| ANÁLISE DE TROCATERES
PARA VÍDEO-LAPAROSCOPIA
INTRODUÇÃO:
A cirurgia Vídeo-Laparoscópica é realizada
com a ajuda de instrumental e aparelhagem adequada para que
se obtenha uma visualização da cavidade abdominal sem que
haja a necessidade de grandes incisões e consequentemente
com um menor trauma cirúrgico. Este tipo de intervenção necessita
então, que a cavidade abdominal seja transformada de virtual
em real com a insuflação de gás (utiliza-se o CO2, pois este
é inerte, não comburente e rapidamente difundido no sangue,
evitando embolia gasosa).
No caso de procedimentos intra-abdominais,
o uso de instrumental é indispensável. Assim é necessário
que as pinças obtenham acesso à cavidade peritoneal, sem que
o gás escape com a perda do campo operatório. Foi então desenvolvido
o trocater, instrumento valvulado que permite a realização
de cirurgias.
Os trocateres podem ter diâmetros variáveis,
de acordo com os diâmetros das pinças a serem utilizadas.
Os tamanhos mais comumente utilizados são os de 5 mm e 10-12
mm de diâmetro.
Os trocateres devem ter uma ponta cortante
para que os planos da parede abdominal sejam ultrapassados.
Esta necessidade cria o perigo de lesões de estruturas intra-abdominais
durante sua colocação. Para evitar estas lesões, a introdução
dos trocateres deve ser feita sob visão direta pelo interior
da cavidade abdominal. Porém a 1ª. punção não pode ser feita
deste modo. Assim sendo, foram desenvolvidos mecanismos protetores
da ponta cortante, os quais evitam as lesões viscerais e continuam
a permitir o corte dos tecidos da parede abdominal.
Os trocateres podem ser permanentes ou
descartáveis, os primeiros feitos em metal e em sua maioria
sem mecanismos protetores de ponta; e os últimos são feitos
de materiais plásticos, o que impede o seu uso repetido.
Nossa Experiência
Em nossa experiência com mais de 200
cirurgias laparoscópicas em 1 ano e praticamente 1000 punções
abdominais realizadas com trocateres, utilizamos inúmeros
tipos e marcas.
Assim decidimos realizar uma comparação
entre os diversos trocateres, usando com base nossas opiniões
pessoais.
Os trocateres utilizados foram os seguintes:
EDLO (5 e 10 mm) - figura 01
PERMANENTE
STORZ (10 mm) - figura 02
ORIGIN (5 e 10 mm) - figura 03a e 03b
DESCARTÁVEIS ETHICON (5 E 10 mm)
- figura 04a e 04b
RICHARD - ALLAN (10 mm) - figura 05
As variáveis comparadas foram as seguintes:
- Facilidade de manuseio pelo cirurgião
- Facilidade de manuseio pela instrumentadora
- Reutilização
A respeito da facilidade de manuseio
pelo cirurgião, os diversos trocateres permanentes obtiveram
desempenho semelhante, com resultados satisfatórios quando
utilizados com cautela durante a punção, porém atenção deve
ser tomada às borrachas de vedação, as quais podem sofrer
desgaste, permitido vazamentos de gás.
Comparando os trocateres em relação à
facilidade de limpeza, os permanentes são equivalentes e de
fácil limpeza, pois são totalmente desmontáveis.
A respeito dos trocateres descartáveis
da Ethicon , estes possuem ótimo desempenho com fácil passagem
pela parede e eficaz proteção. Adicionalmente, sua bainha
tem superfície áspera, o que evita a saída do trocaterer do
orifício durante o uso. Infelizmente suas borrachas de vedação
são frágeis, rompendo-se facilmente. A utilização de redutores
pode ser feita, com o emprego de uma peça separada do mesmo
material, o que facilitra muita a dinâmica no campo operatório,
porém esta deve ser adquirida a parte.
Os trocateres da Origin tem desempenho
razoável, porém como a sua superfície é lisa, sai frequentemente
de posição durante o seu uso.
Os trocateres da Richard-Allan são seguros,
porém, como os da Origin, saem facilmente dos orifícios. Também
não possuem redutores integrados ao corpo do trocater.
A colocação de adaptadores com ranhuras
em espiral tipo "saca-rolha" evita muito a saída
dos trocateres e seu incoveniente. Estes adaptadores podem
ser utilizados tanto em trocateres descartáveis quanto em
permanentes.
Conclusões
É consenso a utilização de trocateres
descartáveis com proteção de ponta obrigatória na 1ª punção
(seja esta por método fechado ou semi-aberto) e uso de trocateres
permanentes nas punções seguintes, com visão direta, pelo
seu custo muito menor.
Em nossa experiência, os trocateres descartáveis
tem melhor praticidade para o cirurgião, porém possuem uma
menor vida útil, elevando o custo. Enquanto isto, os trocateres
permanentes tem-se mostrado igualmente eficazes, com um custo
a médio e longo prazo menor, porém demandam uma manutenção
constante pela equipe de instrumentação

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