspecto semelhante
ao da hiperplasia sem atipia simples ou complexa, com eosinofilia
e células ciliadas.Pólipos Atróficos ou Inativos - Apresentam
epitélio glandular baixo, sem atividade mitótica. As glândulas
são dilatadas e de contorno circular, estroma denso e fibrótico;
Pólipos Funcionais - Sensíveis aos hormônios. Ocorrem na pré-menopausa
e são de difícil diagnóstico. São glândulas com distribuição
irregular, aparência polipóide e estroma denso com vasos de
paredes grossas. Quando são secretores, as glândulas são pouco
desenvolvidas;Pólipos Endometriais - Endocervicais (mistos)
- Localizados na porção proximal da endocérvice, no seguimento
uterino inferior. Possuem desenvolvimento glandular e estroma
semelhante ao da endocérvice.; Pólipos Adenomiomatosos - Apresentam
no seu estroma fibras musculares lisas, próximas a vasos de
paredes grossas. O estroma reveste as glândulas;Adenomioma
Polipóide Atípico - É um tipo de pólipo incomum. Suas glândulas
se alinham em epitélio atípico, circundadas por células musculares
lisas. Ocorrem na pré ou perimenopausa, em mulheres na faixa
etária dos 40 anos. Apesar de apresentarem atipias nucleares,
perda da polaridade e eosinofilia citoplasmática, não evidenciam
comportamento agressivo.
CAPÍTULO II: CLASSIFICAÇÃO DOS PÓLIPOS
SEGUNDO A VÍDEO-HISTEROSCOPIA
2.1 Histeroscopia Afonso Loyola (p. 68) ao abordar a histeroscopia,
classifica os pólipos em funcionais, glandulares, fibrosos
ou fibrocísticos.Os primeiros surgem da hipertrofia focal
da camada funcional do endométrio. A sua base de implantação
apresenta-se mais na forma séssil, podendo confundir-se com
mioma submucoso. Quando o pedículo desses pólipos apresenta
uma vascularização própria e um tecido conjuntivo, diagnostica-se
como tendo evoluído para um pólipo
adenomatoso. Quando se tratam de pólipos volumosos,
preenchendo toda a cavidade uterina, estes dão à histeroscopia
a impressão de se estar diante de uma hipertrofia da mucosa
ou de dificuldade de distensão da cavidade.Diante desta evidência,
a histeroscopia examina todo o pólipo e a superfície de contato
com o endométrio, com a finalidade de verificar qualquer alteração
oculta pelo mesmo, seguindo até a inserção do pedículo. Os
pólipos fibrocísticos ou vesiculares são encontrados em pacientes
na pós-menopausa, que estejam sob< o uso de estrogênio a longo
prazo ou de medicamentos com efeito similar, tais como benzodiazepínicos,
metil-dopa, tamoxifen e propanolol. Estas substâncias estimulariam
vários focos de proliferação de células estromáticas, localizadas
abaixo da membrana-basal do endométrio atrófico, que em relevo,
aparecem como pontos esbranquiçados, os quais à luz da histeroscopia
são chamados de “imagem em pingo de vela” (Loyola, pp. 72-73).
Como o processo estimulador permanece, estes focos crescem
e as células da camada basal mais alta se degeneram sofrendo
liquefação e dando origem à microvesículas. Estas vesículas
aumentam de tamanho, se juntam e coalescem formando uma estrutura
semelhante à bolha baixa e larga, de coloração azulada ou
perolada. Com o acúmulo de substâncias mucóide, ocorre a formação
do pólipo vesicular do endométrio atrófico, cuja pseudo-cápsula
é a membrana basal. Os vasos dessa camada se ramificam e aumentam
de calibre. Estes
pólipos possuem característica benigna, mas podem cursar com
CA de endométrio, pela possibilidade de haver outro tipo de
transformação provocada pelo mesmo fator estimulante que motivou
o surgimento do pólipo. É possível que uma única paciente
apresente as diferentes fases de evolução sofridas pelas células
estromais.
Os pólipos fibrosos aparecem em mulheres de idade avançada,
em endométrio atrófico. São formas regressivas dos pólipos adenomatosos.
