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ACHADOS VÍDEO-HISTEROSCÓPICOS EM ESTERILIDADE/
INFERTILIDADE
DRA. CLÁUDIA DA
SILVA LUNARDI
*Aula ministrada no II Curso Básico de Vídeo-Histeroscopia
A Histeroscopia possibilita uma avaliação morfofuncional
ampla dos fatores cervical e uterino, se comparada
aos métodos de investigação indireta.
Sendo assim, a histeroscopia é de grande valor em
esterilidade, além de permitir a abordagem terapêutica.
Está indicada em :
1) Suspeita fator cervical desfavorável;
2) Histerossalpingografia alterada;
3) Esterilidade sem causa aparente;
4) Hemorragia uterina anormal;
5) Avaliação prévia à FIV;
6) Avaliação endometrial;
FATOR CERVICAL
A melhor época para análise é a primeira fase do ciclo,
preferencialmente entre o 09° e o 13° dia, época em
que o muco é mais fluido facilitando a visualização
do canal.
As alterações mais freqüentemente encontradas são
classificadas como: morfológicas, funcionais, inflamatórias
e sinéquias (pós- cirúrgicas ou inflamatória).
MORFOLÓGICAS:
I) Direcionais ou Estruturais :
Decorrentes de extremas ante ou retro- flexões, formando
angulações colo - corpo acentuadas. Isto é mais evidente
no 1/3 distal e orifício interno, que podem apresentar
estreitamento e até certo grau de fibrose.
II) Tumorações:
II.1) Cistos de inclusão ou retenção :
São perolados, capsulares e translúcidos, permitindo
distinguir seu conteúdo mucoso. Sua vascularização
evidente e delicada. É provavelmente a alteração mais
freqüente do canal cervical e encontrados, geralmente,
até o terço médio.
II.2) Pólipos :
a) Glandulares:
São formados por epitélio cilíndrico, semelhante à
papila da mucosa endocervical. Localizam-se mais frequentemente
nos terços proximal e médio, possuindo coloração mais
avermelhada.
b) Fibrosos :
São mais pálidos, lisos, de consistência firme, pouco
móveis e com pedículo mais curto. De ocorrência mais
rara, localizam-se mais comumente nos terços médio
e distal do canal.
II.3)Miomas :
É extremamente raro. São pediculados ou sésseis, lisos
ou bocelados, amarelo-pálido, de constância densa
e com vascularização superficial calibrosa e com poucas
ramificações.
II.4)Endometriose :
Área azulada sub- mucosa com retração perilesional.
FUNCIONAIS
I) Hipotrofia:
Reflete a diminuição de estimulação estrogênica. As
papilas glandulares ficam mais delgadas, permitindo
melhor identificação do arcabouço conjuntivo subjacente,,
configurando um aspecto trabeculado ao canal endocervical.
II) Atrofia:
É a progressão de uma persistente diminuição estrogênica.
Há o desaparecimento progressivo do epitélio glandular
e da vascularização. O canal fica liso, branco, avascular
e com estreitamento de sua luz.
III) Hipertrofia:
Há desaparecimento das criptas glandulares, com edema
do epitélio e redução da luz cervical, tornando difícil
a passagem do sistema óptico sem traumatismo.
ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS
I) Agudas e sub- agudas:
O muco possui aspecto denso, variando do amarelo tipo
catarral ao purulento.
Há um edema e aumento vascular na mucosa, tornando-a
mais delgada e avermelhada, friável, com diminuição
e até desaparecimento do relevo mucoso típico.
No terço proximal cervical há intenso refluxo e sangramento
fácil devido, dificultando o exame. No terço médio
mantém-se a hiperemia e friabilidade do epitélio,
mas já não há refluxo de gás, facilitando a progressão
do sistema óptico.
Com a evolução do processo inflamatório há desaparecimento
do epitélio glandular, com visualização do relevo
conjuntivo subjacente, semelhante ao canal hipotrófico,
mantendo porém hiperemia e aumento vascular.
II) Crônicas:
Não se identificam criptas glandulares, podendo-se
visualizar os anéis concêntricos do tecido conjuntivo.
Posteriormente vê-se um canal tipo atrófico com fibrose,
independente da presença ou não, do aumento vascular.
ADERÊNCIAS OU SINÉQUIAS
Podem ser conseqüentes a processos inflamatórios,
instrumentação (curetagens, conizações) e/ ou instituição
de processos terapêuticos com destruição epitelial
endocervical (cauterizações, Laser,), ocorrendo então,
a formação de sinéquias. Estas podem ser:
I) Mucosas :
Podem ser em formato de ponte ou anel, desfazendo-se
facilmente pelo sistema óptico. São frequentes após
uma reação inflamatória, ocorrendo em qualquer porção
do canal.
II) Fibrosas :
Ocorre quando há deposição de fibrina nas pontes mucosas
formando trabéculas, refletindo maior reação inflamatória
local. Frequentemente há redução da luz endocervical,
dificultando a passagem do histeroscópio.
