|
Colecistectomia Vídeo-Laparoscópica
na Colecistite Aguda
Marcos Alpoim Freire; Flavio
Malcher; Evandro Freire; Auguimar Malvezzi; José Júlio do
Rêgo Monteiro; Mauro A. Freire; Paulo Maurício Cabral; Sílvio
Henriques Cunha
Após anos de controvérsias,
o tratamento da colecistite aguda parece ter chegado ao consenso
de que a cura cirúrgica precoce (em até 96h.) tem benefícios
para o paciente, evitando as complicações da doença. Com o
aparecimento da cirurgia vídeo-laparoscópica no final dos
anos 80, a colecistectomia tomou seu lugar e, hoje em dia,
é praticamente só realizada por este método nos grandes centros
médicos do mundo. O quadro de colecistite aguda era, pelas
suas conhecidas dificuldades operatórias pela via laparotômica,
no início uma contra-indicação relativa à realização de uma
CVL, porém com o aprimoramento da técnica e maior experiência
dos cirurgiões, isto acabou. Atualmente a CVL é o tratamento
de eleição para a colecistite aguda.
| Em nossa experiência de 500
CVL realizadas, obtivemos o diagnóstico clínico e
operatório de colecistite aguda (pela existência de
um ou mais fatores como : |
| aderências
inflamatórias, |
líquido
perivesicular, |
empiema, |
distensão
da vesícula, |
 |
 |
 |
 |
|
espessamento e edema de parede,
) em 76 casos, ou seja, em 15%. Assim, para compararmos
as diferenças entre a cirurgia na colecistite aguda com a
cirurgia eletiva, criamos dois grupos, um de CVL na vigência
de colecistite aguda, com 76 casos, denominado de grupo A
e outro com CVL eletivas, sem evidências operatórias de colecistite
aguda, com 424 casos, denominado grupo B.
A distribuição de sexos entre
os grupo foi de: grupo A com 68% de pacientes do sexo feminino
(32% masculino) contra 85% do sexo feminino no grupo B, com
esta diferença sendo significativa, com p = 0.006.
Já com relação a idade média, não houve diferenças significativas
com 45 anos no grupo A e 46 anos no grupo B (p = 0.8).
O tempo operatório, obteve uma média de 1 hora e 38 min. no
grupo A e 55 min. no grupo B, com um nítida diferença. Porém
a média operatória pode sofrer distorções importantes com
cirurgias extremamente rápidas ou longas por causas externas
e não por causas operatórias, como por exemplo pane em aparelhagem,
gravação de parte somente da cirurgias, falta de luz,
Assim a comparação fica mais significativa quando comparamos
o número de cirurgias com duração de até 1 hora contra o números
de cirurgias com mais de uma hora de duração, demonstrando
mais fielmente a dificuldade operatória que existe na colecistectomia
em vigência de colecistite aguda. Assim temos então 41% das
cirurgias do grupo A em até uma hora e 59% além de 1 hora
contra 72% das CVL do grupo B em até 1 hora e 28% além, com
Sobre o tempo de internação,
72% dos pacientes do grupo A tiveram alta no 1o. DPO, contra
88% do grupo B. Mas se compararmos o número de pacientes com
alta até no 2o. DPO, esta diferença cai para 10%, com 85%
dos pacientes no grupo A e 95% no grupo B. Assim ao compararmos
a média de internação, 1,64 dia no grupo A e 1,1 dia no grupo
B, temos uma diferença significativa com p = 0.00004.
A realização de colangiografia
per-operatória não é rotina em nosso grupo e sim eletiva,
quando há: história sugestiva de coledocolitíase (icterícia,
pancreatite,
), achados operatórios como ducto cístico
largo com cálculos pequenos, colédoco dilatado, microcolecistolitíase,
Assim a colangiografia per-operatória foi realizada em 4%
dos casos no grupo A e 7% no grupo B, sem diferença significativa
(p = 0.37).
Vale a pena ressaltar que, com
esta conduta, houve somente 1 caso de litíase residual, diagnosticada
2 anos após a CVL, período no qual a paciente engravidou.
O caso foi resolvido com papilotomia endoscópica .
Dentre as intercorrências operatórias,
as principais foram:
| queda de bile ou |
cálculos na cavidade
abdominal |
 |
|
e o sangramento operatório aumentado.
As suas incidências no grupo A e B com seus valores de p foram,
respectivamente:
· bile na cavidade - 47% contra
26%, p = 0.0003
· cálculos na cavidade - 18% contra 03%, p = 0.000007
· sangramento operatório - 13% contra 07%, p = 0.13
Se fizermos uma análise do odds
ratio (razão de vera semelhança) destas incidências, descobriremos
que um paciente submetido a uma CVL na vigência de colecistite
aguda tem uma chance 2.5 vezes maior de ter bile derramada
na cavidade do que um paciente submetido a uma CVL na ausência
de colecistite aguda e uma chance de 6.61 vezes maior de ter
uma queda de cálculos na cavidade.
|
|
Em
relação à drenagem da cavidade, a incidência foi
de 14% no grupo A e de 2% no B, com p = 0.000002 e odds
ratio de 10.08 ( ou seja, uma chance maior de aproximadamente
10 vezes). |
Dentre as complicações pós-operatórias,
destacam-se a onfalite com incidência de 7% no grupo A e 2
no grupo B, p = 0.04 e odds ratio de 3.66 e a dor no RCD com
incidência de 1 % em cada grupo, p = 0.3.
Assim, ao analisarmos a possibilidade
e ocorrência de qualquer intercorrência per-operatória ou
complicação pós-operatória, descobrimos uma chance maior de
2.82 vezes no grupo A quando comparado ao grupo B.
As conversões ocorreram com um
distribuição homogênea em relação ao tempo, em 5% no grupo
A contra 3% no grupo B, diferença não significativa com p
= 0.44.
Não houve nenhum caso de pancreatite
pós-operatória nem lesão iatrogênica de via biliar principal.
Não ocorreu nenhum óbito relacionado à cirurgia nos 500 pacientes
operados.

VOLTAR
|