São de superfície lisa, de aspecto firme, de coloração esbranquiçada,
podendo apresentar um vaso de médio calibre que percorre o pólipo
longitudinalmente desde o pedículo. Estes pólipos se localizam,
preferentemente, na face posterior do fundo uterino, cornos
e face lateral do istmo.Os pólipos com diâmetro superior a 2cm
interferem na capacidade reprodutiva, principalmente os localizados
nos cornos e face uterina do orifício interno que ocluem a entrada
da cavidade. Para facilitar o entendimento,
pode-se dividir os pólipos endometriais naqueles que aparecem
durante a menacme e os que surgem durante a menopausa. Os primeiros
são mais raros e aparecem como resposta a efeitos hormonais
na camada basal, apresentando hiperplasia focal, que com a permanência
do estímulo motivaria o surgimento de um pólipo de base larga,
que evoluiria até apresentar alterações metaplásicas, por compressão.
São os pólipos conhecidos como glandulares e fibrosos.
Os tumores sujeitos a surgirem durante o período de menopausa,
são pouco frequentes após os sessenta anos de idade. A sua origem
está nas células estromáticas localizadas abaixo da camada basal
do endométrio atrófico. Segundo os autores Petterson
e Novak (1956), os pólipos funcionais aparecem em 36% dos casos
e ocorrem durante a menacme. Os fibrosos ou não funcionais são
mais comuns que os anteriores, em média de 50% entre 35 e 50
anos de idade, sendo as causas mais frequentes de hemorragias.
A seguir apresenta-se um quadro demonstrativo dos aspectos
diferenciais entre pólipos funcionais e fibrosos, ao exame
histeroscópico.
| Características |
Tipos de Pólipos |
|
| . |
Funcional |
Fibroso |
| Coloração |
A mesma da mucosa |
Amarelo- avermelhado |
| Consistência |
Amolecido |
Mais
dura |
| Pedículo |
Longo
ou séssil |
Bem
definido, estreito |
| Forma |
Irregular |
Regular,
redondo ou oval |
| Vascularização
superficial |
Visível,
irregular |
Raramente
visível |
| Volume |
Em
geral são pequenos |
Variável
por ser volumoso |
Em 1985, Dallenback dizia que os pólipos não seriam autênticas
neoformações do tecido e que os mecanismos produtores do
pólipo dividem-se em:
1- Hiperplasia circunscrita da mucosa em conseqüência a
estímulos hormonais locais;
2 - Hiperplasia basal circunscrita que ao crescer aparecem,
gradualmente, no endométrio, primeiro sésseis e posteriormente
pedunculadas, ao expulsar o endométrio basal circundante com
a menstruação.
Segundo estudos feitos em 1997 no Departamento de Ginecologia
do Hospital Presidente Getúlio Vargas, Hospital Universitário
de Porto Alegre, sobre pólipos cervicais como fator de risco
para diagnóstico de pólipo endometrial, em 590 casos de histeroscopia
diagnóstica positiva para pólipo endometrial, em grupo de controle,
comparados em idade, paridade, pólipo cervical, menopausa, tabagismo
e uso prolongado de pílula anticoncepcional, a maior prevalência
de pólipos endometriais (40%) foi achada entre mulheres com
pólipo cervical, comparadas com aquelas não portadoras deste
tipo de tumor.
O aumento do risco para pólipo endometrial foi associado à idade,
ao pólipo cervical e à menopausa. Após análises multivariadas,
somente os fatores idade e pólipo cervical foram variáveis independentes
para associação com aumento de risco para pólipo endometrial.
Embora o estudo não permita demonstrar uma relação de causa
e efeito entre pólipo endometrial e cervical, esta associação
ajuda na hipótese de uma etiopatogenia comum para as duas tumorações.
Histologicamente, ambos os tumores começam com hipertrofia,
contendo epitélio, glândulas e estroma fibroso. De qualquer
modo, estudos citogenéticos recentes têm descrito diferentes
cariótipos para pólipo endometrial com a mesma clínica e aparência
morfológica, sugerindo um denominador comum deste e de outros
tumores mensenquimais remanescente, para ser determinado o nível
molecular.
