Retirado do Jornal da Associação Americana
de Laparoscopistas Ginecológicos, 1998- november, volume 5,
number 4.
Titulo:
O tratamento pré-operatório com um agonista
do GnRh melhora os resultados da ressecção endometrial?
1- Objetivo do estudo :
Verificar se resultados mais favoráveis
à longo prazo, de uma ressecção endometrial, podem ser obtidos
com uma terapia pré-operatória com hormônios agonista da gonadotrofina
(GnRH).
Foi realizado um estudo multicêntrico
e randomizado.
2- Material e método :
Foram examinadas 63 pacientes, na pré-menopausa,
com diagnóstico de hemorragia uterina funcional ( afastado
outras causas) e com volume uterino de até 8 semanas de gravidez.
Foram randomizadas na proporçào de 1:1.
_ 33 mulheres foram submetidas à ressecção
endometrial 4 semanas após a segunda injeção de goserelina.
_ 30 mulheres foram submetidas à ressecção
endometrial na fase proliferativa inicial.
3- Técnica operatória :
Foi realizado coagulação das áreas cornuais
com roller-ball e posterior ressecção abaixo do ístmo usando
alça diatérmica, e os fragmentos endometriais removidos foram
enviados para exame histológico.
4- Follow-up :
Foi realizado uma avaliação clínica,
com 3, 6 e 12 meses, observando as variações menstruais na
pós- cirurgia e foi oferecido uma nova histeroscopia na última
consulta (não obrigatória).
5- Resultados :
- O exame histológico dos fragmentos
endometriais, os quais não tinham importância, revelou :
® _adenomiose em 29 (46%) de todas as 63 mulheres das quais
19 eram pré-tratadas e 10 controles. ® Glândulas
endometriais inativas ou atróficas em 51% das amostras das
mulheres pré- tratadas e em 3% nas de controle. ® Estroma
endometrial inativo ou atrófico em 51% nas pré -tratadas
e 10% nas de controle.
- No segundo período de seis meses,
a taxa de amenorréia pós-operatória foi de 34% no grupo
com goserelina e 20% no grupo sem goserelina.
A maioria das pacientes estavam satisfeitas
com 1 ano de follow-up, sem diferença significativa entre
os ramos de estudo.
Com 1 ano de follow-up, 53 pacientes
fizeram histeroscopia, sendo encontrado cavidade uterina quase
normal até cavidades grosseiramente fibróticas.
6- Discussão :
1 ano após ressecção endometrial
Grau de satisfação com o tratamento
No global a taxa de amenorréia pós-operatória
nas séries foi de 27%.
Foram achados níveis mais baixos de score
menstrual e taxa de amenorréia ligeiramente mais alta em mulheres
que fizeram goserelina por 2 meses antes da ressecção endometrial.
7- Conclusão :
De acordo com os dados, a administração
de um agonista de GnRH antes da ressecção endometrial é vantajosa
para a cirurgia mas tem efeito limitado em termos de padrão
de sangramento pós-operatório e parece não oferecer benefício
clínico claro à longo prazo.
Durante a apresentação do trabalho foram
feitas algumas perguntas. Se voce quer comentar algumas das
perguntas ou fazer alguma outra pergunta, entre em contato
conosco.
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Perguntas
1. Quanto à técnica, poderia o
fato de primeiro realizar-se a coagulação dos óstios
e posterior ablação da cavidade, alterar a eficácia
do tratamento?
2. O fato de ser multicêntrico
(diferença de técnica
cirurgica) pode interferir no resultado?
3. O follow-up foi baseado somente
na clínica da paciente, seria necessário um acompanhamento
também histeroscópico para verificar como ficou a cavidade?
(se ficou endométrio residual)
4. Eles afirmaram que o resultado
histopatológico não havia importância (porque já havia
ocorrido uma seleção inicial diagnosticando todas como
HUF), pórem o fato de 46% das pacientes terem adenomiose
não teria nenhum valor?
5 Não foi feito uma análise do
tipo de cavidade encontrada nas pacientes que fizeram
nova histeroscopia e a qual grupo elas pertenciam. Isso
seria importante?
6. Em outros autores a taxa de
amenorréia no pós-operatório é bem maior que os 34%
do trabalho. |
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