No terço distal cervical e como seqüelas a instrumentação
da cavidade em curetagens, pode-se observar sinéquias
fibrosas em forma de anéis. Isto se deve ao traumatismo
cervical durante a retificação forçada pela passagem
de instrumentos por este setor do canal. Formam-se
assim anéis fibróticos, com redução parcial ou total
da luz endocervical.
INCOMPETÊNCIA ISTMO
- CERVICAL
O diagnóstico desta alteração funcional é presuntivo
e o resultado é semelhante à HSG. Deve-se suspeitar
de incompetência istmo cervical quando :
* O Orifício Interno assumir forma ovalada e/ou pelo
aplanamento do ângulo istmo-cervical, houver continuidade
do OI com o corpo uterino, criando dificuldades até
na sua identificação;
* Houver grande e constante refluxo do meio distensor
pelo orifício interno, havendo perda de tonicidade
uterina;
* Houver uma grande abertura do orifício interno e
esta persistir durante a retirada do sistema óptico
( não se observa o fechamento do OI );
FATOR UTERINO
O exame pode ser feito entre o nono e décimo terceiro
dia do ciclo menstrual ou entre o 20° e 24° quando
se deseja avaliar a presença ou não de alerações secretórias
do endométrio.
A histeroscopia permite a identificação das seguintes
alterações intra-cavitárias a saber:
I) Malformações:
O estudo histeroscópico é capaz de confirmar o tipo
de malformação avaliando a capacidade da(s) cavidade(s),
descartar patologia concomitante (hipertrofia, pólipos,
mioma), avaliar a indicação cirúrgica bem como sua
via de acesso. Em alguns casos pode necessitar da
laparoscopia para definição da malformação.
a) Útero unicorno : É uma cavidade com volume reduzido,
descrevendo um arco para um dos lados, afunilando-se
na porção apical onde está o óstio tubário. O canal
cervical é normal.
b) Bicorno : Pode ser completo ou incompleto. Em ambos,
a porção superior da cavidade possui dois espaços
afunilados de curso divergentes e o plano do fundocavitário
é projetado por uma massa muscular em forma de cunha,
com pouco revestimento endometrial, situada entre
os dois cornos. O endométrio pode ser normal, havendo
uma certa freqüência de hipertrofias polipóides. Pode
haver duplicidade de parte do canal cervical.
c) Didelfo: De forma semelhante ao unicorno, com duplicidade
de colo e septo vaginal. O endométrio geralmente é
normal.
d) Septado : Há um septo sagital dividindo a cavidade,
logo acima do OI. A estrutura parietal é mantida,
ou seja o fundo da cavidade é plano, com área oval
típica e de superfície normal, apenas dividida pelo
septo. O revestimento endometrial costuma ser normal.
II) Tumorações :
a) Pólipos: De vários tipos, são considerados de importância
em esterilidade aqueles de localização cornual, aos
que se vê ocluir a entrada da cavidade reduzindo a
insuflação e os de 2cm ou mais independente da localização.
b) Miomas: São de importância aqueles de componente
submucoso por funcionarem também como dispositivo
intra uterino.
III) Metaplasia óssea
Caracteriza-se pela presença de tecido ósseo na cavidade
uterina, em forma de uma placa, funcionando como um
DIU. Ocorre pela deposição de sais de cálcio constituindo
uma placa esponjosa, áspera, comprometendo uma das
paredes uterinas. Geralmente assintomática, podem
ainda causar dismenorréia e /ou hemorragia uterina
anormal, em função da tentativa de eliminação desta
e efeito abrasivo no endométrio. O único tratamento
é sua remoção.
A presença de tecido ósseo pode ainda decorrer de
resíduos fetais pós-aborto.
IV) Sinéquias
São pontes aderentes entre partes da parede uterina,
por destruição da camada basal e até mesmo de parte
do miométrio. Podem ser simples múltiplas ou complexas
conforme o número ou aderências secundárias entre
elas. Quanto ao tipo classificam-se:
a) Mucosas : São frouxas, constituídas por endométrio,
facilmente lisáveis pela extremidade da óptica.
b) Fibrosas: Quando há lesão da camada basal do endométrio.
São pouco vascularizadas, podendo ter revestimento
endometrial ou não, assumindo forma de ampulheta quando
tracionada pela distensão cavitária, sendo resistentes.
Costumam ocorrer nas margens cornuais e/ou mediamente
na cavidade. Sua exérese é feita por tesoura óptica
ou eletrorresecção. Verificadas como conseqüentes
a endometrites e/ou traumas cirúrgicos.
c) Musculares: Ocorrem quando há lesão também do miométrio,
são de consistência rígida, vascularizadas e com revestimento
endometrial. Mais frequentes após traumas cirúrgicos
e sem localização preferencial.