No Departamento de G.O., em 1966, na Escola de Medicina da
Universidade de Narra, na cidade de Pamplona - Espanha foi
feito um estudo comparativo entre ultra-sonografia transvaginal
e histeroscopia em 28 pacientes com quadro de sangramento
uterino anormal, na pós-menopausa. Estas pacientes foram retrospectivamente estudadas para avaliar a
exatidão dos métodos citados e diagnosticar patologias endometriais.
Todas as mulheres encaminhadas realizaram a ultra-sonografia
transvaginal, considerando-se como normal um espessamento
do endométrio com valores menores ou igual a 5mm. A utilização
deste método levou ao seguinte diagnóstico: 14 mulheres (50%)
tiveram achados normais e anormalidades endometriais foram
encontradas nas 14 pacientes restantes (50%). Foi então realizada
a histeroscopia em 24 pacientes das 28 selecionadas, isto
é (85,7%). Em 17 delas (70,2%) não se registrou nenhuma anormalidade,
em outras 5 (25%) houve suspeita de um caso de pólipo endometrial
e em um único caso (4,8%) foi diagnosticada hiperplasia. Vale
ressaltar que todas as mulheres foram submetidas à biópsia
endometrial ou à curetagem para estudo histopatológico. Nessa
experiência tanto a ultra-sonografia quanto a histeroscopia
intravaginal foram altamente sensíveis, mas a histeroscopia
foi a mais específica.
2.2 Pólipo
e terapêutica de reposição hormonal
Nos dias atuais, o número de pacientes que são submetidas
à reposição hormonal é consideravelmente grande. Em conseqüência,
a presença de pólipos endometriais parece aumentar o risco
de desordens menstruais ou de sangramento anormal. Contudo,
existem muitas controvérsias.
2.3 Tamoxifen e pólipo endometrial
O tamoxifen é um antagonista estrogênico, não esteróide, usado
principalmente como coadjuvante na terapia de CA de mama. Ele
age, primariamente, como um antiestrogênico, mas também carrega
efeitos estrogênicos para o endométrio. Todas as pacientes encaminhadas
para exame ginecológico no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia
da Universidade da Hungria, com prévio tratamento para CA de
mama, estavam envolvidas no programa de Screening, que consiste
de exames como ultra-sonografia transvaginal, “color doppler”,
histeroscopia, curetagem endometrial e biópsia. Trinta e uma
delas foram encaminhadas para a realização da ultra-sonografia
transvaginal. Deste total,
nove casos foram excluídos por tratarem-se de anormalidade
endometrial. As demais participantes do programa foram, também,
encaminhadas para outras avaliações. Constatou-se o alto índice
de resultados falso-positivos da ultra-sonografia transvaginal
que entretanto diminuiu quando as pacientes, sob estudo, realizaram
o exame de doppler colorido.
A patologia endometrial pode ser excluída em cerca de 50% das
pacientes com o uso de tamoxifen. A patologia mais frequentemente
encontrada foi o pólipo endometrial. Dando continuidade
aos estudos, no serviço de ginecologia do CEVESP - Centro
de Vídeo-Endoscopia São Paulo foi feita uma análise comparativa
entre resultados ultra-sonográficos e exame vídeo-histeroscópico
para diagnóstico de pólipo endometrial. Foram selecionadas
285 pacientes queixosas de sangramento uterino anormal (SUA).
Em 92 dos casos o laudo ultra-sonográfico
era de normalidade. Nas 193 restantes, o diagnóstico foi endométrio
alterado, sendo suspeitado pólipo endometrial em 9 mulheres.
Quando estas pacientes foram submetidas à histeroscopia, das
92 com resultado ulta-sonográfico N, foi diagnosticado pólipo
endometrial em 14 delas e, nas 193, foi encontrado pólipo
em 45 pacientes. Nas 9 mulheres em que houve suspeita ultra-sonográfica
de pólipo, a histeroscopia somente confirmou 4 casos. Os dados
apresentados levam à conclusão
que das 92 mulheres com resultado ultra-sonográfico
N, havia 14 falso-negativos e dos 9 pólipos encontrados pela
ultra-sonografia, somente 4 foram confirmados pela vídeo-histeroscopia.
Logo, tem-se 4 casos de falso positivo que permitem concluir
ser a vídeo-histeroscopia um método diagnóstico de maior exatidão.
