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Colecistectomia Vídeo-Laparoscópica
- Técnica Cirúrgica
O advento da cirurgia vídeo-laparoscópica
mudou radicalmente o arsenal terapêutico do cirurgião moderno.
O marco inicial desta nova era foi a realização da colecistectomia
vídeo-laparoscópica, hoje em dia, sem questionamentos no tratamento
da doença biliar. Nossa equipe realizou mais de 550 colecistectomias
vídeo-laparoscópicas nos últimos anos, com a técnica cirúrgica
abaixo detalhada, sem qualquer acidente cirúrgico importante
ou óbito per-operatório. Não pode-se esquecer que a realização
deste ato operatório requer uma EQUIPE treinada e habilitada
para tal.
INDICAÇÕES
As indicações para Colecistectomia vídeo-laparoscópica permanecem
inalteradas, sendo as mesmas para a colecistectomia tradicional,
laparotômica. Todos os pacientes com colecistolitíase sintomática
e colecistite aguda são candidatos. Os portadores de colecistolitíase
assintomática devem ser avaliados caso a caso para que a sua
indicação seja precisa.
Atualmente praticamente não existem contra-indicações para
o método, porém no passado: cirurgias préveas, colecistite
aguda, obesos, idosos eram contra-indicações.
Uma vigilância e acompanhamento anestésico adequado e experiente
fazem-se sempre necessários.
Técnica: Colecistectomia
Vídeo-Laparoscópica Simples
Arrumação do campo cirúrgico
O cirurgião se coloca no lado esquerdo do paciente com o segundo
assistente/câmera a sua esquerda, enquanto o primeiro assistente
coloca-se à direita. A instrumentadora posiciona-se aos pés
do paciente, e o anestesista à cabeça. Idealmente são colocados
dois monitores, um em cada lado da cabeça do paciente.
Colocação dos Trocars
Colocam-se 02 trocars de 10/12 mm, um na cicatriz umbilicam,
onde fica a ótica, e outro em região sub-xifóide; e 02 trocars
de 05 mm, um no RCD na LHCD e outro em flanco D na linha axilar
anterior.
ESQUEMA 02
Hardware
Dois monitores de vídeo, um insuflador eletrônico de CO2,
uma fonte de luz fria de Xennon, uma microcâmera, um videocassete
e uma vídeo-printer.
Instrumentos
Podem ser usados vários kits de instrumentos de laparoscopia.
Nosso kit standard inclui dois 5 trocars de mm e dois 10 mm
trocars. As pinças de laparoscopia imitam praticamente todas
as de uso tradicional em cirurgia laparotômica, somente alongadas
e adaptadas para uso laparoscópico.
Nota: Nenhum antibiótico
profiláctico precisa ser utilizado rotineiramente para pacientes
que submetem-se a colecistectomia vídeo-laparoscópica.
A Técnica
O pneumoperitoneo é obtido por técnica semi-aberta na cicatriz
umbilical. A insuflação inicial deve ser com fluxo entre 1-2
l/min com manutenção de uma pressão intra-abdominal entre
10-12 mmHg. Os demais trocars são inseridos com visão direta
pela cavidade.
PASSO 1: Expondo o Ducto Cístico e Artéria Cística
A pinça mais lateral (grasp ou dente-de-rato) é utilizada
para pegar o fundo da vesícula e empurrá-lo por cima da extremidade
anterior do fígado através de tração progressiva. Na colecistite
aguda, onde a parede da vesícula é muito espessa, pode-se
usar pinças mais grosseiras. A bolsa de Hartmann é puxada
para cima. Isto expõe o ducto cístico e artéria como também
o ducto hepático comum. É importante esta tração constante
mantida. A via biliar principal deve ser localizada para evitar-se
lesões iatrogênicas da mesma.O paciente deve ser posicionado
em posição de Fowler, com discreta inclinação lateral para
a esquerda.
PRECAUÇÃO: Às vezes
não é possível empurrar o fundoda vesícula (pacientes cirróticos)
por cima da extremidade hepática anterior. Neste caso, com
suavidade empurre-se ao fundo contra o fígado com cuidado
para não se penetrar no parenquima do fígado. Como precaução,
não se permite que a pinça penetre muito em cima da cúpula
do fígado, pois isto poderia causar uma lesão no diafragma.
PASSO 2: Dissecando o Ducto
Cístico e Artéria Cística
Uma vez que o campo está exposto, a bolsa de Hartmann é
tracionada (pela pinça do RCD) lateralmente, para evitar-se
o acotovelamento da junção cístico-coledociana, e expõe-se
o triângulo de Calot. O cirugião passa uma pinça pelo trocar
subxifóide e começa a dissecção do triângulo de Calot, identificando-se
o ducto cístico. Na colecistie aguda, o tecido edemaciado
deve ser dissecado para expor o ducto cístico.
A pinça é então é passada atrás do ducto cístico ou
de fato entre o ducto cístico e a artéria cística. Na maioria
dos casos, o ducto é anterior à artéria.
PRECAUÇÃO: A bolsa de
Hartmann sempre deve ser identificada e visualizada.
A dissecação do triângulo de Calot pode ser feita seguramente
a partir da bolsa e se orientando ao ducto cístico. Isto
é particularmente importante em casos agudos, quando marcos
anatômicos são difíceis de serem achado. É essencial visualizar
o triângulo de Calot que inclui a borda hepática, ducto
cístico e o hepático comum, com a artéria cística no seu
iinterior. Se a visualização desta área ficar difícil, sempre
inspecione a tensão da pinça do fundo e a pressão intra-abdominal.
PASSO 3 e 4: Clipando e
Cortando o Ducto Cístico e Artéria
Nesta conjuntura, a janela cística é criada (i.e., espaço
atrás do ducto cístico e a artéria cística). O clipador é
inserido pelo trocar subxifoide. São clipados o ducto cístico
e artéria (três clipes, dois proximais e um distal) tão próximo
quanto possível à vesícula. Assim a tesoura é inserida para
cortá-los.
PASSO 5: Dissecando o Leito
Hepático
A bolsa de Hartmann é tracionada agora para cima. Usando
o gancho ("hook") eletrocautério a vesícula é descolada
de seu leito hepático, até o fundo da vesícula. Ocasionalmente
podem ser usadas pinças com diferentes trações na vesícula
para facilitar o plano cirúrgico.
Na maioria dos casos, esta dissecção gerará fumaça que pode
prejudicar a visualização do cirurgião. Esta fumaça pode ser
aspirada abrindo uma válvula de trocar. O fluxo de gás deve
ser então elevado para 05-10 l/min, para que a pressão intra-abdominal
se mantenha.
PASSO 6: Extraindo a Vesícula
Uma pinça é introduzida pelo trocar umbilical, enquanto
a ótica é colocada no subxifóide. A incisão umbilical pode
ser ampliada se necessário para a saída da peça. Bile e cálculos
podem ser aspirados e/ou retirados para facilitar a retirada..
A cavidade de intra-abdominal é irrigada então completamente
com solução salina. Todos os cálculos que tenham caído na
cavidade devem ser retirados, até com a ajuda de um morcelador
se necessário.
O abdômen é esvaziado; o trocars removidos, e os locais
de inserção de trocar são fechados de moda habitual.

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