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TÉCNICA DO EXAME VÍDEO-HISTEROSCÓPICO

DR. ROBERTO BENZECRY
* Aula ministrada no II Curso Básico de Vídeo-Histeroscopia

A histeroscopia diagnóstica é procedimento realizável ambulatorialmente em 97 a 99% das vezes, ficando as exceções para eventuais pacientes de risco ou que não aceitem colaborar com o examinador.

Além de dominar a técnica, o examinador deve conhecer bem o instrumental, saber identificar os defeitos e, de preferência, saber corrigi-los.

ÉPOCA DO EXAME
Em princípio, o exame pode ser realizado em qualquer época, desde que não haja sangramento, entretanto, o exame deve ser realizado em determinada fase do ciclo, de acordo com várias indicações, quando são obtidas informações específicas. Por exemplo, para o exame de tumores suspeitos, é melhor o período entre o 9o e o 13o dia do ciclo, quando o endométrio tem superfície regular e espessura média. Quando se busca o diagnóstico de ovulação, isto é, a transformação do endométrio proliferativo em secretor, comum na investigação de esterilidade, o exame deve ser feito na suposta segunda fase do ciclo. Obviamente, na menopausa, não há preocupação com a época do exame.

Em casos de sangramento persistente, quando o exame é inadiável, pode-se fazer lavagem prévia da cavidade uterina ou utilizar-se meio líquido.

MESA DE EXAME
A mesa de exame deve estar equipada com ótica adequada, espéculos, pinças de Pozzi, Cherron, velas dilatadoras até o no 5 e cureta de Novak para biópsia.

Todo o equipamento eletrônico deve estar ligado, testado e regulado.

TEMPOS DO EXAME
Anamnese - realizada preferentemente na sala de consultas, é tempo obrigatório previamente ao exame. Devem ser obtidos os dados de interesse para o exame: idade, história menstrual e obstétrica, história da patologia e cirurgias ginecológicas prévias e de laqueadura tubária.

Análise dos demais exames já realizados: ultra-sonografia, histerosalpingografia, histopatológico, etc. Durante essa consulta avaliar possíveis contra-indicações como gravidez, metrorragia ou infecção aguda. Ao mesmo tempo procurar fazer com que a paciente adquira confiança não apenas no médico como também no método.

Toque bimanual - Pelas importantes informações fornecidas, o toque somente pode ser dispensado, quando ultra-sonografia prévia já nos dá tais informações.

Colocação do espéculo - A exposição do colo uterino facilita o exame, entretanto, há situações em que o espéculo não pode ser usado, porém, a histeroscopia pode ser realizada. São os casos de pacientes virgens, de estenose vaginal, de distopias ou de prolapso genital, quando a ótica é introduzida diretamente.

Limpeza e antissepsia - Qualquer solução antisséptica pode ser usada. Comumente usa-se soluções iodadas. Neste caso, a paciente deve ser perguntada sobre eventual alergia ao iodo.

Avaliação da necessidade de dilatação e/ou anestesia local.

Sabe-se que o limiar de dor e sensibilidade, assim como, o grau de cooperação, variam em cada indivíduo, dados avaliados desde a anamnese. Em princípio, o exame histeroscópico é feito sem qualquer tipo de anestesia, entretanto, muitas vezes, no intuito de minimizar a queixa das pacientes sensíveis, emprega-se anestesia paracervical.

Técnica de anestesia
Utiliza-se seringa tipo "carpule" longa com anestésico de ação instantânea, por exemplo, Cloridrato de lidocaína sem vasoconstritor em tubetes de 1,8ml. Injeção inicial no lábio anterior do colo fazendo um botão anestésico no local de pinçamento com o Pozzi. Elevando o colo com a pinça de Pozzi, injeta-se 1 tubete em cada ligamento útero-sacro, a uma profundidade de 3 a 5mm. Informa-se à paciente do procedimento anestésico e indaga-se como se sente ao final das injeções. Essa anestesia atinge tanto o plexo útero-vaginal como o plexo hipogástrico.

Dilatação cervical
A dilatação cervical deve atingir apenas o orifício externo, com movimento suave e único para evitar sangramento. Em colos estenosados ou até obliterados é necessária a dilatação ser iniciada com estilete de pequeno calibre, ou até mesmo com uma agulha, progredindo-se até a vela no 5.

Conexões à ótica
Tubo de gás - é conectado à camisa de forma bem ajustada, assim como a trava da camisa, para não haver escapamento de gás. Normalmente, os mostradores indicam eventual escape pela baixa da pressão do fluxo de gás. O fluxo correto deve ser de 10 a 30ml/min.

Fibra ótica - deve ser completamente enroscada na ótica para não haver escape de luz.

Câmera - deve ser encaixada corretamente e em posição horizontal da imagem, o que corresponde, na ótica de 30o, à posição com o bisel voltado para cima.

EXAME DO COLO UTERINO
Inicia-se o exame histeroscópico pelo colo uterino. Pode ser importante a localização, as características do orifício externo, as condições de epitelização, etc. Muitas vezes existe um pólipo se exteriorizando pelo colo.

EXAME DO CANAL CERVICAL
A penetração da ótica se faz acompanhada da expansão do canal promovida pelo gás, permitindo a visibilização das criptas. Requer suavidade de movimento, caso contrário, pode provocar sangramento, tirando a visão do campo, além de provocar dor. A mucosa cervical deve estar sempre visível, focalizada com o polegar na cremalheira e a bolha de gás à frente da ótica e por nós perseguida. A prática confere habilidade para permitir ao mesmo tempo a avaliação da mucosa e desviar dos obstáculos até alcançar o orifício interno. Se o eixo desaparece do campo é preciso recuar alguns milímetros com a ótica para se formar novamente a bolha guia. Esse espaço de distensão deve estar sempre situado, na imagem do monitor, na periferia, e em localização das 6 horas de um mostrador de relógio. Havendo estenose, tenta-se a dilatação com o próprio histeroscópio, desde que se tenha certeza de estar no eixo do canal, para não se criar um falso trajeto. Se o obstáculo for por flexão acentuada, gira-se a ótica 180o, de maneira a inverter a posição do bisel. Não logrado resultado, emprega-se velas de Hegar até o no 5.

No canal, examinam-se as estruturas papilares, as criptas glandulares e as estruturas fibrosas da árvore da vida que predominam na região subístmica, dificultando, às vezes, a progressão do histeroscópio na fase secretora, por ser menos distensível.

O muco cervical deve ter suas características físicas avaliadas: quantidade, fluidez e transparência. Abundante, límpido e fluido na fase ovulatória e turvo na fase secretora.

Também deve-se prestar atenção para os achados patológicos do canal: sinéquias, anomalias congênitas e tumores císticos ou sólidos.

EXAME DA CAVIDADE UTERINA
Na cavidade uterina avalia-se o volume e a forma, sua posição e flexão, a presença de tumores, o seu aspecto, dureza, dimensões e localização. A existência de sinéquias ou anomalias e suas características. Em seguida avalia-se os cornos uterinos e os óstios tubários em suas formas, dimensões e permeabilidade.

Endométrio - Especial atenção é dada ao endométrio com vistas ao estudo funcional, isto é, avaliação das suas características para confrontar com a data do ciclo menstrual. São verificadas: espessura, que pode ser medida pela impressão da ótica sobre a parede posterior do endométrio, a presença, quantidade desenvolvimento e distribuição das glândulas, a rede vascular capilar periglandular e demais vascularização endometrial.


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