A palavra laparoscopia significa
a rigor "olhar" por meio de instrumentos dentro
da cavidade peritoneal. Este procedimento é feito com a colocação
de óticas no interior da cavidade abdominal que, por meio
de lentes, permitem a vizualização dos órgãos intra-abdominais.
A vídeo-laparoscopia é feita com a ajuda de uma câmera que
permite que a imagem seja reproduzida e vizualizada em um
monitor de tv.
A vídeo-laparoscopia é um
método relativamente novo, porém já existe em ginecologia
há 10 anos ou mais (história da laparoscopia). A sua grande
difusão e divulgação nos meios médicos ocorreu quando os cirurgiões
gerais iniciaram em 1989 a realizar procedimentos por meio
da vídeo-laparoscopia.
A realização de cirurgias
vídeo-laparoscópicas requer uma série de aparelhagem especialmente
projetados, dentre eles uma fonte de luz, uma microcâmera,
um monitor de tv, um insuflador de gás e instrumental específico.
Assim, o uso da microcâmera
(tecnologia utilizada pelas microcâmeras dos carros de fórmula
1) e fonte de luz acoplada a uma ótica, permite a visualização
com detalhes da cavidade peritoneal, pois ocorre uma ampliação
de 16 a 20 vezes da imagem sem perda de qualidade.
Como a cavidade peritoneal
é virtual, é necessária a sua transformação em cavidade real.
Isto é alcançado com o emprego da distensão abdominal com
gás (daí a necessidade do uso de um insuflador). O gás utilizado
é o gás carbônico (CO2 ), pois este é inerte e rapidamente
difundido na corrente sanguinea sem acúmulo excessivo.
O acesso dos instrumento
à cavidade peritoneal é feito através de punções e colocação
de trocáteres que, por mecanismos valvulares permitem o acesso
de instrumentos e impedem a saída de gás.
Com toda esta tecnologia,
a vídeo-laparoscopia é um método que vislumbra inúmeras possibilidades
de avaliações diagnósticas e tratamentos cirúrgicos por permitir
a realização de procedimentos delicados e precisos com dissecções
meticulosas de estruturas intra-abdominais.
Em ginecologia, a vídeo-laparoscopia
permite o estudo de inúmeras patologias e seu tratamento:
Infertilidade:
· cromotubaçao
· lise de aderências
· colheta de líq. peritoneal para análise de citologia e bacteriologia
· salpingoplastia/fimbrioplastia
· salpingotomia distal
· biópsia de ovários
· tuberculose genital
· Amenorréia primária e
secundária
· Malformações congênitas
· Miomas (miomectomias)
· Histerectomias
· Neurectomias pré-sacras
· Ablação de lig. útero sacro
· Cura de incontinência urinária de esforço
· Linfadenectomias
· Second-look após tratamento de endometriose
Na cirurgia geral, praticamente
todos o procedimentos podem ser realizados por vídeo-laparoscopia,
sendo consagrados os seguintes:
· Colecistectomias
· Colangiografia per-operatória
· Coledocoscopia
· Biópsia hepática
· Hernioplastia inguinal
· Fundoplicaturas para refluxo gastro-esofágico
· Apendicectomia
· Drenagem de abscessos intra-peritoneais
· Ulcerorrafia em úlceras pépticas perfurada
· Vagotomias (tronculares e super-seletivas)
· Esofagomiotomia
· Trauma tóraco-abdominal
· Outras cirurgias são realizada, porém seu emprego ainda
não é consenso:
· Gastrectomia
· Colectomia
· Duodenopancreatectomia
· Hepatectomia
· Anastomoses bilio-digestiva
· Esplenectomia
· Suprarrenalectomia
A restrição aos procedimentos
vídeo-laparoscópicos ainda existe pelo alto custo dos equipamentos,
o que exige um investimento grande em tecnologia, e pela obrigatoriedade
do emprego de anestesia geral em todos os casos com as repercussões
respiratórias e circulatórias do pneumoperitôneo.
Porém, algumas empresas
como o CEVESP, por perseguir um padrão ouro de qualidade,
fazem investimentos continuamente em material, para por a
disposição dos médicos do Rio de Janeiro, conjuntos de equipamentos
de última geração, em cirurgia vídeo-laparoscópica, pois seus
benefícios para o paciente são inegáveis.
Dentre estes benefícios
inquestionáveis, podemos citar um menor tempo de internação,
intensidade de dor pós-operatória mínima, retorno ao trabalho
mais rápido e resultados estéticos excelentes. Tudo isto é
conseguido graças ao trauma cirúrgico mínimo existente nos
procedimentos laparoscópicos.
Assim, pode-se concluir
que a vídeo-laparoscopia é um método obrigatório no arsenal
diagnóstico-terapêutico de qualquer médico atual, que presta
serviço de qualidade a seus pacientes.