2.4-
Diagnóstico diferencial
Este diagnóstico foi feito com várias patologias como o
mioma submucoso, adenofibromas, hiperplasia uterina difusa,
adenocarcinomas, adenossarcomas, disfunções ovarianas e insuficiência
na fase lútea e condições terapêuticas como os efeitos dos
hormônios estrógenos, concluindo-se que:
A hiperplasia uterina difusa faz diagnóstico diferencial
como pólipo hiperplásico, já que ambos apresentam irregularidades
glandular e variação na quantidade do estroma. O diagnóstico
correto é dado pela histeroscopia, levando-se em consideração
que a hiperplasia é um processo difuso, enquanto o pólipo
é focal;
Os pólipos funcionais fazem diagnóstico diferencial com disfunções
ovarianas (defeito da fase lútea) e com os efeitos dos hormônios
exógenos. No pólipo há proliferação glandular diferente do
endométrio adjacente.
2.5 - Tratamento Atualmente, sem sombra
de dúvida, a histeroscopia é o mais adequado e o melhor método
para o diagnóstico e tratamento dos pólipos endometriais,
uma vez que permite a abordagem direta do pólipo e sua ressecção.
A curetagem uterina, bastante usada antes do advento da histeroscopia,
é insuficiente na retirada do pólipo em sua totalidade. A
recomendação atual é a retirada do pólipo, sempre que possível.
Os pólipos endometriais até 3 cm de diâmetro, podem ser retirados
à nível ambulatorial com tesoura e pinça de apreensão, desde
que o pedículo não seja séssil. Se, o pólipo é volumoso, ou
em grande quantidade, com base de implantação séssil de difícil
acesso, em paciente muito sensível, ou com patologia associada
tipo mioma submucoso, esta retirada deverá ser feita no Centro
Cirúrgico.
Uma vez estabelecida a indicação do tratamento
cirúrgico (polipectomia), leva-se em consideração se a paciente
tem ou não prole constituída. Caso já a tenha, é indicada
polipectomia mais a ablação do endométrio. Caso contrário,
é feita apenas a polipectomia, para resolução dos sintomas
apresentados pela paciente.
2.6 - Técnica
I - Camisa operatória com tesoura e pinça de apreensão.
Os pólipos endocervicais podem ser retirados no ambulatório
por simples torção do pedículo, com a pinça de apreensão.
Os visualizados na terceira porção do colo pela histeroscopia,
deverão ser ressecados usando-se a camisa operatória com tesoura.
Sob visão direta, até mesmo para que seja feito o diagnóstico
diferencial entre este com pólipo endometrial, que se exterioriza
no canal cervical. Os pólipos endometriais até 3cm de diâmetro
podem ser retirados dessa maneira.
II - Resseptoscópio
Os pólipos endometriais com mais de 3 cm, volumosos, com base
de implantação de difícil acesso ou com outras patologias
associadas, deverão ser retirados no Centro Cirúrgico, procedendo-se
o fatiamento destes com a alça do resseptoscópio. Se a paciente
tem sua prole constituída, faz-se a ablação do endométrio
com a alça e depois passa-se o “roller-ball” para coagulação
de algum ponto sangrante.
Nas pacientes em pós-menopausa, portadoras de pólipo fibrocístico,
procede-se a extirpação do pólipo e ablação com alça do resseptoscópio
do endométrio atrófico. Este procedimento é adotado no CEVES.
CONCLUSÃO
Considerando todos os aspectos expostos, chega-se à conclusão
que a vídeo-histeroscopia é um método extremamente confiável
na avaliação das anormalidades da cavidade uterina, sendo
de grande interesse na identificação de pólipos endometriais,
na sua abordagem diagnóstica e terapêutica, além de ser de
fácil realização à nível ambulatorial.
A vídeo-histeroscopia trouxe novos horizontes por possibilitar
o estudo sob visão direta, das muitas alterações da endocérvice
e do endométrio, sem sofrimentos para a paciente, sem grandes
custos e com menor tempo de resolução.
Pretende-se que este estudo se constitua de grande valia
e esclarecimento aos profissionais da área e àqueles que o
lerem, porém não se tem a pretensão de esgotar o assunto.
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