V) Aspectos Funcionais
Durante o ciclo menstrual, o endométrio sofre variações
em função do balanço hormonal ( função ovariana e
hipofisária), originando duas fases : proliferativa
e secretora
V.1) Endométrio Normal
a) Proliferativo: Regular e com espessura de até 5mm,
é pálido ou róseo, com pontilhado glandular esparso,
trama vascular tênue e produzindo sangramento quando
se faz um sulco para determinar sua espessura. É a
melhor época para avaliação de alterações orgânicas
e diagnosticar hipertrofias.
b) Secretor : Com desníveis superficiais que variam
de dobras de acomodação, boceladuras e até digitações
por edema do estroma, com espessura de até 8mm. Sua
cor varia do róseo ao branco; seus orifícios glandulares
são pálidos e com relevo (papilares) sem que ocorra
sangramento ao fazer-se um sulco para determinar sua
espessura. É a fase ideal para avaliar sincronismo
ou defasagem de maturação. O endométrio assincrônico
apresenta algumas sugestões pelo aspecto histeroscópico
e um polimorfismo em função do tipo de alteração hormonal,
devendo ser biopsiado para confirmação do seu tipo.
V.2) Hipertrofia:
É espaçamento regular ou não, difuso ou focal da camada
funcional
Naquela do tipo difusa, o endométrio pode ser tão
exuberante que restringe o espaço interno da cavidade
podendo até ter aspecto polipóide. Sua espessura é
maior que a máxima esperada para a fase do ciclo.
Em geral o correspondem à hiperplasia simples.
Raramente surpreendemos em uma fase precoce quando
o endométrio pode ter uma espessura máxima limítrofe,
porém com aumento da densidade de glândulas por campo,
num endométrio de padrão proliferativo.
A visualização de microcistos sugere hiperplasia complexa
e atipias podem ser suspeitadas quando há necrose
caseosa, fibrina e/ou aumento vascular com distribuição
sinuosa , curta e com trajetos anômalos.
b) Focal: quando o espaçamento se faz em áreas isoladas
intercaladas com outras de aspecto normal.
V.3) Hipotrofia
O endométrio tem espessura diminuída para a fase do
ciclo, podendo alternar áreas sem endométrio(atrófica)
e com endométrio baixo. As vezes a maturação está
sincrônica.
V.4) Atrofia
A superfície é lisa, uniforme e sem orifícios glandulares.
Não há formação de sulco endometrial.
VI) Alterações Inflamatórias
a) Endometrite: O endométrio apresenta coloração vermelho
vinhosa com pontilhado branco nítido. Isto é resultado
de intensa congestão vascular ( área de hiperemia
), contornando os orifícios glandulares infiltrados
por edema ( pontilhado branco ). A espessura endometrial
é mínima como resultado do comprometimento da camada
basal, o que impede uma correta regeneração. Pode
ter distribuição em placas dispersas pela cavidade
ou comprometer difusamente uma ou mais paredes uterinas.
Nesta última situação, quando a cavidade está distendida,
há uma palidez das comissuras interparietais contrastando
com a hiperemia.
Com a evolução do processo, há destruição endometrial
e aumento vascular, com trajeto tortuoso, varizes
e tromboses, verificado sobretudo nas regiões cornuais.
b) Eversão de mucosa tubária : Observada quando há
comprometimento inflamatório tubário ( por salpingite
primária ou conseqüente a endometrite).
VII) Adenomiose
Encontra sinais de sugestão diagnóstica quando observa-se
mancha acastanhada ou azulada na superfície endometrial,
acompanhada de distrofia vascular extensa ( vãos endometriais
varicosos, com ou sem trombose, comprometendo toda
espessura do endométrio) muitas vezes com discreto
abaulamento que se acompanhada uma sensação tátil
de aspereza fibrótica ao ser comprimido pelo sistema
óptico.
PERMEABILIDADE TUBÁRIA
A observação da passagem de bolhas de gás juntamente
com muco, e concomitante movimentos de abertura e
fechamento do óstio tubário, com manutenção de pressão
intra-cavitária entre 50 e 80 mmHg e com fluxo alto,
entre 40 e 60 ml/min, indica fraca permeabilidade
tubária. Pode-se ter omalgia pós-exame, indicando
gás livre na cavidade abdominal (há acúmulo de gás
no espaço sub-frênico = omalgia).
A obstrução tubária proximal pode ser evidenciada
pela oclusão dos óstios pela identificação de sua
oclusão ou sinéquias prévias a esse, bem como por
ocorrer rapidamente alta pressão intra-cavitária com
redução do fluxo para zero.
A obstrução tubária distal é sugerida pela observação
da passagem lenta do gás através do óstio tubário
até que a pressão intra-cavitária estaciona-se no
nível máximo(200 mmHg) e o fluxo vá a zero. Pode-se
observar o refluxo de bolhas de gás quando promove-se
redução da pressão intra-uterina.
A estenose tubária bilateral é sugerida quando se
observa passagem da bolha do gás contínua, porém sempre
sob pressão alta ( pex. 150 mmhg) e mantendo um fluxo
baixo ( < 10 ml/min)..No entanto o trajeto tubário
não pode ser avaliado, sendo necessária investigação
por outro método complementar.
É indicação de Salpingoscopia mesmo diante de HSG
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