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Vídeo-Histeroscopia

Antes da descoberta da vídeo-histeroscopia, o exame da cavidade uterina só era possível através de métodos indiretos, nem sempre satisfatórios. Por muitos anos, pesquisadores se empenharam na busca de metodologias que possibilitassem a visualização destas e de outras cavidades do organismo.

Desde o início do século XIX, quando Bozzini realizou a primeira exploração endoscópia, até os dias de hoje, observamos uma grande evolução na técnica e materiais existentes para o exame histeroscópico, de forma que atualmente, utilizando tecnologia de ponta, já é possível visualizarmos particularidades e detalhes de uma cavidade uterina antes completamente virtual.

Com este objetivo, utilizamos para o exame basicamente:

Um sistema óptico constituído pelo histeroscópio de Hamou - um tubo rígido de 250 mm x 4 mm / 250 mm x 2,7 mm contendo uma óptica e um sistema de lentes;

Um sistema de iluminação - que pode ser uma fonte de luz fria ou xenônio;

Um meio líquido ou gasoso para expansão intracavitária - utilizamos em nosso serviço o histerioinsuflador de CO2 eletrônico de Hamou pela nítida visão que proporciona e, finalmente,

Microcâmera adaptada ao histeroscópio para visualização das imagens

Material de vídeo/fotografia para armazenamento e posterior reprodução das imagens.

Tal equipamento nos permite o uso da técnica em regime ambulatorial, pois não necessita de procedimentos anestésicos em 95% dos casos, possibilitando o diagnóstico de patologias intra-uterinas, colheita de material para biópsia em locais exatos (diferentemente da curetagem uterina fracionada) e, ainda tratamento de algumas patologias ginecológicas sem a necessidade de recorrermos ao centro cirúrgico (ex.: polipectomias).

A vídeo-histeroscopía pode também ser levada ao centro cirúrgico, onde estando a paciente anestesiada e utilizando manitol ou dextran para expansão intra-cavitária, podemos realizar vários procedimentos cirúrgicos como miomectomias, ablações de endométrio, polipectomias, metroplastias..., poupando nossas pacientes de histerectomias agora já desnecessárias com o novo advento. Para os procedimentos cirúrgicos, utilizamos basicamente o ressectoscópio - um conjunto de tubos rígidos e hastes condutoras (alças, "rollerball", bisturi...) capazes de através de corrente elétrica ressecar o endométrio até sua camada basal ou a camisa operatória, onde podemos adaptar microtesouras e pinças em saca-bocado.

Acreditamos ser a vídeo-histeroscopia diagnóstica e cirúrgica um método novo e atraente, que veio preencher a nossa necessidade de visualizarmos e tratarmos a cavidade uterina sem lançarmos mão de grandes cirurgias, com o benefício final para nossas pacientes.

Abaixo, descrevemos indicações diagnósticas e cirúrgicas da vídeo-histeroscopia, assim como suas contra-indicações absolutas e relativas.

Indicações Diagnósticas

1- Avaliação de metrorragias em geral;
2- Avaliação de alterações dos ciclos menstruais;
3- Avaliação de esterilidade e infertilidade (fator uterino e fator cervical);
4- Localização de corpos estranhos;
5- Diagnósticos e seguimento das enfermidades trofoblásticas;
6- Localização de restos placentários e abortivos;
7- Indicação e controle de cirurgias uterinas (miomectomias, metrectomias, polipectomias, metroplastia etc.);
8- Diagnóstico diferencial de patologia intracavitária suspeita por qualquer outra técnica;
9- Avaliação da cavidade uterina previamente à inserção de DIU;
10- Avaliação e diagnóstico de más formações uterinas;
11- Pesquisa de fatores etiológicos de amenorréias de causa uterina;
12- Pólipos endocervicais: avaliação da cavidade uterina devido as frequentes associações com pólipo endometrial;
13- Diagnóstico e seguimento das hiperplasias endometriais;
14- Diagnóstico e fatores prognósticos do carcinoma de endométrio e endocérvice.

Inidicações Cirúrgicas

1- Biópsias dirigidas;
2- Extração de DIU perdido e outros corpos estranhos;
3- Ressecção de septos e aderências intra-uterinas;
4- Miomectomias;
5- Polipectomias;
6- Redução e ablação endometrial;
7- Cateterismo tubário;
8- Esterilização.

Contra Indicações Absolutas:

1- Infecção pélvica aguda
Relativas:
2- Hemorragia uterina intensa;
3- Gravidez;
4- Perfuração uterina recente.


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